Arquivo de novembro \21\UTC 2008

Vive la France!!!

Quem gosta de cinema francês (como é meu caso!) vai enlouquecer com as duas mostras dedicadas a este “gênero”, em cartaz na cidade de SP.

De hoje (21/11) até o dia 27/11, o HSBC Belas Artes (Rua da Consolação, 2423) cede espaço à 7ª edição do Festival Varilux, que traz 7 títulos, alguns inéditos. A programação do evento destaca duas produções com o melhor-ator-francês-da-nova-geração, Louis Garrel, entre elas o novo filme de Christophe Honoré, “A Bela Junie”, e “Atrizes“, de Valeria Bruni Tedesch. 

Confira a programação do evento aqui.

Já a Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino), exibe, de 19 a 23 de novembro, a mostra “Pequenas Jóias do Cinema Francês, dedicada a raridades produzidas entre 1941 e 1961. A programação reúne obras de Christian-Jaque, Jean Delannoy e Roger Leenhardt, além de exibir, em versão original e sem legendas o raríssimo “Sombras na Areia“, de Jacques Bourdon e estrelado pela incrível Anna Karina.

O site da Cinemateca traz a programação completa do evento.

Mas, se ainda assim você não se sentir satisfeito com a invasão francófona, ainda será possível conferir o clássico “Jules e Jim”, de François Truffaut, no HSBC Belas Artes, às 19h30, na sessão Cineclube Conjunto da Obra, em homenagem a Jeanne Moureau. 

Depois de tudo isso, só cantando “Chacun pour soi est reparti, Dans l’tourbillon de la vie…”!

Olha só o Louis Garrel em “A Bela Junie”…

actrices… e em “Atrizes”, destaques no Festival Varilux.

les dernières vacancesE o pôster de “As Últimas Férias”, de Roger Leenhardt (1948),em exibição na Cinemateca Brasileira.

 

 

 

F.W. MUrnau no CCBB-SP

Começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado 112. Centro-SP)  a mostra “Poemas Visionários: O Cinema de F.W. Murnau” , dedicado a um dos mais importantes nomes do cinema mudo e do exprssionismo alemão.

Em homenagem ao seu 120º aniversário (sim, mestres não morrem, jamais!), a seleção traz todos os 12 filmes do artista (que produziu um total de 21 filmes, no entando, boa parte é dada como desaparecida…), a maioria em película.

É a oportunidade para ver obras-primas, como “Tabu” (1930/31), exibido em sessão especial na 31a. Mostra Internacional de Cinema de SP, e que causou frissom, os clássicos “Nosferatu” (1921/22) e “Fausto” (1925/26), ambos expoentes do expressionismo alemão e o mais belo e mais premiado filme mudo de todos os tempos, “Aurora” (1926/27), vencedor de três Oscars, entre eles o de melhor atriz para Janet Gaynor, no papel da mocinha.

A programação está disponível aqui e os ingressos da mostra são vendidos ao preço módico de R$4 e R$2!

murnau-fO cineasta F.W.Murnau, “pai” de…

tabu… “Tabu”…

aurora… e Aurora!

É INDIE!!!

Começa hoje a 2ª edição paulista do INDIE 2008 – Mostra Mundial de Cinema, evento que completou este ano sua 7ª edição em Belo Horizonte/MG, sempre trazendo o que há de novo na cena cinematográfica independente.

Até o dia 12/11, o INDIE exibe 40 filmes em 35 sessões, todas no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075), onde o maior destaque são as produções japonesas, que integram dois ciclos: um dedicado ao cinema erótico (ou “pinku eiga”, “cor-de-rosa”) de Koji Wakamatsu e outro intitulado Nippon Connection Film Festival, dedicada a divulgação do novo cinema japonês.

Há ainda o ciclo Música do Underground, que traz “Sonic Youth: Dormindo Noites Acordadas”, do Projeto Moonshine (EUA, 2007) e a seleção Premiers Films, com 4 filmes dirigidos por estreantes franceses.

Os ingressos custam de R$ 3 a R$ 6 e a programação completa você vê aqui

Olha só que bacana a vinheta do festival, que começou oficialmente ontem:



32ª Mostra – “O Estranho em Mim” leva o prêmio do Júri!

O longa-metragem alemão “O Estranho em Mim” foi o grande vencedor da 32ª edição da Mostra Internacional de Cinema, realizada dia 30/10, no Sesc Pinheiros. O filme da cineasta Emily Atef (eu comentei aqui, lembra?) foi escolhido o melhor por unanimidade pelo Júri.

O prêmio de melhor atriz, segundo o Júri foi para a protagonista de “O Estranho em Mim”, Susanne Wolff. 

O Melhor Longa Estrangeiro de Ficção, segundo o público foi o indiano  “Jodhaa Akbar”, de Ashutosh Gowariker, que conta a história da aliança entre o Imperador muçulmano Jalaluddin Mohammad Akbar e a jovem Jodhaa, filha do Rei hindu Bharmal de Amer.

Melhor Longa Brasileiro de Ficção, segundo o público, foiApenas o Fim”, de Matheus de Souza, também vencedor do Prêmio Teleimage de Finalização.

O prêmio da Crítica de Melhor Filme foi para “Aquele Querido Mês de Agosto”, de Miguel Gomes.

O  Melhor Documentário segundo o Júri de Documentários foi “Crianças da Pira”, de Rajesh S.Jala. Foi premiado ainda com o Prêmio Especial do Júri de Documentários, “KFZ-1348″, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso, e com Menção Especial, “Conhecendo Andrei Tarkovsky”, de Dmitry Trakvosky .

Para o público, o Melhor Documentário Estrangeiro foi “YOUSSOU NDOUR: I Bring what I love”, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e o Melhor Documentário de Longa-Metragem Brasileiro foi “Loki – Arnaldo Batista”, de Paulo Henrique Fontenelle.

O premiado do Festival da Juventude, destinado à estudantes secundaristas da rede pública de ensino (e que quase nunca comparecem, visto a deficiente divulgação entre as escolas, sobretudo às da periferia!) foi “Verônica”, de Maurício Farias. 

Wim Wenders, responsável pela seleção “Carta Branca”, foi homenageado com o Prêmio Humanidade.

E vocês, concordam com esta premiação???

32ª Mostra – Repescagem: Ingmar Bergman!

A repescagem da 32ª Mostra Internacional de Cinema começa em grande estilo, já que as sessões que se seguem pela próxima semana (até dia 6/11) não prometem ser as mais animadoras.

De qualquer maneira, quem deixou para depois os filmes de Bergman não se arrependeu. Na sexta, dia 31/10 e primeiro dia da repescagem  foram exibidos na Cinemateca Brasileira “Crise” (1946), “Prisão” (1949), “Sede de Paixões” (1949), “Música na Noite” (1948) e “A Hora do Lobo” (1968).

Uma boa oportunidade para atestar a eterna genialidade deste mestre maior do cinema, embora alguns defendam o contrário para estes primeiros filmes da carreira do diretor sueco. 

Recheado de dramas psicológicos, estes primeiros e raros filmes de Bergman trazem consigo a marca principal do diretor, que é a observação do íntimo do ser humano, onde as pessoas agem de acordo com seus interesses e cujo desfecho dificilmente é o desejado. 

Mais filmes de Bergman foram exibidos ontem e hoje na Cinemateca, e quem viu, com certeza tardará a esquecer.

Avaliação Le Champo para “Crise”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Prisão”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Sede de Paixões”: Excelente!

                                    A jovem Nelly em “Crise”, de 1946…

 

                        … a confusa Birgitta-Carolina, de “Prisão”, (1949)…

                             … e as heroínas de “Sede de Paixões”, (1949)

32ª Mostra – Crítica: “Liverpool” e “O’Horten”

O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.

Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.

Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.

Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!

Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!

Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!

Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…

… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer

32ª Mostra – Crítica: “Che”

Se o resultado de toda histeria coletiva fosse filmes incríveis, “Che” seria imbatível. Com ingressos impossíveis de serem comprados pela internet e com filas que começaram às 9h30 da manhã do dia 30, este foi o filme mais aguardado de toda a Mostra Internacional de Cinema.

O caos perdurou até o início da sessão – na sala 1 do Unibanco Arteplex, por exemplo houve atraso de 1 hora para o início da sessão, além de uma projeção lamentável (problemas de foco, de som, queda de energia etc…). Até mesmo a prometida presença de Benício del Toro decepcionou: ao lado de Rodrigo Santoro e da produtora Laura Bickford, a encenação toda não durou 5 minutos.

Aqui imagens (horríveis, reconhecemos) que tentamos fazer do encontro:

                                                         Rodrigo Santoro e Benício Del Toro

                                                         Aqui, Del Toro, no destaque…

Quanto ao filme, bem… se no primeiro filme você saí da sala gritando “Hasta la victoria, siempre!”, no segundo você fica olhando para o relógio o tempo todo se perguntado: “pôxa, você não vai morrer não, Che?”.

E, ao contrário do que se pode justificar, ou seja, que são momentos da vida do guerrilheiro bastante diferentes, onde no primeiro há a esperança da Revolução Castrista e no segundo a derrocada e morte de Che, acredito que Stevem Soderbergh perde mesmo foi a mão ao dirigir o segundo filme. Este é chato, não têm o mesmo vigor que o primeiro e faz com que todo o encanto do primeiro escoa pelo ralo…

O filme decresce…

Apesar disso, merecem elogios a atuação de Benício del Toro (acho que ele ganha o Oscar!), com a caracterização perfeita do personagem, capaz de mostrar humanidade em Che quando luta e quando sofre de asma e com poucos exageros (como a excessiva imagem dos charutos) e ainda a atuação de Demián Bichir no papel de Fidel Castro – capaz de confundir o espectador nas cenas em P&B.

Avaliação Le Champo para “Che- 1”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Che – 2”: Regular.

Eis aqui o trailler do primeiro filme, “Che – o Argentino”: