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É Tudo Verdade (ou quase)!

Começa hoje em São Paulo, com sessão exclusiva para convidados, o Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade.

Dirigida pelo crítico Amir Labaki, a 15ª edição do evento exibirá, até o dia 18/04, 71 documentários originários de 27 países, entre os quais, 18 documentários brasileiros inéditos (entre curtas, médias e longas). Tudo isso gratuitamente e distribuído em 6 salas de cinema em São Paulo.

O documentário selecionado para abrir o Festival hoje, no Espaço Unibanco Augusta, às 20h30 é “Uma Noite em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil (crítico de cinema da Folha de São Paulo). O filme retrata, através de imagens de arquivo, a final do Festival da Canção da TV Record, momento memorável da televisão e música brasileira.

Na edição carioca do É Tudo Verdade, que começa oficialmente amanhã, quem abre é o polêmico “Segredos da Tribo”, de José Padilha. Sua obra é um olhar sobre antropólogos renomados, entre eles o americano Napoleon Chagnon e o francês  Jacques Lizot, que conviveram com índios ianomâmis na fronteira da Venezuela com o Brasil, entre as décadas de 1960 e 1970 e cuja fama acadêmica divide espaço com acusações de genocídio e pedofilia.

Sessões que prometem lotar são a de “Capitalismo – Uma História de Amor”, de Michael Moore. São dele os famosos “Tiros em Columbine”, de 2002, e “Fahrenheit 9/11”. Amado por muitos e odiado por outros tantos, Michael Moore foi alvo de inúmeras acusações, de cineastas e não-cineastas, que declararam que seus filmes não passam de manipulação e mentira. Não deixa de ser positivo, pois, o debate levantado a partir das obras de Moore, sobre a veracidade dos filmes documentários e sobre o papel do documentarista na produção deste gênero. A primeira sessão de “Capitalismo”, no É Tudo Verdade, está programada para o próximo sábado, dia 10, às 19h00 no Espaço Unibanco de Cinema, em SP.

Pôster de Capitalismo – Uma História de Amor, de Michael Moore, que terá sua prèmiére no É Tudo Verdade 2010

Dois cineastas serão homenageados nesta edição do festival: o francês Alain Cavalier, cujas obras compõem a mostra “Retratos/ Auto-Retratos”, dentro do programa Retrospectiva Internacional, e ainda, uma Homenagem Especial, em função do centenário do documentarista e fotógrafo Benedito Junqueira Duarte. São dele os primeiros filmes que registram as transformações de São Paulo, na primeira metade do século XX.

Cena de O Encontro, de Alain Cavalier (1996), que será exibido no Festival É Tudo Verdade 2010

Além da exibição de filmes, o É Tudo Verdade 2010 integra a 10ª Conferência Internacional do Documentário. Intitulada “Filme Vira Filme: o Documentário de Arquivo”, a conferência abrirá espaço para cineastas e pesquisadores discutirem a complexa questão do uso das imagens de arquivo, que, além de envolver os altos custos para utilização dessa fonte documental, esbarra na não localização ou desconhecimento do detentor dos direitos sobre as imagens. O evento acontecerá entre 14 e 16 de abril, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo e para participar é necessária inscrição préviaatravés do email inscrição@cinemateca.org.br.

Mais informações sobre a programação, cinemas participantes e inscrição para a 10ª Conferência Internacional de Documentário você encontra no site do É Tudo Verdade.

E para acompanhar o que está rolando no evento, de resenhas à novidades, você acompanha aqui, neste Le Champo!

À bientôt!

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Ang Lee e Audiard brilham em Cannes – Destaques do Fim de Semana do Festival

Como era de se esperar, “Taking Woodstock” (EUA) do diretor taiwanês Ang Lee empolgou a plateia durante a projeção oficial do longa, realizada no último sábado a noite, no Festival de Cannes. O filme conta as peripécias de Elliot Tiber (Demetrio Martin) que, na tentativa de salvar da falência um hotel que pertencera a sua família, acaba atraindo para o local o festival de Woodstock (1969), evento que durou três dias e que tornou símbolo máximo da cultura hippie.

Durante a coletiva de imprensa realizada no sábado (16), Ang Lee (abaixo) definiu o festival de Woodstock como “os últimos momentos de inocência de uma geração”. Para o diretor, seu filme é “uma comédia sem cinismo” e embora bem recebido pela crítica de Cannes não deve receber a Palma de Ouro do Festival. 

ang_lee_cannes_2009                                                                        

Outro filme que causou frisson e é apontado como forte candidato à Palma de Ouro no Festival de Cannes é o francês “Un Prophète“, de Jacques Audiard. No filme, Malik (interpretado pelo estreante Tahar Rahim) é um jovem de 19 anos que, por motivo não revelado na trama, cumpre pena de 6 anos em uma penitenciária francesa. É no cárcere que Malik se aproxima do mundo do crime, conhecendo histórias de assassinatos e lidando com máfias instaladas na cadeia.

prophete_audiard                                    

No domingo, os destaques do Festival foram os longas do chinês Johnnie To e do filipino Brillante Mendoza. 

Vengeance” (Hong Kong/França/EUA), de Johnnie To, conta a história de um mafioso (interpretado pelo roqueiro e ator Johnny Hallyday) que tem sua morte decretada a partir do momento em que se torna suspeito de ajudar o FBI.

venegance_johnnie_to

Mas quem se destacou mesmo no último domingo (17) em Cannes foi o filipino Brillante Mendoza que com seu “Kinatay” (Filipinas), arrancou as primeiras vaias do Festival. O cineasta que já havia dividido plateias no ano passado com seu duvidoso “Serbis”, exibido no Brasil durante a última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, agora atacou com a história de um estudante de criminologia que aceita realizar um trabalho especial para um grupo criminoso de Manila.

kinatay_mendoza

O título “Kinatay”, que em filipino quer dizer “esquartejar”, dá uma pista daquilo que o público encontrará no longa: muita violência, muito sangue, tortura e cenas chocantes. Para amenizar o desconforto da exibição, Mendoza explicou na coletiva de imprensa de ontem que optou por mostrar de forma “crua” os massacres que acontecem diariamente em seu país.

Brillante_Mendoza

“Tetro” de Coppola abre hoje a Quinzena dos Realizadores

A clássica Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes tem início hoje com a exibição do aguardado “Tetro”, de Francis Ford Coppola.O filme foi rodado na Argentina e conta a história de um homem que viaja à Buenos Aires a procura do irmão mais velho e desaparecido há anos. No elenco estão o americano Vincent Gallo, além das espanholas Carmen Maura e Maribel Verdú.

Aqui, Coppola, vencedor da Palma de Ouro em 1979 por “Apocalipse Now”, com os atores de Tetro:

tetro_coppola_atores

 

A Quinzena é uma mostra paralela à Cannes e hoje se impõe como importante espaço destinado às produções e realizadores independentes do mundo inteiro. Entre os selecionados, destaque para a comédia “I LOve You Phillip Morris (EUA) de Glenn Ficarra e John Requa, estrelado por Jim Carey e com a participação de Rodrigo Santoro no elenco.

i-love-you-phillip-morris

 

Dentre os curta-metragens selecionados, um é brasileiro: Super Barroco, de Renata Pinheiro, trabalho este premiado na última edição do Festival de Brasília:

curtaSuperBarroco

Confira a lista completa dos longa-metragens presentes na 41ª Quinzena dos Realizadores de Cannes:

“Amreeka” de Cherien Dabis (EUA)
“Les Beaux gosses” de Riad Sattouf (França)
“Carcasses” de Denis Coté (Canadá)
“Daniel y Ana” de Michel Franco (México)
“Eastern Plays” de Kamen Kalev (Bulgaária)
“La Famille Wolberg” de Axelle Ropert (França)
“Go Get Some Rosemary” de Benny et Josh Safdie (EUA)
“De Helaasheid der dingen” de Felix Van Groeningen (Bélgica)
“Here” de Tzu-Nyen Ho (Cingapura)
“Humpday” de Lynn Shelton (EUA)
“I Love You Philip Morris” de Glenn Ficarra e John Requa (EUA) 
“J’ai tué ma mère” de Xavier Dolan (Canadá)
“Jal Aljido Motamyunseo” (Like You Know It All) de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
“Karaoke” de Chan Fui (Chris) Chong (Malásia)
“Navidad” de Sebastian Lelio (Chile)
“Ne change rien” de Pedro Costa (Portugal)
“Oxhide II” de Liu Jia Yin (China)
“La Pivellina” de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
“Polytechnique” de Denis Villeneuve (Canadá) 
“Le Roi de l’évasion” de Alain Guiraudie (França)
“La Terre de la folie” de Luc Moullet (França)
“Yuki & Nina” de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot (França/Japão)

F.W. MUrnau no CCBB-SP

Começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado 112. Centro-SP)  a mostra “Poemas Visionários: O Cinema de F.W. Murnau” , dedicado a um dos mais importantes nomes do cinema mudo e do exprssionismo alemão.

Em homenagem ao seu 120º aniversário (sim, mestres não morrem, jamais!), a seleção traz todos os 12 filmes do artista (que produziu um total de 21 filmes, no entando, boa parte é dada como desaparecida…), a maioria em película.

É a oportunidade para ver obras-primas, como “Tabu” (1930/31), exibido em sessão especial na 31a. Mostra Internacional de Cinema de SP, e que causou frissom, os clássicos “Nosferatu” (1921/22) e “Fausto” (1925/26), ambos expoentes do expressionismo alemão e o mais belo e mais premiado filme mudo de todos os tempos, “Aurora” (1926/27), vencedor de três Oscars, entre eles o de melhor atriz para Janet Gaynor, no papel da mocinha.

A programação está disponível aqui e os ingressos da mostra são vendidos ao preço módico de R$4 e R$2!

murnau-fO cineasta F.W.Murnau, “pai” de…

tabu… “Tabu”…

aurora… e Aurora!

É INDIE!!!

Começa hoje a 2ª edição paulista do INDIE 2008 – Mostra Mundial de Cinema, evento que completou este ano sua 7ª edição em Belo Horizonte/MG, sempre trazendo o que há de novo na cena cinematográfica independente.

Até o dia 12/11, o INDIE exibe 40 filmes em 35 sessões, todas no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075), onde o maior destaque são as produções japonesas, que integram dois ciclos: um dedicado ao cinema erótico (ou “pinku eiga”, “cor-de-rosa”) de Koji Wakamatsu e outro intitulado Nippon Connection Film Festival, dedicada a divulgação do novo cinema japonês.

Há ainda o ciclo Música do Underground, que traz “Sonic Youth: Dormindo Noites Acordadas”, do Projeto Moonshine (EUA, 2007) e a seleção Premiers Films, com 4 filmes dirigidos por estreantes franceses.

Os ingressos custam de R$ 3 a R$ 6 e a programação completa você vê aqui

Olha só que bacana a vinheta do festival, que começou oficialmente ontem:



32ª Mostra – Crítica: “Chevolution”

“Não sei quem é, mas está na moda!”.

O documentário ilustra a trajetória da mais explorada imagem da história: o retrato de Che Guevara intitulado “O Guerreiro Heróico”, de Alberto Korda.

Partindo da história do próprio Ernesto “Che” Guevara, o filme cruza depoimentos de várias pessoas (entre elas os atores Gael García Bernal e Antonio Banderas (???), os músicos do Rage Against the Machine e etc.,) com análises de “especialistas” (???) – todos tecendo suas teorias sobre a apropriação da imagem pelo capitalismo e sua rápida disseminação em todo o mundo.

Com o formato parecidíssimo com os programas do History Channel, o documentário não desagrada, mas também não surpreende. São apenas obviedades expostas com humor.

Avaliação Le Champo: Regular.

                                         A apropriação e disseminação de Che, em “Chevolution”

32ª Mostra – Crítica: “Queime Depois de Ler”

Eis aqui uma excelente comédia. E olha que nem sou fã desse gênero!

Mas o humor negro neste novo filme de Ethan e Joel Coen supera todas as expectativas…

O mote central da história é um CD que contém as memórias de um ex-agente da CIA. De posse deste CD e acreditando no valor das informações contidas nele, dois funcionários de uma academia de ginástica resolvem “negociá-lo” e assim, obter uma boa grana. A partir daí a trama fica cada vez mais surpreendente, cômica e bizarra.

Destaque para a atuação de Brad Pitt, como o instrutor da academia e o sempre ótimo John Malkovich no papel do ex-agente Osbourne Cox. 

Uma palavra para “Queime Depois de Ler”: bizarro.

Avaliação Le Champo: Excelente!