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32ª Mostra – Resumo de 29.10 – “Serbis”, “Melodias de Primavera” e “Lições Particulares”

Penúltimo dia de Mostra e alguns filmes de gosto bastante duvidoso.

Começaremos pelo filipino “Serbis”, de Brillante Mendonza. O filme retrata a vida de uma família numerosa, que cuida e vive num velho cinema pornô. Em meio à pobreza, à falta de perspectivas, às frustrações pessoais e à prostituição crescente e descoordenada dentro da sala de cinema, os membros dessa família são obrigados a lidar com o que há de pior nos outros.

Se a intenção é mostrar a degradação, o feio e o sujo, o filme vai além e deixa que essa sensação de asco pareça descuido do diretor. A intenção de chocar o espectador torna as cenas cansativas e pouco enfadonhas. Melhor seria se fosse um documentário. Avaliação Le Champo: Ruim

O contraponto de “Serbis” é o alemão “Melodias de Primavera”, de Martin Walz. Uma comédia-romântica-musical bastante açucarada, mas que não chega a enjoar. O mote da história é o encontro de duas pessoas problemáticas, Anna, a professora primária com ataques de nervos e Thilo, o frustrado ator que, para se sustentar, tenta vender vinhos por telefone. Um encontro casual e uma paixão arrebatadora e problemas cotidianos, tudo marcado com estrofes musicais. 

Sem pretensões e mais um filme tipo “sessão da tarde”, que não desagrada, porém, está longe de marcar presença num festival. Avaliação Le Champo: Regular!

Por fim o quase polêmico “Lições Particulares”, de Joachim Lafosse. Houve quem o adorou e também os que detestaram esse que chamo de “drama grego sob viés francês”. Jonas, personagem central da trama, é um adolescente cheio de planos mas que pouco se esforça na realização destes. Repetente, filho de pais separados e frente às primeiras experiências sexuais com a garota de gosta, Jonas só encontra apoio no grupo de amigos mais velhos, composto pelo casal Nathalie e Didier e de Pierre. Este último, solidarizado com os sonhos do garoto de seguir seus estudos, oferece seus préstimos de tutor. No entanto, a relação entre ambos estrapola os limites acadêmicos, tornando-se cada vez mais íntima e invasiva. 

Roteiro interessante e boa atuação de Yannick Renier, no papel de Pierre (e também presente no já comentado “Nascidos em 68”), garantem nesse Le Champo a avaliação de Bom!

                                                        Cena do repugnante “Serbis”…

                                                   … do açucarado “Melodias de Primavera”…

… e trailler do intrigante “Lições Particulares”…

 

32ª Mostra – Crítica: “Nascidos em 68”

No ano em que o mundo relembra os 40 anos dos eventos de Maio de 68, eis que aparece (mais) um filme evocando o espírito daquela época. Acreditando oferecer uma proposta inovadora (!) – repensar os filhos daquela geração de militância e contestação – “Nascidos em 68” deixa a desejar num filme longo (são 173 minutos!!!) e novelístico.

Com Laetita Casta no papel de Catherine, a trama vai desde a explosão do movimento estudantil de Paris, em 1968, passando pela construção da utópica comunidade hippie, nos anos 1970 e a sua gradual e inevitável dissolução até os anos 1980. É quando os filhos de Catherine, Ludmilla e Boris são adultos e refazendo o mesmo caminho dos pais, ou seja, o de negação da geração anterior (embora jurem o contrário) se deparam com novos problemas: a queda do Comunismo e com ele o sonho de seus pais, a busca pela realização profissional e a explosão da AIDS. 

No fim, a esperança daqueles que vivem de arquitetar boas e saudosas utopias… E então, alguma novidade para você?

Avaliação Le Champo: Regular!

Cinema relembra Maio de 68 em SP

Que este ano comemoramos os 40 anos dos eventos de Maio de 68, isso todo mundo já sabe. Quem mora em SP ou quem está por aqui pode conferir uma agenda cultural extensa dedicada a data. Tem de tudo, literatura, artes plásticas, círculos de debates, mas NADA como o CINEMA para repensar a importância e os desdobramentos destas manifestações, que começaram na França e se estenderam pelo mundo afora, chegando até aqui.

Pensando nisso eu destaquei dois programas bacanas.

o Cine Olido (Av. São João, 473 – Centro) organizou a mostra Maio de 68, que começou no último dia 20 e vai até o próximo dia 8/6. Com exibições gratuitas (ingressos a serem retirados com uma hora de antecedência), é possível ver clássicos do cinema, como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha e uma das referências do Cinema Novo, “Amores Constantes”, de Phillipe Garrel, ou ainda comparar duas obras de Bernardo Bertolucci – “Partner”, filmado no auge do movimento estudantil e “Os Sonhadores”, sua visão dos fatos décadas mais tarde.

Já na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena), acontecerá o debate “Nouvelle Vague”, com presença da pesquisadora Mônica Brincalepe Campo e da escritora Mirian Paglia Costa. Na ocasião será exibido o filme “A Chinesa”, de Jean-Luc Godard. O evento é gratuito e acontece no dia 30/5, das 19h às 21hs (é necessário inscrever-se com antecedência, no site http://www.livrariadavila.com.br/site/eventos/eventos.php).

De cima pra baixo, cenas de “Os Sonhadores”, “Terra em Transe” e “A Chinesa”, na programação sobre Maio de 68

Dans Paris!

Começou ontem a 10ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, vitrine do nosso cinema na França.

Até dia 27 de maio, 44 filmes brasileiros serão exibidos em 3 salas de cinema da capital francesa.

Integra o festival a Mostra Competitiva onde 8 produções disputam o prêmio de melhor filme, além das premiações de melhor ator e melhor atriz segundo o júri e também o prêmio concedido pelo público.

Entre os longas selecionados estão “Mutum”, de Sandra Kogut e “Saneamento Básico, O Filme”, de Jorge Furtado. A premiação será divulgada no dia 13 de maio.

Além da mostra competitiva haverá uma retrospectiva dos grandes clássicos (“Terra em Transe”, de Glauber Rocha e “Os Inconfidentes”, de Joaquim Pedro de Andrade, são alguns deles), shows de música brasileira, exposição de fotos e pinturas e debates sobre os 40 anos dos eventos de Maio de 68.

No dia 12 de maio, feriado francês, haverá projeção especial do longa “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho, em comemoração aos 10 anos do festival.

Os diretores Roberto Farias (de “Pra Frente, Brasil” e Assalto ao Trem Pagador”) e Silvio Tendler (dos documentários “Jango” e “Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro”) serão homenageados e terão seus filmes exibidos em retrospectivas paralelas.

Queria eu estar lá agora pra conferir tudo isso de perto!

Cartas da 10ª edição do Festival du Cinéma Brésilien de Paris

Festival Sesc dos Melhores Filmes de 2008 e Ciclo Debord agitam SP

Começam hoje dois eventos que prometem alvoroçar os cinéfilos paulistanos.

No Cinesesc (Rua Augusta, 2075), a 34ª edição do Festival Sesc dos Melhores Filmes traz de volta à tela  58 filmes considerados sucesso de público e crítica em 2007, com ingressos a (pasmem!) R$6!

Consagrado como o 4º festival mais tradicional do país, o evento, que vai até o dia 24 deste mês, exibe uma miscelânea de títulos que vão desde “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” e “Zodíaco”, passando pelos premiados “A Vida dos Outros” e “Piaf, Um Hino ao Amor”, e chega aos ultra-cults “Império dos Sonhos”, do onírico David Lynch e “Em Busca da Vida”, de Jia Zang-ke.

Dentro da safra nacional, além do famigerado “Tropa de Elite”, de José Padilha, é possível conferir “Mutum”, de Sandra Kogut, “Saneamento Básico”, de Jorge Furtado e “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, entre outros.

'O Passado', 'Santiago', 'Em Paris', 'Noel - Poeta da Vila', 'A Culpa é do Fidel', 'Viagem a Darjeeling', outros destaques do Festival.
Na ordem: O Passado, Santiago, Em Paris, Noel – Poeta da Vila, A Culpa é do Fidel, Viagem a Darjeeling, outros destaques do Festival.
Além do Festival dos Melhores Filmes, outro evento importante é o ciclo “Que Situação, hein, Debord?”, que reúne filmes, debates e intervenções urbanas, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.
No centro do programa está o “Situacionismo” – movimento europeu de crítica social, cultural e política que reuniu poetas, cineastas e artistas plásticos contra a sociedade de consumo, de fins da década de 1950 até a década de 1970.
O destaque da programação de filmes são as obras audiovisuais de Guy Debord, um dos mentores do movimento situacionaista, cujas obras serviram de inspiração para as manifestações de Maio de 68.
A mostra exibirá todos os filmes do filósofo e cineasta francês. Suas obras propõem o que se pode chamar de “anti-cinema”, exemplificado em “Uivos para Sede”, de 1952.
Vale conferir ainda duas de suas obras essenciais: “A Sociedade do Espetáculo” , de 1973, ou seja, cinco anos após as revoltas de 1968, e “In Girum Imus Nocte et Consumitur Igni” (“giramos na noite e fomos devorados”), de 1978, que sugere a anulação da nostalgia.
Até dia 24/04, no Centro Cultural Banco do Brasil (rua Álvares Penteado, 112), entrada gratuita (com retirada de senha no dia da sessão, a partir das 10h.)
Cenas de 'Contre le Cinéma' e 'In Girum Imus Nocte et Consumitur Igni', de Guy Debord
Cenas de Contre le Cinéma e In Girum Imus Nocte et Consumitur Igni, de Guy Debord

40 Anos da Quinzena dos Realizadores de Cannes

A Quinzena dos Realizadores de Cannes comemora 40 anos este mês. E para comemorar a data, será promovida uma Mostra especial, destacando alguns dos mais importantes filmes descobertos na Quinzena.

35 filmes irão compôr a retrospectiva da Quinzena, que começa no dia 16 de abril e vai até o dia 29 do mesmo mês, iniciando-se em Paris e depois, seguindo em mostras itinerantes, passando por cidades como Buenos Aires, Atenas, Roma, Seul, Los Angeles, Nova York e Bucareste, entre outras, é o que informa a Folha de S.Paulo de hoje.

Entre os filmes exibidos estão “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, “Caminhos Violentos” (1973), de Martin Scorsese e “Estranhos no Paraíso” (1984), clássico de Jim Jarmusch.

Para quem ainda não conhece, a Quinzena dos Realizadores é uma Mostra paralela ao Festival de Cannes. Nasceu em 1969, em virtude do boicote ao festival oficial durante os acontecimentos de Maio de 68. Criada sob a responsabilidade da Sociedade dos Realizadores de Filmes e sob o lema “todos os filmes nascem livres e iguais”, a Quinzena se impõs como importante espaço destinado às produções e realizadores independentes do mundo inteiro.

Cena de “Estranhos no Paraóo”, de Jim Jarmusch
Cena de Estranhos no Paraíso, de Jim Jarmusch>