Archive for the 'Um Homem com uma Câmera' Category

34ª Mostra Internacional de Cinema de SP!

Começa hoje a 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o mais tradicional evento de cinefilia do país. Até o dia 4 de novembro serão exibidos mais de 400 filmes entre nacionais e estrangeiros dos mais diferentes países.

 

É, para muitos, a oportunidade única para ver raros e bons filmes asiáticos, europeus, latinos, ou ainda rever obras de autores consagrados através das “retrospectivas”,  alem de claro, ver antes de todo mundo os filmes premiados nos grandes festivais de cinema como Cannes, Veneza, Berlim. Este ano teremos muita coisa interessante por aqui.

A abertura oficial do evento aconteceu na noite de ontem, dia 21, no Auditório Ibirapuera, em sessão especial para convidados do filme “O Estranho Caso de Angélica”, de Manoel de Oliveira. O cineasta português, 101, o mais velho em atividade, não pode comparecer à festa da Mostra, pois recupera-se de uma cirurgia feita para a troca do marca-passo, no entanto passa bem e prometeu vir ao Brasil assim que possível. Em seu lugar, compareceram os atores Ricardo Trêpa e Ana Maria Magalhães.

Quem também esteve presente na festa foi o cineasta Wim Wenders. É ele quem assina um dos cartazes desta edição da Mostra. Alem disso, os filmes de Wenders serão exibidos em uma das retrospectivas (com destaque para “Até o Fim do Mundo”, em nova versão, com 5 horas de duração, uma vez que continuou sendo editada pelo diretor mesmo após seu lançamento, em 1991).

Quem não estiver muito convencido com o cartaz do Wenders, algo meio “Paris, Texas”, pode optar por um segundo cartaz. Este outro traz uma ilustração do mestre do cinema japonês, Akira Kurosawa (1910-1998).

Um momento que promete ser histórico nesta Mostra será a sessão dedicada a versão restaurada do clássico “Metropolis”, de Fritz Lang, no dia 24/10, às 20hs. Exibido ao ar livre, na parte externa do Auditório Ibirapuera, o filme contará com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica, que executará a trilha original de Gottfried Huppertz.

Assim como no ano passado, este ano também será possível assistir on line a alguns filmes da mostra, gratuitamente. A seleção é composta por 68 títulos, no entanto, há um número restrito de acessos (não é necessário fazer downloads). No site da mostra há a lista dos filmes que serão exibidos e o limite de acessos.

A novidade dessa Mostra fica por conta dos bicicletários instalados em diversas salas de exibição. Para utilização de bicicletas é necessário fazer um cadastro, com apresentação de um documento com foto, comprovante de residência e/ou estadia (em caso de turista/estrangeiro), alem da apresentação de um cartão de crédito com saldo mínimo de R$ 350. Aos que possuem credencial da Mostra, basta apenas apresentar documento com foto.

A primeira hora de empréstimo é gratuita e as demais custam R$ 10/hora. A ideia é boa, vamos ver se pega!

O Le Champo estará na Mostra e compartilhará diariamente com o leitor parte da experiência de ver, sentir e pensar o cinema contemporâneo. Aqui no blog, resenhas, notícias, entrevistas. No twitter (@lechampo) notas, comentários, reclamações, novidades etc.

À bientôt!

Anúncios

62º Festival de Cannes – É hoje!

Começa hoje a 62ª edição do Festival de Cannes, o maior festival de cinema do mundo na minha opinião e na de muita gente também! Até 24 de maio, 20 filmes concorrerão ao prêmio máximo da competição, a “Palma de Ouro”. No ano passado, o filme premiado foi o belíssimo “Entre les Murs”, de Laurent Cantet. O Júri Principal será presidido pela atriz francesa Isabelle Hupert, e é composto ainda por Asia Argento, Shu Qi, Sharmila Tagore, Robin Wright Penn, Nuri Bilge Ceylan e James Gray.

Este ano estão no páreo grandes diretores com produções aguardadíssimas por cinéfilos do mundo todo. É o caso de “Los Abrazos Rotos”, novo filme de Pedro Almodóvar e estrelado por Penélope Cruz. A trama conta a história de um homem que, após um acidente de carro, perde além da visão o amor da sua vida, Lena.

los-abrazos-rotos

A expectativa em torno da Palma de Ouro é grande já que concorrem com Almodóvar nomes como Quentin Tarantino e seu “Inglourious Basterds”, sobre um grupo de soldados judeus norte-americanos que empreendem vingança contra oficiais do Terceiro Reich (com Brad Pitt no elenco), Ang Lee e a temática sessentista de “Taking Woodstock”, Lars von Trier com “Anticristo”, filme de terror que mostra a tentativa de um casal refazer a relação num retiro ao mesmo tempo em que a natureza se revolta (??? –  ok, sempre dou crédito ao Trier).

inglourious_basterds

woodstock_taking

Antichrist_von_trier

Diretores e atores cujos trabalhos concorreram em outras edições de Cannes estão novamente presentes nessa edição, como Alain Resnais, que concorreu à Palma de Ouro em 1959 com o clássico “Hiroshima Meu Amor” (são 50 anos!) e agora apresenta seu novo filme intitulado “Les Herbes Folles”, e o ator Jean-Pierre Léaud, o Antoine Doinel de “Os Incompreendidos”  de Truffaut, concorrente de Resnais em 1959. 

les_herbes_folles

Léaud atua em”Visage”, do diretor  Tsai Ming-liang, que mostra a tentativa de um diretor taiwanês em filmar “Salomé” no Louvre, em Paris. Na produção, Léaud fica com o papel de Herodes. Encontrei no youtube uma matéria francesa sobre o filme. Repare no J-P- Léaud:

Para o diretor-geral de Cannes, Thierry Frémaux, “não trata de um festival de habitués”, mas sim de uma estratégia. Ao reunir um bom time de cineastas e atores com aguardadas produções, pretende-se deslocar a atenção da atual crise financeira e, dessa forma, evitar a retração de investimentos nos filmes autorais e que caracterizam o perfil do Festival de Cannes. É o que informa a Ilustrada de hoje (Folha de S.Paulo).

A disputa pelo prêmio máximo do evento começa amanhã, mas a festa de abertura será hoje com a exibição da animação em 3D “Up”, dos estúdios Disney/ Pixar. Confira o trailler:

Ah! O célebre pôster o festival é uma homenagem ao cineasta Michelangelo Antonioni e traz a bela atriz Monica Vitti, estrela do filme “A Aventura”, de 1960. Olha como ficou lindo!

cannes

F.W. MUrnau no CCBB-SP

Começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado 112. Centro-SP)  a mostra “Poemas Visionários: O Cinema de F.W. Murnau” , dedicado a um dos mais importantes nomes do cinema mudo e do exprssionismo alemão.

Em homenagem ao seu 120º aniversário (sim, mestres não morrem, jamais!), a seleção traz todos os 12 filmes do artista (que produziu um total de 21 filmes, no entando, boa parte é dada como desaparecida…), a maioria em película.

É a oportunidade para ver obras-primas, como “Tabu” (1930/31), exibido em sessão especial na 31a. Mostra Internacional de Cinema de SP, e que causou frissom, os clássicos “Nosferatu” (1921/22) e “Fausto” (1925/26), ambos expoentes do expressionismo alemão e o mais belo e mais premiado filme mudo de todos os tempos, “Aurora” (1926/27), vencedor de três Oscars, entre eles o de melhor atriz para Janet Gaynor, no papel da mocinha.

A programação está disponível aqui e os ingressos da mostra são vendidos ao preço módico de R$4 e R$2!

murnau-fO cineasta F.W.Murnau, “pai” de…

tabu… “Tabu”…

aurora… e Aurora!

32ª Mostra – Repescagem: Ingmar Bergman!

A repescagem da 32ª Mostra Internacional de Cinema começa em grande estilo, já que as sessões que se seguem pela próxima semana (até dia 6/11) não prometem ser as mais animadoras.

De qualquer maneira, quem deixou para depois os filmes de Bergman não se arrependeu. Na sexta, dia 31/10 e primeiro dia da repescagem  foram exibidos na Cinemateca Brasileira “Crise” (1946), “Prisão” (1949), “Sede de Paixões” (1949), “Música na Noite” (1948) e “A Hora do Lobo” (1968).

Uma boa oportunidade para atestar a eterna genialidade deste mestre maior do cinema, embora alguns defendam o contrário para estes primeiros filmes da carreira do diretor sueco. 

Recheado de dramas psicológicos, estes primeiros e raros filmes de Bergman trazem consigo a marca principal do diretor, que é a observação do íntimo do ser humano, onde as pessoas agem de acordo com seus interesses e cujo desfecho dificilmente é o desejado. 

Mais filmes de Bergman foram exibidos ontem e hoje na Cinemateca, e quem viu, com certeza tardará a esquecer.

Avaliação Le Champo para “Crise”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Prisão”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Sede de Paixões”: Excelente!

                                    A jovem Nelly em “Crise”, de 1946…

 

                        … a confusa Birgitta-Carolina, de “Prisão”, (1949)…

                             … e as heroínas de “Sede de Paixões”, (1949)

32ª Mostra – Crítica: “Liverpool” e “O’Horten”

O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.

Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.

Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.

Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!

Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!

Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!

Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…

… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer

32ª Mostra – Crítica: “Che”

Se o resultado de toda histeria coletiva fosse filmes incríveis, “Che” seria imbatível. Com ingressos impossíveis de serem comprados pela internet e com filas que começaram às 9h30 da manhã do dia 30, este foi o filme mais aguardado de toda a Mostra Internacional de Cinema.

O caos perdurou até o início da sessão – na sala 1 do Unibanco Arteplex, por exemplo houve atraso de 1 hora para o início da sessão, além de uma projeção lamentável (problemas de foco, de som, queda de energia etc…). Até mesmo a prometida presença de Benício del Toro decepcionou: ao lado de Rodrigo Santoro e da produtora Laura Bickford, a encenação toda não durou 5 minutos.

Aqui imagens (horríveis, reconhecemos) que tentamos fazer do encontro:

                                                         Rodrigo Santoro e Benício Del Toro

                                                         Aqui, Del Toro, no destaque…

Quanto ao filme, bem… se no primeiro filme você saí da sala gritando “Hasta la victoria, siempre!”, no segundo você fica olhando para o relógio o tempo todo se perguntado: “pôxa, você não vai morrer não, Che?”.

E, ao contrário do que se pode justificar, ou seja, que são momentos da vida do guerrilheiro bastante diferentes, onde no primeiro há a esperança da Revolução Castrista e no segundo a derrocada e morte de Che, acredito que Stevem Soderbergh perde mesmo foi a mão ao dirigir o segundo filme. Este é chato, não têm o mesmo vigor que o primeiro e faz com que todo o encanto do primeiro escoa pelo ralo…

O filme decresce…

Apesar disso, merecem elogios a atuação de Benício del Toro (acho que ele ganha o Oscar!), com a caracterização perfeita do personagem, capaz de mostrar humanidade em Che quando luta e quando sofre de asma e com poucos exageros (como a excessiva imagem dos charutos) e ainda a atuação de Demián Bichir no papel de Fidel Castro – capaz de confundir o espectador nas cenas em P&B.

Avaliação Le Champo para “Che- 1”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Che – 2”: Regular.

Eis aqui o trailler do primeiro filme, “Che – o Argentino”:

 

32ª Mostra: Resumo do dia

Corrido e com alguns percalços. Assim foi o 6º dia de mostra.

Houve sessão gratuita de “Fim de Verão”, de Yasujiro Ozu (1961), no Cinesesc. Tudo maravlhoso, filme ótimo, sala com um bom número de espectadores para o horário se não fosse… uma falha no projetor da sala!!! Isso quando faltavam apenas 10 minutos para terminar o filme… humpf!

Mas vamos ao que separei de mais (ou menos) interessante no dia.

Além do filme de Ozu, falarei de “Love Life”, de Maria Schrader. O filme conta a história de uma jovem que tem tudo mas não está satisfeita com nada. E, na tentativa de levar uma vida menos perfeita, toma como amante o amigo de seu pai, homem muito mais velho e que a faz chorar com sua personalidade quase hostil. No fim a moral de “viva sua vida, independente do quê e de quem for… Chatinha essas histórias com moral, não?

Uma frase para “Love Life”: Não chores mais, Poliana! 

Avaliação Le Champo: Regular.

Mas, o destaque do dia é, sem dúvida,”Caixa de Pandora”, de Yesim Ustaoglu. O filme, ambientado na Turquia, retrata sem pieguices e até com certas pinceladas de humor a velhice sob o Alzheimer.

Nusret é mãe de 3 filhos, porém, vive sozinha num vilarejo perto da montanha que chama de sua. Um dia ela resolve passear por lá e se perde. Seus filhos se reúnem para procurá-la e, o que deveria ser um momento de ajuda mútua entre eles vira uma saga torturante, onde suas diferentes formas de viver são contestadas a todo instante.

Ao reencontrar a mãe, os filhos percebem que seu comportamento está alterado: memória presa ao passado, xixi no tapete da sala… Nusret está com Alzheimer em estágio avançado e nenhum de seus filhos têm condições psicológicas para lidar com o novo estado da mãe. Ou por serem certinhos ou errados demais, fato é que a velhinha só será bem resguardada pelo seu neto, Murat, um adolescente inconsequente e fujão! E, a medida que avança a doença da mãe, os filhos reconhecem suas fraquezas e covardias diante da vida.

Uma frase para “Caixa de Pandora”: Vovó é punk!

Avaliação Le Champo: Bom!

                                                           Avó e neto em “Caixa de Pandora”