Posts Tagged 'Suécia'

Suecos Silenciosos na Cinemateca Brasileira

Já virou tradição: em agosto é exibida a Jornada Brasileira do Cinema Silencioso, este ano em sua 4ª edição. O evento, promovido pela Cinemateca Brasileira e já considerado um dos mais importantes da cinefilia nacional inicia-se hoje e vai até o dia 15, tendo como principal característica a exibição de filmes silenciosos (ou, como tornou-se popularmente conhecidos, “mudos”). São, de modo geral, as produções realizadas até o fim da década de 1920, ou ainda, antes da utilização do som sincronizado (por volta de 1927).

Este ano, o que a Cinemateca traz de mais especial é uma mostra dedicada ao Cinema Silencioso Sueco, em parceria com o Instituto Sueco de Cinema. Nesta, nomes consagrados do cinema escandinavo, como os de Victor Sjöström e Gustav Molander figuram ao lado de outros diretores importantes no contexto nórdico, mas ainda pouco conhecidos no Brasil, como são o caso de Ernest Florman, pioneiro do cinema sueco e Mauritz Stiller. Serão exibidos, entre outros filmes, “Terge Vigen, (1917), de Sjöström, “As Garotas de Norrtull” (Norrtullsligan, 1923), de Per Lindberg e “A Herança de Ingmar” (Ingmarsarvet, 1925), de Gustav Molander. Todos esses filmes, e outros, têm sessões com acompanhamento musical programadas.

“A Herança de Ingmar”, de Molander…

“As Garotas de Norttull”, de Lindberg

Além dos suecos, serão exibidas outras raridades que valem a visita à Cinemateca, como por exemplo “Wara Wara”, ficção boliviana de 1930 e produções brasileiras, como “Companhia Paulista de Estrada de Ferro” (1930), “Companhia Mogyana (1920)”, cujo tema central é o trem.

Confira um trecho de Terge Vigen, do mestre do mestre, Victor Sjöström:

Quer saber mais? Acesse o site da Cinemateca e divirta-se!

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15 anos de Dogma!

O Dogma 95, cujo manifesto foi publicado há 15 anos pelos cineastas dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vintenberg, é tema da mostra Dogma 95 – 15 Anos Depois, exibida pela Cinemateca Brasileira, de 27 de julho a 3 de agosto.

Apesar de pequena, a seleção de filmes (quatro ao todo e exclusivamente escandinavos) permite ao público conhecer um pouco do contexto histórico e geográfico de onde surgiu o manifesto, além de traçar um panorama sobre o desenvolvimento e a evolução do estilo, que acabou por influenciar centenas de produções em diferentes lugares do mundo.

Integram a mostra os longas: Os Idiotas (Idioterne, 1998),  obra inaugural ou Dogma #2, de Lars von Trier; Mifune (Mifues sidste sang, 1999 – Dogma #3), de Søren Kragh-Jacobsen, Corações Livres (Elsker dig for evigt, 2001 – Dogma #28), de Susanne Bier e Nas Suas Mãos (Forbrydelser, 2004 – Dogma #34), da cineasta Annette K. Olesen.

Cena de Os Idiotas, de L.v.Trier

Além da exibição dos filmes, está programada para o dia 3 de agosto, às 21h00, palestra sobre o Dogma 95 com a Profª Bodil Marie Stavning Thomsen, da Universidade de Aarhus, Dinamarca, autora de centenas de publicações sobre arte e cultura, em diversos idiomas, inclusive português e também consultora do Festival de Cinema de Aarhus.

Quer saber quais são as 10 regras essenciais (ou “voto de castidade”) do Dogma e a programação da mostra? Está tudo no site da Cinemateca.

32ª Mostra – Repescagem: Ingmar Bergman!

A repescagem da 32ª Mostra Internacional de Cinema começa em grande estilo, já que as sessões que se seguem pela próxima semana (até dia 6/11) não prometem ser as mais animadoras.

De qualquer maneira, quem deixou para depois os filmes de Bergman não se arrependeu. Na sexta, dia 31/10 e primeiro dia da repescagem  foram exibidos na Cinemateca Brasileira “Crise” (1946), “Prisão” (1949), “Sede de Paixões” (1949), “Música na Noite” (1948) e “A Hora do Lobo” (1968).

Uma boa oportunidade para atestar a eterna genialidade deste mestre maior do cinema, embora alguns defendam o contrário para estes primeiros filmes da carreira do diretor sueco. 

Recheado de dramas psicológicos, estes primeiros e raros filmes de Bergman trazem consigo a marca principal do diretor, que é a observação do íntimo do ser humano, onde as pessoas agem de acordo com seus interesses e cujo desfecho dificilmente é o desejado. 

Mais filmes de Bergman foram exibidos ontem e hoje na Cinemateca, e quem viu, com certeza tardará a esquecer.

Avaliação Le Champo para “Crise”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Prisão”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Sede de Paixões”: Excelente!

                                    A jovem Nelly em “Crise”, de 1946…

 

                        … a confusa Birgitta-Carolina, de “Prisão”, (1949)…

                             … e as heroínas de “Sede de Paixões”, (1949)

32ª Mostra – Crítica: “Os Adultos”

Como é difícil crescer! Mais difícil ainda, aos olhos da cineasta Anna Novion é ser uma dessas “pessoas crescidas”, cheias de suas certezas e sempre tomando o caminho mais longo.

Jeanne e seu pai viajam à Suécia em busca dos lendários tesouros vikings. Seu pai, bibliotecário, em Paris está certo de sua aventura. No entanto, quando chegam à casa que alugaram, se deparam com as proprietárias ainda lá. Graças a confusão de datas, os quatro envolvidos no engano resolvem partilhar os quinze dias de férias. Eles não sabem, mas é a oportunidade que precisam para que possam repensar suas histórias de vida, partirem em busca de seus tesouros perdidos ou, no caso de Jeanne, de viver intensas experiências.

Com uma belíssima fotografia, é um filme leve, divertido e despretensioso. Vale a pena ver e deixar encantar-se com as belas imagens da Suécia!

Uma palavra para “Os Adultos”: Encantador.

 

Avaliação Le Champo: Bom! 

                                                                 Cena de “Os Adultos”

Mais de Bergman, um pouco de Fassbinder e bons destaques estrangeiros na 32ª Mostra Internacional de Cinema!

Cinéfilos de São Paulo, uni-vos! De 16 a 30 de outubro será realizado o mais aguardado evento cinematográfico da cidade: a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo!

Até aí, normal… se não fosse as boas novas divulgadas no site Ilustrada no Cinema: além dos bons e premiados filmes do mundo todo que assistimos antes da maioria das pessoas, a 32ª edição do Festival homenageará o mestre máximo do cinema (na minha modesta opinião) – Ingmar Bergman!

A Retrospectiva Bergman se aproveita dos 90 anos que faria o cineasta este ano para exibir filmes raros, indisponíveis no formato DVD e pouco vistos no país. São cópias novas, em 35mm, reproduzidas em 2007 pelo Instituto Sueco e que virão ao Brasil pela primeira vez. Até o momento, compõem a retrospectiva 10 filmes, mas a expectativa é que outros entrem, como uma série de comerciais que o cineasta fez para uma marca de sabonetes!

Entre os selecionados estão os primeiros longas de Bergman, “A Crise” e “Chove em Nosso Amor”, ambos de 1946; “Prisão” (1949); “Rumo à Alegria” (1950); “No Limiar da Vida” (1958); “A Hora do Lobo” e “Vergonha” (1968); “A Paixão de Ana” (1969); “Fanny e Alexander” (1982) e por fim, “Na presença de um Palhaço” (1997).

O tributo ao gênio não pára por aí. Além de filmes, a Mostra prepara uma exposição de fotos, “Meus Encontros com Bergman”, do fotógrafo sueco Ove Wallin e, em parceria com a editora Cosac Naify, relança a autobiografia “Lanterna Mágica”, de 1987, em que Bergman expõe sua vida particular. O custo do livro, adianta a Folha, será de R$ 59.

Além do cineasta sueco, outro importante autor será lembrado no evento: Fassbinder. Sua obra-prima “Berlin Alexanderplatz”, série que o diretor fez para a tv alemã em 1980 e que causou frisson na 9ª edição da Mostra será exibida em cópia restaurada (35mm) a partir do dia 25/10. Seus 14 episódios, ou seja, mais de 15 horas de projeção, serão divididas em 3 capítulos por noite. 

E por fim, alguns filmes estrangeiros, destacados em festivais internacionais, como Cannes e Veneza, confirmaram presença. Aqui, chamo atenção para “Queime Depois de Ler”, dos irmãos Coen, “Entre les Murs”, de Laurent Cantet e premiado em Cannes este ano, “O Silêncio de Lorna”, de Luc e Jean-Pierre Dardenne, os aguardados “Palermo Shooting” de Wim Wenders e “Plus Tard Tu Comprendras”, de Amos Gitai (homenageado em Locarno) e “Katyn”, do polonês Andrzej Wajda, indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, na última edição do Oscar.

Vale lembrar que a programação da Mostra ainda não foi fechada e que mais surpresas podem surgir. Da mesma maneira, ainda não foram definidos valores para ingressos e pacotes e início de vendas. Mas sugiro de antemão que comecem a abrir os porquinhos!

Pôster de “A Paixão de Anna” (1969), destaque da Retrospectiva Ingmar Bergman…

 … da obra-prima de Fassbinder, “Berlin Alexanderplatz” (1980)…

…e trailer do novo filme de Andrzej Wajda, “Katyn”

 

Mostra Bergman em SP!

Como ando em débito com meus leitores, resolvi me desculpar com uma notícia que com certeza agradará os cinéfilos paulistas de plantão: começa amanhã no HSBC Belas Artes a Mostra “Bergman – 90 anos”!

São 7 títulos do gênio da sétima arte, um por dia (o evento vai até dia 17), sempre as 19h00. E no dia 15, após a exibição de “Gritos e Sussuros” haverá um bate-papo com o crítico de cinema Luiz Carlos Merten, do jornal “O Estado de São Paulo”.

Os filmes de Ingmar Bergman presentes na Mostra são: “Morangos Silvestres” (1957), “O Sétimo Selo” (1956), “A Flauta Mágica” (1975), “O Ovo da Serpente” (1977), “Gritos e Sussuros” (1972), “Da Vida das Marionetes” (1980) e, na quinta-feira, “A Fonte da Donzela” (1959).

Os filmes serão exibidos uma única vez e por isso talvez seja vantajoso comprar o passaporte que dá direito aos 7 filmes. O Valor? Pasme: R$27! Mas se por acaso não quiser rever todos os filmes, os ingressos também serão vendidos individualmente, ao preço de ingresso comum (R$16,00 a inteira).

E aqui um pouquinho de cada filme:

Cena de “Morangos Silvestres”…

…cena de “O Sétimo Selo”…

… uma das cenas mais fofas de “A Flauta Mágica”: Papageno e Papagena!

… a bela Liv Ullman em “O Ovo da Serpente”…

… e também no classico “Gritos e Sussurros”…

… o retorno ao medievalismo nórdico em “A Fonte da Donzela”…

…e o criador de tudo isso, o cineasta sueco Ingmar Bergman!