Arquivo de maio \25\UTC 2009

“Das Weisse Band”, de Michael Haneke, leva a Palma de Ouro em Cannes!

O longa “Das Weisse Band” (“The White Ribbon” ou ainda “A Fita Branca”, em tradução livre), do diretor austríaco Michael Haneke abocanhou o prêmio máximo do 62º Festival de Cannes: a Palma de Ouro!  O filme, que busca retratar a gênese dos totalitarismos, conta a história de uma comunidade protestante de um vilarejo da Alemanha, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial.  O pastor da região impõe aos adolescentes o uso de uma fita branca como símbolo da pureza e da ingenuidade – adjetivos estes que deverão, ao menos em tese, perpetuar ao longo da vida adulta. Estes adjetivos, no entanto, não fazem parte do cotidiano dos moradores do povoado, que a partir de um acidente sofrido pelo médico da região, são surpreendidos com uma série de crimes violentos, cujo foco principal são os jovens. Não há indícios do autor dos crimes e a população local acredita se tratar de um castigo enviado aos adultos em virtude de seus muitos pecados.

A fotografia de “Das Weisse Band”, em P&B, refere-se à iconografia da época retratada no filme e a escolha dos atores, sobretudo das crianças, seguiu uma rigorosa seleção que consumiu seis meses e 7.000 testes. Tudo isso para “encontrar crianças que correspondessem fisicamente às imagens que conhecemos do período”, como justificou Haneke, após a exibição de seu filme, na última quinta-feira.

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A atriz francesa e Presidende do Júri, Isabelle Huppert declarou ter premiado “um filme extraordinário, e justificou: “Haneke tem um estilo ético. Nesse filme, num tom diferente, ele novamente vai longe na alma humana”. Quando sua obra foi comparada à do cineasta sueco Ingmar Bergman, Haneke hesitou, dizendo que preferia que este fosse visto “como um filme hanekiano, não como um filme bergmaniano”. 

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Quem também brilhou na cerimônia de ontem foi a atriz francesa Charlotte Gainsbourg. Premiada como “Melhor Atriz” desta edição do Festival, por sua atuação no polêmico “Antichrist“, de Lars von Trier, Gainsbourg agradeceu a Thierry Frémaux e ao Festival de Cannes “pela audácia em selecionar esse filme”. Como já comentado nesse Le Champo, “Antichrist” rendeu as vaias mais fervorosas desta edição, mas as cenas fortes, que incluem automutilação, tortura e sexo explícito convenceram o Júri. 

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O prêmio de “Melhor Ator” foi concedido ao austríaco Christoph Waltz, por sua atuação em “Inglourious Bastards“, de Quentin Tarantino. No filme, ele interpreta o carrasco nazista e multilinguista Hans Landa.

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O segundo prêmio mais importante do Festival, o Grande Prêmio do Júri foi concedido ao drama “Un Prophète“, de Jacques Audiard. Vale lembrar que até o fim da Competição Oficial, “Un Prophète” era apontado como favorito a Palma de Ouro.

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A surpresa do evento foi a premiação do cineasta filipino Brillante Mendoza como “Melhor Direção” do Festival, deixando críticos (e eu mesma!) de boca aberta. Mendoza foi escolhido o melhor entre nomes de peso, como Almodóvar, Marco Bellocchio e mesmo Alain Resnais. Além disso, seu filme, “Kinatay” foi recebido com certa resistência e algumas vaias. O cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que no ano passado exibiu em Cannes seu “Três Macacos” defendeu o colega filipino declarando que “particularmente, gostei muito (de Kinatay)”.

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Já que falei em Alain Resnais, o cineasta francês foi agraciado com o “Prêmio Especial do Festival de Cannes”. O diretor concorria à Palma com seu “Les Herbes Folles”. A homenagem rendeu um dos pontos altos da cerimônia: Resnais foi aplaudido longamente e de pé pelo público presente no Teatro Lumière, local do evento.

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Confira abaixo os outros premiados no 62º Festival de Cannes:

Prêmio de melhor roteiro: Feng Mei, do filme “Spring Fever” (China)

Prêmio do júri: Fish Tank“, de Andrea Arnold (Reino Unido), e “Thirst”, de Park Chan-Wook (Coreia do Sul)

Palma de Ouro de melhor curta-metragem: Arena“, de João Salaviza (Portugal)

Menção especial (curta-metragem): “The Six Dollar Ffty Man” (Nova Zelândia), de Mark Albiston e Louis Sutherland

Câmera de Ouro (diretor estreante): Warwick Thornton,  de “Samson and Delilah”

Menção especial (prêmio Câmera de Ouro): “Ajami” , de  Scandar Copti e Yaron Shani

Prêmio especial do júri pelo conjunto da carreira: Alan Resnais

Tarantino e Resnais apresentam seus filmes no 8º dia do Festival de Cannes

Ontem foi a vez de Quentin Tarantino e Alain Resnais apresentarem seus filmes, ambos concorrentes à Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Tarantino mostrou o seu (já bastante) comentado “Inglourious Basterds” (EUA), que conta a história de um grupo militar formado por soldados judeus norte-americanos que decidem empreender vingança contra oficiais do Terceiro Reich, ao mesmo tempo que uma sobrevivente do Holocausto tenta castigar os assassinos de sua família. O líder do grupo militar é o tenente Aldo Reiner, interpretado pelo ator Brad Pitt, maior destaque desta produção. Pitt, que aparece de cabelos escuros, adotou um sotaque rural e  caprichou no “ar impedoso” do ten.Reiner, que exige o escalpo dos inimigos nazistas. Dá uma olhada no trailer:

No mais, “Inglourious” é o típico filme de Tarantino. Muita violência, cenas sanguinárias (sobretudo as de escalpamento!), trilha sonora perfeita (outra marca de Tarantino),etc. O diferencial deste filme é justamente a temática –  é um filme de guerra e mais ainda, sobre a Segunda Guerra Mundial. A história se situa entre 1941 e 1944. 

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Depois da première dedicada aos jornalistas, Quentin Tarantino afirmou ser este filme o seu “Monte Everest”. De fato, trata-se de uma guinada na carreira européia do diretor, como bem salientou a Ilustrada de hoje. Fazem parte do longa atores de diversas nacionalidades, cada um falando sua língua e apenas um, o ator Christoph Waltz no papel do carrasco nazista Hans Landa, dominando todas elas.

Segundo Tarantino, “não é despropositado considerar (este filme) um sonho de vingança judaica”, porém, o elemento central de “Inglourious Basterds” é outro: “meus personagens mudam o curso da guerra”, declarou. Aqui, a  atriz Mélanie Laurent, Quentin Tarantino, Diane Kruger  e Brad Pitt, durante coletiva de Imprensa em Cannes. A imagem é do site do Festival de Cannes:

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Outro destaque do 8º dia do Festival de Cannes foi a première de “Les Herbes Folles“, do aclamado diretor Alain Resnais. Como já comentado neste Le Champo, no aniversário de 50 anos de seu clássico “Hiroshima, Meu Amor”, concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1959, Resnais apresentou ontem o que poderia ser considerado por alguns uma “comédia romântica”, apesar de sabermos que os filmes de Resnais não podem ser rotulados. Na história, um homem (André Dussollier) apaixona-se imediatamente por uma mulher (Sabine Azéma, musa do diretor) no momento em que devolve sua bolsa, que havia sido roubada e que fora encontrada por ele. O homem é casado, mas passa a telefonar e a escrever para a mulher como se ambos tivessem uma relação estabelecida. Por outro lado, os sentimentos da mulher oscilam entre a aproximação e o afastamento do ser desejado.

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Coisas do cinema francês e da sua capacidade de transportar para a tela histórias cotidianas e até mesmo recorrentes, e transformá-las em algo maior. Resnais já havia feito isso em “Hiroshima”, fez muitas outras vezes em muitos de seus filmes e o já lendário “Medos Privados em Lugares Públicos”, há mais de 2 anos em cartaz na cidade de São Paulo comprova a contemporaneidade de seus filmes. 

Aqui, este respeitável senhor de 86 anos, mente incrível, e o elenco de seu novo filme após exibição no Festival de Cannes:

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Drama sobre derrota de Mussolini arranca aplausos da plateia de Cannes

O diretor italiano Marco Bellochio concorre à Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme “Vincere” (Itália/França), que trata da história da amante de Mussolini, Ida Dalser e do filho de ambos, que ele renegou. O título “Vincere”, portanto, faz referência à vitória de Dalser sobre Mussolini que, apesar de todos os esforços do Duce para calar sua voz e apagar sua presença internando-a num manicômio, ela sobreviveu à História.

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A idéia de filmar a história de Ida Dalser , segundo Bellochio, vem do fato de que “ela apoiou Mussolini desde o início de sua carreira, inclusive financeiramente, e se tornou uma heroína trágica”. Em 1914, Ida teve um filho com Mussolini, mas a existência de uma amante e de um filho fora do casamento colocava em risco a imagem do político, que começava a se projetar. O diretor optou por utilizar no longa inúmeras imagens de arquivo, porém, mesclou-as à trama “de modo que formassem um corpo único com o filme, e não inseridas como um documentário, com caráter informativo ou pedagógico”, salientou Bellochio durante a coletiva de imprensa, realizada ontem.

O papel de Ida Dasler ficou a cargo da belíssima atriz Giovanna Mezzogiorno (que atuou também em “Palermo Shooting” de Wim Wenders e que foi exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), cuja interpretação mereceu destaque da crítica. Sua intenção, segundo informou aos jornalistas presentes em Cannes era a de destacar  “a complexidade dessa personagem, uma quase feminista que sacrificou sua vida por um homem”. As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje, o do UOL. Mussolini é interpretado pelo ator Filippo Timi.

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O filme arrancou aplausos da plateia durante a exibição de ontem, dedicada à imprensa no Festival de Cannes. No entanto, e como muitos diretores, Bellochio preferiu se acautelar quanto ao veredicto do júri: “Aconteça o que acontecer, tenho muito orgulho de ter feito esse filme”, disse aos jornalistas. Abaixo, os atores e diretor durante coletiva de imprensa:

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Cannes recebe bem “Los Abrazos Rotos”, de Almodóvar

Los Abrazos Rotos“, novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar foi recebido com aplausos pela plateia presente na exibição ocorrida ontem, dentro da Competição Oficial pela Palma de Ouro do Festival de Cannes. Apesar disso e segundo informações da AFP, o filme não causou o mesmo furor que “Volver” (2006) ou  ainda”Tudo sobre minha mãe” (1999), presentes nas edições anteriores do Festival.

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Comparações a parte, “Los Abrazos” é sem dúvida um dos grandes filmes presentes na Competição Oficial. Misturando passado e presente, melodrama e comédia delicada, além da estrutura diferenciada, com a existência de pequenos filmes dentro do filme e sem em nenhum momento descuidar da fluidez da narrativa, o longa-metragem conta a história do cineasta de Mateo Blanco (Lluís Homar) que durante as filmagens de “Chicas y Maletas” (o “filme” dentro do filme e uma nova versão de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, também de Almodóvar!) apaixona-se pela atriz Lena (Penélope Cruz). No entanto, Lena é casada com Ernesto Martel (José Luís Gomez), magnata e produtor do filme. As consequências desse triângulo amoroso são trágicas: além de perder o amor de Lena, Blanco também perde a visão num acidente de carro. Imerso em tantos desastres, o cineasta decide enterrar o nome de Mateo Blanco e adotar em definitivo a identidade de Harry Caine, pseudônimo que já usava para assinar roteiros. Com essa atitude Blanco/Caine não só enterra sua carreira cinematográfica como também sua história de vida e suas lembranças da tragédia. Mas um dia todo o passado virá a tona e Banco/Caine terá que confrontar o passado.

Após a exibição do longa, em encontro com os jornalistas, Almodóvar comparou a atitude de Blanco com a forma que a Espanha lida com o seu passado, marcado pela ditadura franquista. O diretor criticou a Lei da Memória Histórica de seu país alegando que, apesar de entender que “às vezes é preciso esquecer para poder avançar”, chega um momento em que “é necessário afrontar a memória” para que as feridas do passado possam enfim, fechar.

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Quando questionado sobre a presença da “refilmagem” de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1987) neste filme, Almodóvar afirmou que não se trata de uma auto-homenagem, mas que optou por este “porque não precisava pagar direitos autorais”.  O cineasta afirmou ainda que seus próximos filmes poderão destacar mais personagens masculinas que femininas, que é sua marca principal. Mas, ao contrário do que acontece com as mulheres de seus filmes, sempre fortes, os homens em que pensam são sempre horríveis!

Abaixo, Pedro Almodóvar posa para os fotógrafos com o elenco de “Los Abrazos Rotos”. As imagens (esta e a anterior) são do site do Festival:

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Lars von Trier visita o inferno em Cannes!

Exibido ontem no Festival de Cannes e cercado de expectativas, “Antichrist” (Dinamarca/Suécia/ França/ Itália), recente filme do diretor dinamarquês Lars von Trier, não foi muito bem recebido pela crítica presente do evento. Muito pelo contrário, o filme recebeu vaias nas duas exibições voltadas à imprensa, muito diferente do que aconteceu quando resolveu levar às telas de festivais do mundo todo sua obra-prima “Dogville” (2003), quando foi aplaudido de pé.

Na trama, um casal vive o drama de perder o filho pequeno em um acidente doméstico. O marido, que é psicanalista, resolve ajudar a mulher que está seriamente afetada com a perda da criança e propõe como parte do tratamento psicológico um retiro numa floresta com o sugestivo nome de Éden. A partir daí sucedem cenas e mais cenas de tortura, automutilação e sexo explícito. Sim, os atores Willem Dafoe e a belíssima Charlotte Gainsbourg protagonizam cenas de penetração explícita em meio a galhos retorcidos!!!

O trailler nos dá uma boa sugestão do que podemos ver nesse longa de terror psicológico:

Os argumentos contra “Antichrist” vão além das cenas produzidas para chocar. Entre as acusações está a de ser um filme “sexista”. Talvez por causa da personagem de Charlotte Gainsbourg,uma intelectual que busca constestar em tese a teoria de que a mulher é a antítese do mal, e de como a trama se desenrola a partir de então.

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Durante a coletiva de imprensa realizada ontem, os jornalistas não amenizaram o tom com Trier. Um deles, um norte-americano, chegou a cobrar satisfações do diretor, dizendo que ele deveria explicar e justificar por que fez o filme! As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje. Em resposta, o diretor confessou que não tinha muito a dizer e “devolveu a pedra”, concluindo que achava estranho ter que se justificar com a imprensa, uma vez que ali todos eles eram seus convidados.

Tensões a parte, Trier não deixou de fazer suas piadinhas e provocações já tradicionais, como quando soltou a pérola: “Sou o melhor diretor do mundo. Todos os outros são supervalorizados”. Para ele, o desconforto provocado pelo longa deve-se à temática – sexo e culpa.

Abaixo, o cineasta responsável por sempre produzir “acontecimentos” nos eventos que integra, posa para fotógrafos ao lado de Daffoe e Gainsbourg.

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Com um clima oposto ao de “Antichrist” o diretor inglês Ken Loach arrancou boas risadas da crítica com a comédia “Looking for Eric“, sobre um carteiro que, vivendo uma profunda crise pessoal, confessa suas angústias ao ídolo, o jogador Eric Cantona, cuja presença em seu cotidiano se dá por um pôster na parede de seu quarto. Acontece que um dia o carteiro, que também chama-se Eric (Bishop, aqui interpretado pelo ator Stevens Evets) encontra o verdadeiro Eric Cantona e este lhe dá conselhos a respeito de sua vida.

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O ex-jogador de futebol Eric Cantona que fez história no futebol europeu como ídolo da torcida do Manchester United, atuou no filme de Ken Loach. Aos jornalistas presentes em Cannes ele justificou a escolha pela nova profissão de ator, dizendo que como o futebol, o cinema também é um jogo. “A vida é um jogo”, concluiu. Aqui, Cantona e Loach durante a coletiva de imprensa:

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Ang Lee e Audiard brilham em Cannes – Destaques do Fim de Semana do Festival

Como era de se esperar, “Taking Woodstock” (EUA) do diretor taiwanês Ang Lee empolgou a plateia durante a projeção oficial do longa, realizada no último sábado a noite, no Festival de Cannes. O filme conta as peripécias de Elliot Tiber (Demetrio Martin) que, na tentativa de salvar da falência um hotel que pertencera a sua família, acaba atraindo para o local o festival de Woodstock (1969), evento que durou três dias e que tornou símbolo máximo da cultura hippie.

Durante a coletiva de imprensa realizada no sábado (16), Ang Lee (abaixo) definiu o festival de Woodstock como “os últimos momentos de inocência de uma geração”. Para o diretor, seu filme é “uma comédia sem cinismo” e embora bem recebido pela crítica de Cannes não deve receber a Palma de Ouro do Festival. 

ang_lee_cannes_2009                                                                        

Outro filme que causou frisson e é apontado como forte candidato à Palma de Ouro no Festival de Cannes é o francês “Un Prophète“, de Jacques Audiard. No filme, Malik (interpretado pelo estreante Tahar Rahim) é um jovem de 19 anos que, por motivo não revelado na trama, cumpre pena de 6 anos em uma penitenciária francesa. É no cárcere que Malik se aproxima do mundo do crime, conhecendo histórias de assassinatos e lidando com máfias instaladas na cadeia.

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No domingo, os destaques do Festival foram os longas do chinês Johnnie To e do filipino Brillante Mendoza. 

Vengeance” (Hong Kong/França/EUA), de Johnnie To, conta a história de um mafioso (interpretado pelo roqueiro e ator Johnny Hallyday) que tem sua morte decretada a partir do momento em que se torna suspeito de ajudar o FBI.

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Mas quem se destacou mesmo no último domingo (17) em Cannes foi o filipino Brillante Mendoza que com seu “Kinatay” (Filipinas), arrancou as primeiras vaias do Festival. O cineasta que já havia dividido plateias no ano passado com seu duvidoso “Serbis”, exibido no Brasil durante a última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, agora atacou com a história de um estudante de criminologia que aceita realizar um trabalho especial para um grupo criminoso de Manila.

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O título “Kinatay”, que em filipino quer dizer “esquartejar”, dá uma pista daquilo que o público encontrará no longa: muita violência, muito sangue, tortura e cenas chocantes. Para amenizar o desconforto da exibição, Mendoza explicou na coletiva de imprensa de ontem que optou por mostrar de forma “crua” os massacres que acontecem diariamente em seu país.

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Park Chan-wook leva vampiro a Cannes

“Thirst” ou no original “Bak Jwi” (Coreia do Sul/EUA), filme do diretor Park Chan-wook promete instigar a platéia e dividir opiniões da crítica quando for exibido hoje no 62º Festival de Cannes.

Selecionado para a Competição Oficial do festival, “Thirst” conta a história de um padre que, ao se oferecer como cobaia no desenvolvimento de uma vacina na África a fim de curar uma doença fatal sanguínea, torna-se vampiro. Além disso, o padre apaixona-se por uma jovem e com ela protagoniza tórridas cenas de sexo, chamando a atenção, segundo o site Terra para as inusitadas posições do casal. E para dar liga a tudo isso, muita violência, sangue e imagens chocantes. 

Com tantos elementos polêmicos, a comparação com “Anjos e Demônios”, de Ron Howard e que estréia hoje nos cinemas do mundo todo, é inevitável. Na coletiva de imprensa realizada hoje pela manhã, Chan-wook disse que adoraria que seu filme chamasse a atenção do Vaticano da mesma forma que o filme estrelado por Tom Hanks e que em nenhum momento quis relacionar o catolicismo com vampirismo. E justifica: “Estava curioso acerca dos dilemas que (a vocação de padre) poderia criar”. As informações são do site do próprio festival.

Abaixo, o diretor Park Chan-wook na coletiva em Cannes, hoje pela manhã e também o trailer de “Thirst”:

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Outro destaque de hoje do Festival de Cannes é a exibição do longa “Bright Star” (Austrália/Reino Unido/França), de Jane Campion, que mostra a história de amor entre o poeta inglês Keats (1795-1821) e a geniosa Fanny Brawne.

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Na coletiva de imprensa, realizada também hoje pela manhã, a diretora Jane Campion declarou que o filme não é uma biografia, mas sim um filme inspirado pela história de Keats, contada do ponto de vista de Fanny. E completa, dizendo que “Esta é uma história de amor baseada num trabalho de documentação”.

Aqui, os atores Ben Whishaw, que interpreta Keats, a diretora Jane Campion e Abbie Cornish, a Fanny Brawne de “Brigth Stars”, durante coletiva de imprensa em Cannes:

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O filme foi recebido de maneira morna pelos jornalistas que assistiram à primeira exibição, dedicada à crítica, hoje pela manhã.