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Park Chan-wook leva vampiro a Cannes

“Thirst” ou no original “Bak Jwi” (Coreia do Sul/EUA), filme do diretor Park Chan-wook promete instigar a platéia e dividir opiniões da crítica quando for exibido hoje no 62º Festival de Cannes.

Selecionado para a Competição Oficial do festival, “Thirst” conta a história de um padre que, ao se oferecer como cobaia no desenvolvimento de uma vacina na África a fim de curar uma doença fatal sanguínea, torna-se vampiro. Além disso, o padre apaixona-se por uma jovem e com ela protagoniza tórridas cenas de sexo, chamando a atenção, segundo o site Terra para as inusitadas posições do casal. E para dar liga a tudo isso, muita violência, sangue e imagens chocantes. 

Com tantos elementos polêmicos, a comparação com “Anjos e Demônios”, de Ron Howard e que estréia hoje nos cinemas do mundo todo, é inevitável. Na coletiva de imprensa realizada hoje pela manhã, Chan-wook disse que adoraria que seu filme chamasse a atenção do Vaticano da mesma forma que o filme estrelado por Tom Hanks e que em nenhum momento quis relacionar o catolicismo com vampirismo. E justifica: “Estava curioso acerca dos dilemas que (a vocação de padre) poderia criar”. As informações são do site do próprio festival.

Abaixo, o diretor Park Chan-wook na coletiva em Cannes, hoje pela manhã e também o trailer de “Thirst”:

park_chan_wook

Outro destaque de hoje do Festival de Cannes é a exibição do longa “Bright Star” (Austrália/Reino Unido/França), de Jane Campion, que mostra a história de amor entre o poeta inglês Keats (1795-1821) e a geniosa Fanny Brawne.

bright_star

Na coletiva de imprensa, realizada também hoje pela manhã, a diretora Jane Campion declarou que o filme não é uma biografia, mas sim um filme inspirado pela história de Keats, contada do ponto de vista de Fanny. E completa, dizendo que “Esta é uma história de amor baseada num trabalho de documentação”.

Aqui, os atores Ben Whishaw, que interpreta Keats, a diretora Jane Campion e Abbie Cornish, a Fanny Brawne de “Brigth Stars”, durante coletiva de imprensa em Cannes:

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O filme foi recebido de maneira morna pelos jornalistas que assistiram à primeira exibição, dedicada à crítica, hoje pela manhã.  

É INDIE!!!

Começa hoje a 2ª edição paulista do INDIE 2008 – Mostra Mundial de Cinema, evento que completou este ano sua 7ª edição em Belo Horizonte/MG, sempre trazendo o que há de novo na cena cinematográfica independente.

Até o dia 12/11, o INDIE exibe 40 filmes em 35 sessões, todas no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075), onde o maior destaque são as produções japonesas, que integram dois ciclos: um dedicado ao cinema erótico (ou “pinku eiga”, “cor-de-rosa”) de Koji Wakamatsu e outro intitulado Nippon Connection Film Festival, dedicada a divulgação do novo cinema japonês.

Há ainda o ciclo Música do Underground, que traz “Sonic Youth: Dormindo Noites Acordadas”, do Projeto Moonshine (EUA, 2007) e a seleção Premiers Films, com 4 filmes dirigidos por estreantes franceses.

Os ingressos custam de R$ 3 a R$ 6 e a programação completa você vê aqui

Olha só que bacana a vinheta do festival, que começou oficialmente ontem:



32ª Mostra – Crítica: “Better Things”

O lado mais obscuro da juventude é explorado neste longa independente de Duane Hopkins.

O ponto de partida da trama é a morte de Tess por overdose de heroína. Ela, bem como a maioria dos jovens de seu meio estão envolvidos com o consumo de drogas pesadas e outras dependências. Ao mesmo tempo, Gail,outra garota com problemas, teme o mundo lá fora e nunca ousa ultrapassar as paredes de dua casa.

Sem o moralismo que geralmente permeia a abordagem deste tema, o filme enfoca as dores e dificuldades em lidar com perdas, morte, ressentimento e culpa, sensações difíceis em qualquer idade mas que assume um peso ainda maior quando se é jovem e as expectativas costumam ser breves.

Uma frase para “Better Things”: Não tente repetir isso em casa!

Avaliação Le Champo: Bom!

                                           Cartaz de “Better Things”, produção independente from UK

Crítica “Viva Zapatero!”

“Eu realmente gosto de Silvio!”. É justamente esta frase, recheada de ironia que começa o filme da comediante italiana Sabina Guzzanti.

Como sabemos, a idéia do documentário acerca do domínio do premiê italiano Silvio Berlusconi sobre os meios de comunicação do país advém da censura que Guzzanti sofreu quando teve o seu programa Raiot! suspenso da emissora pública Rai, em 2003.

Indignada com a intervenção do governo italiano e a perseguição de jornalistas, humoristas e produtores em seu país, Guzzanti sai a procura de respostas para o fim de seu programa, que teve ótima repercurssão em sua única exibição.

A artista busca a opinião de comediantes da Itália, da Inglaterra e da França – este último, onde é veiculado o  humorístico “Les Guignols de L’Info” – que promove a sátira de políticos através de bem feitas marionetes de Jacques Chirac, Tony Blair, George W. Bush e, lógico, Silvio Berlusconi. (Aliás, se tiver algum tempo e quiser dar boas risadas, digite “We Fuck the World” no search do YouTube e veja a versão da clássica “We are the World” feita pelos Guignols – é de chorar de rir!).

Guzzanti também busca justificativas para a censura do seu programa em frente ao Parlamento Italiano.

Ei, achou parecido com algum outro documentário não tão recente??? Sim, você não está enganado – a estratégia de Sabina Guzzanti é a mesma usada por Michael Moore e a cena, bem, ela lembra muito aquela de “Fahreinheit 11/09”, onde uma pessoa alvoroçada (o documentarista) interpela parlamentares com perguntas capciosas.

Independentemente da legitimidade do documentário, trata-se de um filme que merece ser visto, não pela sua qualidade, mas pelas questões que trata e que só de uma maneira muito enviesada chega até nós – o realmente ilimitável poder de Silvio Berlusconi.

Além disso, o frescor do tema aguça ainda mais a curiosidade do espectador.

Após ser recentemente eleito pela terceira vez na Itália, Silvio Berlusconi (cuja lista de processos na justiça é grande e consta de todo tipo de crime, inclusive o de corrupção) protagoniza a cena que pode justificar muito do que se vê no documentário.

Num encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, Berlusconi sinaliza com as mãos uma arma imaginária apontada em direção a uma jornalista russa que teria feito perguntas de foro íntimo ao presidente russo. E emendou em tom de piada, dizendo ao amigo que se quisesse, poderia trocar os repórteres russos por italianos.

“Viva Zapatero!” estreou mundialmente no Festival de Veneza de 2005 e somente agora chega às nossas telas. É a ocasião perfeita para assisti-lo!

Confira o trailer: