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E os indicados do Oscar são…

Pois é, minha gente, saiu na manhã desta quinta-feira (22) a lista dos indicados ao Oscar 2009, que acontecerá em 22 de fevereiro.

Como este tipo de lista sempre causa alguma reação – nem sempre inesperada! – o Le Champo vai botar mais lenha nessa fogueira e ajudar a aumentar o burburinho perguntando, a cada post, quem você acha que leva a estatueta dourada em cada uma das categorias.

Apostos? 

Melhor filme em língua estrangeira: 

 – “Revanche”, de Gotz Spielmann (Áustria) 

– “The class” (“Entre les Murs“), de Laurent Cantet (França) 

– “The Baader Meinhof Complex”, de Uli Edel (Alemanha)

Waltz with Bashir“, de Ari Folman (Israel) 


– “Departures”, de Yojiro Takita (Japão)

 

And the Oscar goes to…

 

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32ª Mostra – Crítica: “Vida e Morte de Hannah Senesh”

Aqui está outro documentário sem sal, exibido na Mostra. Se não bastasse Chevolution, já comentado neste Le Champo, este é outro filme com a cara de programa da History Channel. Ou seria com cara de “Linha Direta”???

Hannah Senesh é um símbolo de resistência anti-semita, tanto em Israel como na Hungria, seu país natal. Além de compor versos, ela dedicou parte da sua adolescência e início da vida adulta num projeto que considerava o maior da sua vida – o trabalho no kibutz, na Palestina. Mas, o que fez desta moça alguém digna de tornar-se tema de documentário foi seu envolvimento no resgate de judeus húngaros, quando da invasão daquele país por tropas alemãs. Saltando de pára-quedas no meio de uma floresta, Hannah Senesh  e o grupo de “rebeldes” acabaram sendo acuados e daí todo o resto que já sabemos (prisões, torturas, execução).

Se a história é boa, como de fato é, porque o documentário não funciona? Simples: não basta um bom argumento, é preciso pensar na forma como se vai apresentar a história. O filme é uma mistura irritante de depoimentos de historiadores e conhecidos da poetisa (todos de cara “colada” na câmera) com reconstituições/ simulações da história. Tudo isso coroado com excesso de sentimentalismo, o que coloca em dúvida a interpretação dos fatos.

Dica Le Champo: Saia do cinema a vai ler um livro!

Avaliação Le Champo: Ruim.

 Agora me diz: esta reconstituição parece ou não “Linha Direta”?

 

32ª Mostra – Crítica: “Waltz with Bashir”

O que passa pela cabeça dos organizadores da Mostra Internacional de Cinema de programar para o mesmo – e diga-se de passagem, absurdo! – horário as duas únicas sessões do filme que despertou o interesse de pessoas mundo afora? 

Atraídos pela curiosidade que filmes neste formato traz, embora já não seja novidade o chamado AnimaDoc – e o sucesso de “Persépolis” (2006) está aí para comprovar isso, uma fila de desesperados cinéfilos se formava na bilheteria do Espaço Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, antes das 11 horas da manhã. O filme seria exibido às 23h30.

23h00 e as filas para entrar nas duas salas onde “Waltz with Bashir” seria exibido já estava formada. Algumas “personalidades” do cinema estavam presentes, entre elas a cineasta Daniela Thomas (de “Linha de Passe”) e Hector Babenco, que zanzava de um lado para o outro.

Começa o filme. A ameaça de briga entre dois mau-educados na sala 1 não compromete a exibição. O que se têm à frente é uma animação de boa qualidade, como se fosse imagens reais, somadas a um roteiro impressionante. Como dito antes, trata-se de uma autobiografia onde Ari Folman conta sua experiência no exército israelense na ocasião da Guerra do Líbano (1980), onde além de combatente, fora testemunha ocular do massacre de palestinos empreendido pelo exército libanês. O Le Champo já havia comentado sobre o “Waltz…” em Cannes, lembra?

Se não lembra, não tem problema, eu separei aqui o trailer, somente para esquentar as discussões sobre sua possível indicação ao Oscar por filme estrangeiro. 

Ah, sim, a Avaliação Le Champo: Excelente!

32ª Mostra: Resumo do dia

Corrido e com alguns percalços. Assim foi o 6º dia de mostra.

Houve sessão gratuita de “Fim de Verão”, de Yasujiro Ozu (1961), no Cinesesc. Tudo maravlhoso, filme ótimo, sala com um bom número de espectadores para o horário se não fosse… uma falha no projetor da sala!!! Isso quando faltavam apenas 10 minutos para terminar o filme… humpf!

Mas vamos ao que separei de mais (ou menos) interessante no dia.

Além do filme de Ozu, falarei de “Love Life”, de Maria Schrader. O filme conta a história de uma jovem que tem tudo mas não está satisfeita com nada. E, na tentativa de levar uma vida menos perfeita, toma como amante o amigo de seu pai, homem muito mais velho e que a faz chorar com sua personalidade quase hostil. No fim a moral de “viva sua vida, independente do quê e de quem for… Chatinha essas histórias com moral, não?

Uma frase para “Love Life”: Não chores mais, Poliana! 

Avaliação Le Champo: Regular.

Mas, o destaque do dia é, sem dúvida,”Caixa de Pandora”, de Yesim Ustaoglu. O filme, ambientado na Turquia, retrata sem pieguices e até com certas pinceladas de humor a velhice sob o Alzheimer.

Nusret é mãe de 3 filhos, porém, vive sozinha num vilarejo perto da montanha que chama de sua. Um dia ela resolve passear por lá e se perde. Seus filhos se reúnem para procurá-la e, o que deveria ser um momento de ajuda mútua entre eles vira uma saga torturante, onde suas diferentes formas de viver são contestadas a todo instante.

Ao reencontrar a mãe, os filhos percebem que seu comportamento está alterado: memória presa ao passado, xixi no tapete da sala… Nusret está com Alzheimer em estágio avançado e nenhum de seus filhos têm condições psicológicas para lidar com o novo estado da mãe. Ou por serem certinhos ou errados demais, fato é que a velhinha só será bem resguardada pelo seu neto, Murat, um adolescente inconsequente e fujão! E, a medida que avança a doença da mãe, os filhos reconhecem suas fraquezas e covardias diante da vida.

Uma frase para “Caixa de Pandora”: Vovó é punk!

Avaliação Le Champo: Bom!

                                                           Avó e neto em “Caixa de Pandora”

Animadoc sobre LÍbano é destaque de hoje em Cannes

O longa “Waltz for Bashir” (Valsa com Bashir), de Ari Folman, foi um dos destaques de hoje do festival.

Único documentário e ao mesmo tempo única animação concorrendo à Palma de Ouro, o filme é baseado na experiência do próprio diretor, ex-combatente do Exército israelense que viu de muito perto o massacre de palestinos pelos libaneses sob o olhar passivo de Israel.

O momento é oportuno já que é comemorado os 60 anos do Estado de Israel.

Também na disputa pela Palma de Ouro, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, foi exibido hoje e teve boa receptividade da imprensa.

Não menos sombrio que o anterior, o filme é um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos. A surpresa fica pela pequena participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, responsável pela briga que culminou no assassinato presente na trama.

Ambos, apesar de densos e de levarem seus temas sombrios à tela, têm boas chances de convencer o presidente do júri, Sean Penn e levarem o prêmio máximo do evento.

Por curiosidade: também integram o júri a “realizadora” iraniana Marjane Satrapi, que no ano anterior concorreu com “Persépolis” (outra animação autobiográfica que fala de guerra) e a atriz Natalie Portman, que é israelense.

Cartaz do anima-documentário “Waltz fos Bashir”, de Ari Folman, presente em Cannes