Posts Tagged 'Segunda Guerra Mundial'

32ª Mostra – Crítica: “Mais Tarde Você Entenderá”

Há aqueles que detestam o cinema de Amos Gitai e com certeza eu não faço parte desse grupo. Ainda mais depois de ver seu último longa, “Mais Tarde Você Entenderá”, cuja temática foge do tradicional conflito Israel x Palestina para mostrar o conflito entre catolicismo x judaísmo.

Com a belíssima atuação de Jeanne Moreau (de “Jules et Jim”) no papel de Rivka, filha de judeus russos perseguidos durante a Segunda Guerra, o filme relata a busca de Victor, filho de Rivka, na construção do passado de sua família, incentivado pelo julgamento de Klaus Barbie, iniciado em 1987 e que acompanha pela televisão. Nessa busca, Victor e sua família decidem viajar até  vilarejo que serviu de esconderijo a seus avós.

Somos agentes da História e essa lição é dada por Gitai com a mesma sensibilidade que permeia seus outros trabalhos (“Free Zone”, “Kadosh”).

Avaliação Le Champo: Excelente!

                   Victor e Rivka conversam em cena de “Mais Tarde Você Compreenderá”, de Amos Gitai

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32ª Mostra – Crítica: “Vida e Morte de Hannah Senesh”

Aqui está outro documentário sem sal, exibido na Mostra. Se não bastasse Chevolution, já comentado neste Le Champo, este é outro filme com a cara de programa da History Channel. Ou seria com cara de “Linha Direta”???

Hannah Senesh é um símbolo de resistência anti-semita, tanto em Israel como na Hungria, seu país natal. Além de compor versos, ela dedicou parte da sua adolescência e início da vida adulta num projeto que considerava o maior da sua vida – o trabalho no kibutz, na Palestina. Mas, o que fez desta moça alguém digna de tornar-se tema de documentário foi seu envolvimento no resgate de judeus húngaros, quando da invasão daquele país por tropas alemãs. Saltando de pára-quedas no meio de uma floresta, Hannah Senesh  e o grupo de “rebeldes” acabaram sendo acuados e daí todo o resto que já sabemos (prisões, torturas, execução).

Se a história é boa, como de fato é, porque o documentário não funciona? Simples: não basta um bom argumento, é preciso pensar na forma como se vai apresentar a história. O filme é uma mistura irritante de depoimentos de historiadores e conhecidos da poetisa (todos de cara “colada” na câmera) com reconstituições/ simulações da história. Tudo isso coroado com excesso de sentimentalismo, o que coloca em dúvida a interpretação dos fatos.

Dica Le Champo: Saia do cinema a vai ler um livro!

Avaliação Le Champo: Ruim.

 Agora me diz: esta reconstituição parece ou não “Linha Direta”?

 

32ª Mostra – Crítica: Representantes Polacos – Varsóvia Sombria e Katyn

Um sábado dedicado a nova e velha Polônia.

Foram exibidas ontem as sessões de “Varsóvia Sombria”, de Christopher Doyle e de “Katyn”, de Andrzej Wajda (lê-se Vaida). 

“Varsóvia Sombria” mostra uma Polônia contemporânea, um país do leste europeu que não prosperou como outros do continente. Varsóvia, sua capital, é cinzenta durante o dia e a noite, bares e clubs servem de ponto de encontro a endinheirados e jovens prostitutas de todas as origens. Num desses clubs está Ojka, personagem central da trama de Doyle. Ela é testumunha do assassinato de um importante político e, mais do que isso, ela é a isca do seu assassinato. Envolvida numa trama cheia de idas e vindas, Ojka, ou Mathilda (seu verdadeiro nome) encontra-se presa entre seu passado e futuro, enquanto membros de uma estranha organização deixam revelar-se pouco a pouco.

Se o roteiro confunde e cansa, a bem trabalhada fotografia chama atenção, remetendo aos trabalhos anteriores de Doyle, como “2046” ou “Anjos Caídos”, de Wong Kar-Wai (Doyle é o diretor de fotografia de ambos). E mesmo não sendo polonês, o diretor australiano consegue, como último respiro, dar mostras do humor tipicamente polaco.

Dica Le Champo: não saia no meio dos créditos!

De Varsóvia para Cracóvia. Da atualidade para a década de 1940. Aqui a Polônia é palco central da Segunda Guerra Mundial, tendo seu território dividido entre os alemães e os soviéticos e milhares de poloneses mortos por ambos. No meio do confronto a floresta de Katyn é testemunha do massacre de oficiais poloneses à mando de Josef Stalin, fato que marcaria para sempre a vida das 4 famílias retratadas na obra de Andrzej Wajda.

Obra-prima, diga-se de passagem. O sentimento nacionalista que existe por trás da intenção de mostrar o episódio histórico de Katyn não torna o filme vulgar ou menos belo. Muito pelo contrário. Cenas de puro lirismo mesclam-se com imagens da época, levando o filme para muito além de uma simples narrativa. Destaque para as atuações de Maja Ostaszewska, que interpreta Anna, esposa de um dos oficiais e de Andrzej Chyra, na pele do Tenente Jerzy. Veja o trailer aqui.

Gênios nascem grandes. Wajda é um deles.

Dica Le Champo: leve lenços…

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Avaliação Le Champo – “Varsóvia Sombria”: regular.

Avaliação La Champo – “Katyn”: Excelente!

 

                                                             Cena de “Varsóvia Sombria”…

 … e o pôster de Katyn.