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“Tetro” de Coppola abre hoje a Quinzena dos Realizadores

A clássica Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes tem início hoje com a exibição do aguardado “Tetro”, de Francis Ford Coppola.O filme foi rodado na Argentina e conta a história de um homem que viaja à Buenos Aires a procura do irmão mais velho e desaparecido há anos. No elenco estão o americano Vincent Gallo, além das espanholas Carmen Maura e Maribel Verdú.

Aqui, Coppola, vencedor da Palma de Ouro em 1979 por “Apocalipse Now”, com os atores de Tetro:

tetro_coppola_atores

 

A Quinzena é uma mostra paralela à Cannes e hoje se impõe como importante espaço destinado às produções e realizadores independentes do mundo inteiro. Entre os selecionados, destaque para a comédia “I LOve You Phillip Morris (EUA) de Glenn Ficarra e John Requa, estrelado por Jim Carey e com a participação de Rodrigo Santoro no elenco.

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Dentre os curta-metragens selecionados, um é brasileiro: Super Barroco, de Renata Pinheiro, trabalho este premiado na última edição do Festival de Brasília:

curtaSuperBarroco

Confira a lista completa dos longa-metragens presentes na 41ª Quinzena dos Realizadores de Cannes:

“Amreeka” de Cherien Dabis (EUA)
“Les Beaux gosses” de Riad Sattouf (França)
“Carcasses” de Denis Coté (Canadá)
“Daniel y Ana” de Michel Franco (México)
“Eastern Plays” de Kamen Kalev (Bulgaária)
“La Famille Wolberg” de Axelle Ropert (França)
“Go Get Some Rosemary” de Benny et Josh Safdie (EUA)
“De Helaasheid der dingen” de Felix Van Groeningen (Bélgica)
“Here” de Tzu-Nyen Ho (Cingapura)
“Humpday” de Lynn Shelton (EUA)
“I Love You Philip Morris” de Glenn Ficarra e John Requa (EUA) 
“J’ai tué ma mère” de Xavier Dolan (Canadá)
“Jal Aljido Motamyunseo” (Like You Know It All) de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
“Karaoke” de Chan Fui (Chris) Chong (Malásia)
“Navidad” de Sebastian Lelio (Chile)
“Ne change rien” de Pedro Costa (Portugal)
“Oxhide II” de Liu Jia Yin (China)
“La Pivellina” de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
“Polytechnique” de Denis Villeneuve (Canadá) 
“Le Roi de l’évasion” de Alain Guiraudie (França)
“La Terre de la folie” de Luc Moullet (França)
“Yuki & Nina” de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot (França/Japão)

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32ª Mostra – Crítica: “Liverpool” e “O’Horten”

O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.

Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.

Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.

Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!

Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!

Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!

Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…

… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer

32ª Mostra – Crítica: Café dos Maestros (Argentina)

“O tango é música, canto e dança”.

Este é o espírito do documentário de Miguel Kohan, que busca retratar a trajetória do tango através da orquestra intitulada “Café de los Maestros”.

Composta por renomados artistas do género, Café de los Maestros reuniu, desde 1940 – o auge do tango – músicos e cantores de múltiplos talentos, imbuídos de paixão e sentimentalismo. Destaque para a cantora Virgínia Luque, capaz de cantar em outros idiomas, como em japonês, para homenagear turistas que prestigiavam o grupo quando este se apresentava em cabarés.

Além de relatos dos artistas e uma memorável apesentação da Orquestra, em 2004, no Teatro Cólon, o documentário traz belas imagens da cidade de Buenos Aires, capaz de despertar uma saudade arrebatadora naqueles que conhecem de perto a Av. Corrientes, o Caminito de La Boca ou as ruas de Palermo Viejo.

Sim, “Café dos Maestros” é uma viagem ao saudosismo e a nostalgia típica dos argentinos. Sentimentos que não agridem a alma se tomados em moderadas doses.

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Uma palavra para “Café dos Maestros”: Nostalgia.

Avaliação Le Champô: bom

    Cena de “Café dos Maestros”

Animadoc sobre LÍbano é destaque de hoje em Cannes

O longa “Waltz for Bashir” (Valsa com Bashir), de Ari Folman, foi um dos destaques de hoje do festival.

Único documentário e ao mesmo tempo única animação concorrendo à Palma de Ouro, o filme é baseado na experiência do próprio diretor, ex-combatente do Exército israelense que viu de muito perto o massacre de palestinos pelos libaneses sob o olhar passivo de Israel.

O momento é oportuno já que é comemorado os 60 anos do Estado de Israel.

Também na disputa pela Palma de Ouro, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, foi exibido hoje e teve boa receptividade da imprensa.

Não menos sombrio que o anterior, o filme é um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos. A surpresa fica pela pequena participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, responsável pela briga que culminou no assassinato presente na trama.

Ambos, apesar de densos e de levarem seus temas sombrios à tela, têm boas chances de convencer o presidente do júri, Sean Penn e levarem o prêmio máximo do evento.

Por curiosidade: também integram o júri a “realizadora” iraniana Marjane Satrapi, que no ano anterior concorreu com “Persépolis” (outra animação autobiográfica que fala de guerra) e a atriz Natalie Portman, que é israelense.

Cartaz do anima-documentário “Waltz fos Bashir”, de Ari Folman, presente em Cannes

En Buenos Aires también!!

É, gente, o Brasil está bombando lá fora.

Além do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que eu já comentei aqui, começou ontem outro evento dedicado ao nosso cinema.

Trata-se do I Cine Fest Brasil-Buenos Aires, sediado na capital argentina e uma das etapas do Circuito Inffinito de Festivais, que leva o cinema nacional a nove cidades espalhadas pelo mundo.

O Cine Village Recoleta exibirá até a próxima quarta-feira (14) 12 longas-metragens brasileiros, entre eles o documentário “Vidas”, de Pedro Flores, inédito no Brasil e no exterior.

Dentro da Mostra Competitiva, concorre ao troféu Lente de Cristal – concedido ao melhor filme na escolha do júri popular – os filmes “Andarilho”, de Cao Guimarães, “Sem Controle”, de Cris D’Amato e “Mutum”, de Sandra Kogut, entre outros.

Os filmes “A via láctea”, de Lina Chamie e “Nossa vida não cabe num Opala”, de Reinaldo Pinheiro (recém-premiado na 12ª edição do Cine PE) integram a programação do evento.

                 Fachada do charmoso Cine Village Recoleta, que sediará o evento