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32ª Mostra – Crítica: “Liverpool” e “O’Horten”

O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.

Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.

Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.

Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!

Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!

Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!

Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…

… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer

Lucrecia Martel na Flip

Confirmada a presença da cineasta argentina Lucrecia Martel na Flip – Festa Literária Internacional de Parati, que este ano acontecerá entre os dias 2 e 6 de julho.

Apesar do evento ser focado na literatura e embora a cineasta não figure por este universo artístico, a proposta da Flip para a sua 6ª edição é justamente a ampliação da idéia de literatura.

Segundo a Folha On Line, para Flávio Moura, diretor de programação do evento, os roteiros escritos e filmados por Martel são muito bem trabalhados do ponto de vista narrativo e que estes podem suscitar o interesse para aqueles que lidam com ficção.

Lucrecia Martel nasceu na província de Salta, Argentina. Entre seus excelentes filmes destacam-se “O Pântano” (La Ciénaga, 2001), cujo roteiro fora premiado no Festival de Sundance e “A Menina Santa” (La Niña Santa, 2004) que conta a história de duas adolescentes, Amalia e Josefina, que frequentam um grupo de estudos católicos embora seus pensamentos voltarem sempre para o sexo.

“A Menina Santa” competiu no Festival de Cannes em 2004 e contou com a produção executiva dos irmãos Almodóvar. Para mim, o melhor de Martel.

A cineasta argentina Lucrecia Martel
A cineasta argentina Lucrecia Martel

E você, conhece o Bafici???

Bafici ou Festival Internacional de Cine Independiente de Buenos Aires é, como o próprio nome sugere, uma vitrine para o cinema independente (mas não somente), agregando títulos de diversos países e que este ano chega a sua 10ª edição.

Ou seja, é uma mostra de cinema bastante parecida com a nossa tradicional Mostra Internacional de Cinema, dadas algumas cruciais diferenças.

Uma dessas diferenças, (por sinal gritante!), é o preço dos ingressos. Se no Brasil paga-se até R$ 20 por uma inteira, lá os ingressos são vendidos ao valor de 6 pesos – pouco mais de R$ 3. A inteira!

Por isso é possível ver nas ruas da Recoleta, em frente ao Malba, ao longo da Av. Corrientes e onde mais estiverem sendo exibidos filmes da mostra, filas intermináveis compostas por todo tipo de público.

Outra diferença é a organização do evento, com atrasos ou cancelamento de sessões quase inexistentes. Ponto para os portenhos que podem programar-se sem serem vítimas da alfândega!

A nossa vantagem em cima deles é o fato de que boa  parte dos filmes a serem exibidos no Bafici ou já foram exibidos nas mostras daqui ou chegarão muito em breve. Ponto para nós, que ao menos neste quesito somos vanguarda!

Por outro lado, não é a produção internacional que faz do Bafici um dos eventos cinematográficos mais importantes do país. Sua notoriedade reside mesmo é na produção local – o Festival de Cine Independiente, desde a sua primeira edição, em 1999, traz o que há de mais expressivo e singular no cinema argentino.

E, pelo que eu fiquei sabendo, a produção argentina presente nesta edição deixa de lado as temáticas pautadas na crise econômica no início dos anos 2000 e  cede espaço para temas pertinentes à vida cotidiana e a realidade social do país.

O evento, que começou no último dia 8 e se estenderá até o dia 20 de abril traz, além dos 427 títulos, uma série de atividades paralelas. São mesas redondas, debates, aulas magnas e seminários com diretores, produtores e estúdios de diversas origens.

O diretor brasileiro Eduardo Coutinho é um dos exemplos . Além de seu filme “Jogo de Cena” ter aberto o festival, o cineasta ministrou uma “Master Class” no dia 10.

Dentre as atividades paralelas destaca-se também a recém-inaugurada “Cine al aire libre” – projeções ao ar livre (na Pasaje Carlos Gardel) dos filmes argentinos premiados nas edições anteriores do Festival.

Para Sergio Wolf, diretor do Bafici, a intenção agora é apostar na continuidade da linha artística do evento. Vale lembrar que após a turbulenta saída de Fernando Peña da direção do Bafici, muitos foram os rumores sobre o cancelamento da mostra.

Abertura do 10º Bafici
Abertura do 10º Bafici

 

O cineasta Eduardo Coutinho (ao microfone) na abertura do 10º Bafici
O cineasta Eduardo Coutinho (ao microfone) na abertura do 10º Bafici

 

Cine al aire libre
Cine al aire libre