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Ang Lee e Audiard brilham em Cannes – Destaques do Fim de Semana do Festival

Como era de se esperar, “Taking Woodstock” (EUA) do diretor taiwanês Ang Lee empolgou a plateia durante a projeção oficial do longa, realizada no último sábado a noite, no Festival de Cannes. O filme conta as peripécias de Elliot Tiber (Demetrio Martin) que, na tentativa de salvar da falência um hotel que pertencera a sua família, acaba atraindo para o local o festival de Woodstock (1969), evento que durou três dias e que tornou símbolo máximo da cultura hippie.

Durante a coletiva de imprensa realizada no sábado (16), Ang Lee (abaixo) definiu o festival de Woodstock como “os últimos momentos de inocência de uma geração”. Para o diretor, seu filme é “uma comédia sem cinismo” e embora bem recebido pela crítica de Cannes não deve receber a Palma de Ouro do Festival. 

ang_lee_cannes_2009                                                                        

Outro filme que causou frisson e é apontado como forte candidato à Palma de Ouro no Festival de Cannes é o francês “Un Prophète“, de Jacques Audiard. No filme, Malik (interpretado pelo estreante Tahar Rahim) é um jovem de 19 anos que, por motivo não revelado na trama, cumpre pena de 6 anos em uma penitenciária francesa. É no cárcere que Malik se aproxima do mundo do crime, conhecendo histórias de assassinatos e lidando com máfias instaladas na cadeia.

prophete_audiard                                    

No domingo, os destaques do Festival foram os longas do chinês Johnnie To e do filipino Brillante Mendoza. 

Vengeance” (Hong Kong/França/EUA), de Johnnie To, conta a história de um mafioso (interpretado pelo roqueiro e ator Johnny Hallyday) que tem sua morte decretada a partir do momento em que se torna suspeito de ajudar o FBI.

venegance_johnnie_to

Mas quem se destacou mesmo no último domingo (17) em Cannes foi o filipino Brillante Mendoza que com seu “Kinatay” (Filipinas), arrancou as primeiras vaias do Festival. O cineasta que já havia dividido plateias no ano passado com seu duvidoso “Serbis”, exibido no Brasil durante a última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, agora atacou com a história de um estudante de criminologia que aceita realizar um trabalho especial para um grupo criminoso de Manila.

kinatay_mendoza

O título “Kinatay”, que em filipino quer dizer “esquartejar”, dá uma pista daquilo que o público encontrará no longa: muita violência, muito sangue, tortura e cenas chocantes. Para amenizar o desconforto da exibição, Mendoza explicou na coletiva de imprensa de ontem que optou por mostrar de forma “crua” os massacres que acontecem diariamente em seu país.

Brillante_Mendoza

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É INDIE!!!

Começa hoje a 2ª edição paulista do INDIE 2008 – Mostra Mundial de Cinema, evento que completou este ano sua 7ª edição em Belo Horizonte/MG, sempre trazendo o que há de novo na cena cinematográfica independente.

Até o dia 12/11, o INDIE exibe 40 filmes em 35 sessões, todas no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075), onde o maior destaque são as produções japonesas, que integram dois ciclos: um dedicado ao cinema erótico (ou “pinku eiga”, “cor-de-rosa”) de Koji Wakamatsu e outro intitulado Nippon Connection Film Festival, dedicada a divulgação do novo cinema japonês.

Há ainda o ciclo Música do Underground, que traz “Sonic Youth: Dormindo Noites Acordadas”, do Projeto Moonshine (EUA, 2007) e a seleção Premiers Films, com 4 filmes dirigidos por estreantes franceses.

Os ingressos custam de R$ 3 a R$ 6 e a programação completa você vê aqui

Olha só que bacana a vinheta do festival, que começou oficialmente ontem:



32ª Mostra – Resumo de 29.10 – “Serbis”, “Melodias de Primavera” e “Lições Particulares”

Penúltimo dia de Mostra e alguns filmes de gosto bastante duvidoso.

Começaremos pelo filipino “Serbis”, de Brillante Mendonza. O filme retrata a vida de uma família numerosa, que cuida e vive num velho cinema pornô. Em meio à pobreza, à falta de perspectivas, às frustrações pessoais e à prostituição crescente e descoordenada dentro da sala de cinema, os membros dessa família são obrigados a lidar com o que há de pior nos outros.

Se a intenção é mostrar a degradação, o feio e o sujo, o filme vai além e deixa que essa sensação de asco pareça descuido do diretor. A intenção de chocar o espectador torna as cenas cansativas e pouco enfadonhas. Melhor seria se fosse um documentário. Avaliação Le Champo: Ruim

O contraponto de “Serbis” é o alemão “Melodias de Primavera”, de Martin Walz. Uma comédia-romântica-musical bastante açucarada, mas que não chega a enjoar. O mote da história é o encontro de duas pessoas problemáticas, Anna, a professora primária com ataques de nervos e Thilo, o frustrado ator que, para se sustentar, tenta vender vinhos por telefone. Um encontro casual e uma paixão arrebatadora e problemas cotidianos, tudo marcado com estrofes musicais. 

Sem pretensões e mais um filme tipo “sessão da tarde”, que não desagrada, porém, está longe de marcar presença num festival. Avaliação Le Champo: Regular!

Por fim o quase polêmico “Lições Particulares”, de Joachim Lafosse. Houve quem o adorou e também os que detestaram esse que chamo de “drama grego sob viés francês”. Jonas, personagem central da trama, é um adolescente cheio de planos mas que pouco se esforça na realização destes. Repetente, filho de pais separados e frente às primeiras experiências sexuais com a garota de gosta, Jonas só encontra apoio no grupo de amigos mais velhos, composto pelo casal Nathalie e Didier e de Pierre. Este último, solidarizado com os sonhos do garoto de seguir seus estudos, oferece seus préstimos de tutor. No entanto, a relação entre ambos estrapola os limites acadêmicos, tornando-se cada vez mais íntima e invasiva. 

Roteiro interessante e boa atuação de Yannick Renier, no papel de Pierre (e também presente no já comentado “Nascidos em 68”), garantem nesse Le Champo a avaliação de Bom!

                                                        Cena do repugnante “Serbis”…

                                                   … do açucarado “Melodias de Primavera”…

… e trailler do intrigante “Lições Particulares”…