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Voilà, c’est Cannes!

Começa hoje a 63ª edição do Festival de Cannes, um dos mais importantes eventos da cinefilia mundial. E o filme que abre oficialmente o evento, às 19h15 (na  França) é Robin Hood, de Ridley Scott. O longa (já comentamos sobre ele aqui nesse Le Champo, lembra?) não participa da Competição Oficial do Festival, que premiará o melhor filme na opinião do júri com a Palma de Ouro, e tem estreia mundial marcada para a próxima sexta-feira, 14.

Crowe, Blanchet e outros, na coletiva de imprensa de Hobin Hood – Cannes

O que mais chama a atenção para esta 63ª edição é a falta de grandes nomes concorrendo à Palma de Ouro, ainda mais se compararmos com a edição anterior, que contava com nomes como Tarantino, Resnais, Almodóvar, Lars von Trier, etc. No lugar, mais produções de origem asiática e da Europa Oriental. E isso é excelente, pois chama atenção para as produções de países menos tradicionais no cinema, como Ucrânia, Tailândia e Chade (alguém aí lembra de um bom filme do Chade??)!

Os nomes mais “conhecidos” estão na mostra paralela, Um Certo Olhar (Un Certain Regard), que traz diretores como Jia Zhang-ke (de “Em Busca da Vida”, “Dong” e “Inútil”), apresentando Hai Shang Chuan Qi (I Wish I Knew), Pablo Trapero, (de “Família Rodante” e “Leonera”), com Carancho, Cristi Puiu (realizador romeno em ascensão, que dirigiu “A Morte do Sr. Lazarescu”), com Aurora, além do mais célebre de todos (aliás, de todo o Festival!), Jean-Luc Godard, que exibe seu Filme Socialismo, no dia 17, paralelamente em Cannes e na internet. Quem quiser ver o filme pela internet terá 48 horas para isso: de 17 a 19 de maio (data em que estreia nos cinemas franceses), ao preço de 7 euros, no site www.filmotv.fr. Espia só um dos seis trailers:

Veja os longas integrantes da Seleção Oficial, que concorrem à Palma de Ouro, cujo júri será presidido nesta edição por Tim Burton:

Another Year” – Mike Leigh (Reino Unido)

Biutiful” – Alejandro Gonzaléz Iñárritu (México)

Copie Conforme” – Abbas Kiarostami (Irã)

Des Hommes et dês Dieux” – Xavier Beauvois (França)

Fair Game” – Doug Liman (EUA)

Hors La Loi” – Rachid Bouchareb (França/Algéria)

La Nostra Vita” – Daniele Luchetti (Itália)

La Princesse de Montpensier” – Bertrand Tavernier (França)

Lung Boonmee Raluek Chat” (Oncle Boonmee Celui Qui se Souvient de Ses Vies Antérieures) – Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)

Outrage” – Takeshi Kitano (Japão)

Poetry” – Lee Chang-dong (Coreia do Sul)

Rizhao Chongqing” – Wang Xiaoshuai (China)

Route Irish” – Ken Loach (Reino Unido) – selecionado de última hora!

Schastye Moe” (Mon Bonheur) – Sergei Loznitsa (Ucrânia)

Szelíd Teremtés – A Frankenstein Terv (Um Garçon Fragile – Le Projet Frankenstein) – Kornél Mundruczó (Hungria)

The Housemaid” – Im Sangsoo (Coreia do Sul)

Tournée” – Mathieu Amalric (França)

Un Homme que Crie” – Mahamat-Saleh Haroun (Chade)

Utomlyonnye Solntsem 2: Predstoyanie” (L’Exode – Soleil Trompreur 2) – Nikita Mikhalkov (Rússia)

Serão exibidos ainda no Festival de Cannes, em outros programas e mostras, os novos filmes de Olivier Assayas, Carlos, de Oliver Stone, Wall Street: Money Never Sleeps, de Woody Allen, You Will Meet a Tall Dark Stranger e o brasileiro 5 x Favela, Por Nos Mesmos, de vários autores.

O Le Champo acompanhará diariamente o Festival e comenta as novidades por aqui!

À bientôt!

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É Tudo Verdade (ou quase)!

Começa hoje em São Paulo, com sessão exclusiva para convidados, o Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade.

Dirigida pelo crítico Amir Labaki, a 15ª edição do evento exibirá, até o dia 18/04, 71 documentários originários de 27 países, entre os quais, 18 documentários brasileiros inéditos (entre curtas, médias e longas). Tudo isso gratuitamente e distribuído em 6 salas de cinema em São Paulo.

O documentário selecionado para abrir o Festival hoje, no Espaço Unibanco Augusta, às 20h30 é “Uma Noite em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil (crítico de cinema da Folha de São Paulo). O filme retrata, através de imagens de arquivo, a final do Festival da Canção da TV Record, momento memorável da televisão e música brasileira.

Na edição carioca do É Tudo Verdade, que começa oficialmente amanhã, quem abre é o polêmico “Segredos da Tribo”, de José Padilha. Sua obra é um olhar sobre antropólogos renomados, entre eles o americano Napoleon Chagnon e o francês  Jacques Lizot, que conviveram com índios ianomâmis na fronteira da Venezuela com o Brasil, entre as décadas de 1960 e 1970 e cuja fama acadêmica divide espaço com acusações de genocídio e pedofilia.

Sessões que prometem lotar são a de “Capitalismo – Uma História de Amor”, de Michael Moore. São dele os famosos “Tiros em Columbine”, de 2002, e “Fahrenheit 9/11”. Amado por muitos e odiado por outros tantos, Michael Moore foi alvo de inúmeras acusações, de cineastas e não-cineastas, que declararam que seus filmes não passam de manipulação e mentira. Não deixa de ser positivo, pois, o debate levantado a partir das obras de Moore, sobre a veracidade dos filmes documentários e sobre o papel do documentarista na produção deste gênero. A primeira sessão de “Capitalismo”, no É Tudo Verdade, está programada para o próximo sábado, dia 10, às 19h00 no Espaço Unibanco de Cinema, em SP.

Pôster de Capitalismo – Uma História de Amor, de Michael Moore, que terá sua prèmiére no É Tudo Verdade 2010

Dois cineastas serão homenageados nesta edição do festival: o francês Alain Cavalier, cujas obras compõem a mostra “Retratos/ Auto-Retratos”, dentro do programa Retrospectiva Internacional, e ainda, uma Homenagem Especial, em função do centenário do documentarista e fotógrafo Benedito Junqueira Duarte. São dele os primeiros filmes que registram as transformações de São Paulo, na primeira metade do século XX.

Cena de O Encontro, de Alain Cavalier (1996), que será exibido no Festival É Tudo Verdade 2010

Além da exibição de filmes, o É Tudo Verdade 2010 integra a 10ª Conferência Internacional do Documentário. Intitulada “Filme Vira Filme: o Documentário de Arquivo”, a conferência abrirá espaço para cineastas e pesquisadores discutirem a complexa questão do uso das imagens de arquivo, que, além de envolver os altos custos para utilização dessa fonte documental, esbarra na não localização ou desconhecimento do detentor dos direitos sobre as imagens. O evento acontecerá entre 14 e 16 de abril, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo e para participar é necessária inscrição préviaatravés do email inscrição@cinemateca.org.br.

Mais informações sobre a programação, cinemas participantes e inscrição para a 10ª Conferência Internacional de Documentário você encontra no site do É Tudo Verdade.

E para acompanhar o que está rolando no evento, de resenhas à novidades, você acompanha aqui, neste Le Champo!

À bientôt!

Notícias de Cannes

Todo ano é assim, há dois meses do Festival de Cannes as notícias começam a pipocar e quem acompanha o evento passa a acessar o site do festival diariamente em busca de novidades.

Esse Le Champo foi atrás de algumas das principais notícias sobre o evento e dá uma prévia da 63ª edição do Festival de Cannes, que acontecerá de 12 a 23 de maio de 2010.

O cartaz do Festival, anunciado em 29 de março último, traz a atriz Juliette Binoche “pintando” com luzes o nome “Cannes”. De autoria da fotografa francesa Brigitte Lacombe, a obra dá seguimento à série de heroínas dos dois últimos anos (em 2008, o cartaz trazia uma mulher vendada, fotografada por David Lynch; em 2009, foi a vez de Monica Vitti, numa cena de “A Aventura”, de Michelangelo Antonioni, ilustrar o cartaz), como uma representação do mistério da tela. O conceito, criado pela designer Annick Durban, é o da mulher como alegoria do cinema, cujas pinceladas luminosas dão vida à imagem, animando-a com seus gestos amplos. Segundo o site do Festival, a graça de seu gesto é um convite a segui-la.

Quem presidirá o Júri do Festival em 2010 será o cineasta norte-americano Tim Burton, cujo filme “Alice no País das Maravilhas” estreou no último dia 24 na França e tem estreia prevista para o dia 21 de abril no Brasil. Nas palavras de Jacob Gilles, presidente do Festival de Cannes, o cineasta que tem coração de ouro e mãos de prata (numa referência ao personagem criado por Burton, Edward, Mãos de Tesoura) é, antes de tudo, um poeta. E completa: “se sua doce loucura e seu humor gótico invadir  (o Boulevard de) la Croisette, então será Natal para todo mundo. Natal e Dia das Bruxas”. Cabe lembrar que é a primeira vez na história do evento que um cineasta de animação preside o Júri do Festival.

O filme que abrirá o evento, no dia 12 de maio, é Robin Hood”, de Ridley Scott. Estrelado por Russel Crowe (que trabalhou com o diretor em outra mega-produção,  “Gladiador”, em 2000), o longa sobre o nascimento da lenda de Robin Hood conta ainda com a participação de Cate Blanchet, Léa Seydoux e Max von Sydow. Olha só o trailler do filme, que tem estreia mundial prevista para 14 de maio:

A Seleção Oficial do Festival de Cannes será anunciada em 15 de abril.

O Le Champo está de olho e conta as novidades por aqui.

À bientôt!

Cinema Silencioso na Cinemateca Brasileira

Para aqueles que já conhecem e amam ou para os que tem curiosidade em conhecer as produções cinematográficas do chamado “período silencioso” (primeiras décadas do século XX): não percam a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, de 7 a 16 de agosto, na Cinemateca Brasileira !

Além dos filmes silenciosos brasileiros, que têm seu espaço reservado a cada edição do evento, este ano a cinematografia silenciosa francesa ganhará destaque, em virtude do Ano da França no Brasil e das parcerias firmadas entre a nossa cinemateca com a Cinemateca Francesa, com os Arquivos Albert Kahn e ainda com os Arquivos Franceses do Filme/Centro Nacional de Cinematografia.

Na mostra francesa serão exibidas obras clássicas, como os primeiros trabalhos dos irmãos Lumière, os longas “O Homem do Mar” (1920) e  “Maldone” (1928), ambos de Marcel L’Herbier e Jean Grémillon e ainda a adaptação para o cinema do romance de Flaubert, “Salammbo” (1925), de Pierre Marodon. 

salammbo                                                   Salammbo, 1925

O filme “Études sur Paris” (“Estudos sobre Paris, 1928) de André Sauvage será exibido em sessões especiais na Sala São Paulo, de 13 a 16 de agosto, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que tocarão partitura composta exclusivamente para este filme. As produções de Alice Guy, primeira diretora de cinema do mundo!, compõem um dos programas da Jornada, dedicado à coletânea da produtora Gaumont restaurada pela Cinemateca da Suécia.

Études sur Paris                                           Études dur Paris, 1928

Outro programa imperdível é o “Cinema do Povo e os Anarquistas do Cinema“, com filmes realizados pela cooperativa “Cinéma du Peuple – primeira organização anarquista ligada à produção cinematográfica para a divulgação de idéias libertárias entre a classe operária. Destaque para filmes como “La Terroriste” (“A Terrorista”), produzida pela Pathé em 1907 e “La Commune” (“A Comuna”, 1917), de Armand Guerra.

La Terroriste                                           La Terroriste, 1907   

A mostra intitulada “Em Busca do Brasil: a Amazônia Silenciosa” será dedicada aos filmes de expedição à Amazônia, feitos nas primeiras décadas do século XX e a seção “Janela para a América Latina ”  exibirá o maior sucesso do cinema silencioso chileno, a comédia “El Húsar de la muerte” (“O hússar da morte”, 1925) de Pedro Sienna.

El Húsar de la Muerte                                           El Húsar de la Muerte, 1925

Além da exibição de filmes, a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso será palco para três conferências proferidas por Isabelle Marinone, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados do Collegium de Lyon e professora da Universidade Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, que falará sobre as relações entre Anarquismo e cinema na França, tema de sua tese de doutorado, além da conferência inaugural do evento, a cargo de  Caroline Patte, pesquisadora do Centro Nacional de Cinematografia, que abordará o cinema silencioso francês conhecido e preservado até os dias de hoje.

 

Serviço: CINEMATECA BRASILEIRA 
                Largo Senador Raul Cardoso, 207 -prox. Metrô V.Mariana
                São Paulo – SP
                Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ah, e o melhor, o evento é grátis! (somente para exibições na Cinemateca)

Cinema e chorinho ao luar!

Nada poderia ser mais poético: ver filmes fofos ao ar livre num dos parques mais emblemáticos da cidade de São Paulo, o Ibirapuera.

É o projeto “Cinema ao Luar”, evento que acontece de hoje (24)  até domingo (26), no Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2), em comemoração do Ano da França ao Brasil. A ideia é fazer aqui algo parecido com os festivais de cinema ao ar livre de Paris, como os que acontecem no Parc La Villete, na capital francesa.

As exibições de filmes franceses serão precedidas por apresentações de música instrumental brasileira, que contará com músicos convidados e com a OBA – Orquestra Brasileira do Auditório.

A programação começa hoje, às 19hs, com show do flautista Carlos Malta + OBA. Em seguida, às 20hs, será exibido ” O Gosto dos Outros“, de Agnès Jaoui (França, 2000), comédia que conta a história de um homem de negócios que se encanta por sua professora de inglês. 

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Amanhã, em sessão que promete concorrência, será a vez do chorinho do maestro Laercio de Freitas que, acompanhado pela OBA, abrirá a exibição de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“, de Jean-Pierre Jeunet (França, 2001), às 18hs. Bem, acho que este filme dispensa comentários, mas se vc ainda não sabe do que se trata, dá uma olhada no trailler:

A apresentação da Banda Mantiqueira, às 17hs e a exibição da comédia “Asterix e Obelix: Missão Cleópatra“, de Alain Chabat (França, 2002) encerram o evento no domingo. 

asterix-e-obelix-missão-cleópatra

 

Ah, e fica a recomendação: vá bem agasalhado e prepare a capa de chuva- as previsões do site climatempo não são lá muito animadoras!

Et bon film!!!

“Das Weisse Band”, de Michael Haneke, leva a Palma de Ouro em Cannes!

O longa “Das Weisse Band” (“The White Ribbon” ou ainda “A Fita Branca”, em tradução livre), do diretor austríaco Michael Haneke abocanhou o prêmio máximo do 62º Festival de Cannes: a Palma de Ouro!  O filme, que busca retratar a gênese dos totalitarismos, conta a história de uma comunidade protestante de um vilarejo da Alemanha, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial.  O pastor da região impõe aos adolescentes o uso de uma fita branca como símbolo da pureza e da ingenuidade – adjetivos estes que deverão, ao menos em tese, perpetuar ao longo da vida adulta. Estes adjetivos, no entanto, não fazem parte do cotidiano dos moradores do povoado, que a partir de um acidente sofrido pelo médico da região, são surpreendidos com uma série de crimes violentos, cujo foco principal são os jovens. Não há indícios do autor dos crimes e a população local acredita se tratar de um castigo enviado aos adultos em virtude de seus muitos pecados.

A fotografia de “Das Weisse Band”, em P&B, refere-se à iconografia da época retratada no filme e a escolha dos atores, sobretudo das crianças, seguiu uma rigorosa seleção que consumiu seis meses e 7.000 testes. Tudo isso para “encontrar crianças que correspondessem fisicamente às imagens que conhecemos do período”, como justificou Haneke, após a exibição de seu filme, na última quinta-feira.

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A atriz francesa e Presidende do Júri, Isabelle Huppert declarou ter premiado “um filme extraordinário, e justificou: “Haneke tem um estilo ético. Nesse filme, num tom diferente, ele novamente vai longe na alma humana”. Quando sua obra foi comparada à do cineasta sueco Ingmar Bergman, Haneke hesitou, dizendo que preferia que este fosse visto “como um filme hanekiano, não como um filme bergmaniano”. 

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Quem também brilhou na cerimônia de ontem foi a atriz francesa Charlotte Gainsbourg. Premiada como “Melhor Atriz” desta edição do Festival, por sua atuação no polêmico “Antichrist“, de Lars von Trier, Gainsbourg agradeceu a Thierry Frémaux e ao Festival de Cannes “pela audácia em selecionar esse filme”. Como já comentado nesse Le Champo, “Antichrist” rendeu as vaias mais fervorosas desta edição, mas as cenas fortes, que incluem automutilação, tortura e sexo explícito convenceram o Júri. 

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O prêmio de “Melhor Ator” foi concedido ao austríaco Christoph Waltz, por sua atuação em “Inglourious Bastards“, de Quentin Tarantino. No filme, ele interpreta o carrasco nazista e multilinguista Hans Landa.

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O segundo prêmio mais importante do Festival, o Grande Prêmio do Júri foi concedido ao drama “Un Prophète“, de Jacques Audiard. Vale lembrar que até o fim da Competição Oficial, “Un Prophète” era apontado como favorito a Palma de Ouro.

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A surpresa do evento foi a premiação do cineasta filipino Brillante Mendoza como “Melhor Direção” do Festival, deixando críticos (e eu mesma!) de boca aberta. Mendoza foi escolhido o melhor entre nomes de peso, como Almodóvar, Marco Bellocchio e mesmo Alain Resnais. Além disso, seu filme, “Kinatay” foi recebido com certa resistência e algumas vaias. O cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que no ano passado exibiu em Cannes seu “Três Macacos” defendeu o colega filipino declarando que “particularmente, gostei muito (de Kinatay)”.

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Já que falei em Alain Resnais, o cineasta francês foi agraciado com o “Prêmio Especial do Festival de Cannes”. O diretor concorria à Palma com seu “Les Herbes Folles”. A homenagem rendeu um dos pontos altos da cerimônia: Resnais foi aplaudido longamente e de pé pelo público presente no Teatro Lumière, local do evento.

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Confira abaixo os outros premiados no 62º Festival de Cannes:

Prêmio de melhor roteiro: Feng Mei, do filme “Spring Fever” (China)

Prêmio do júri: Fish Tank“, de Andrea Arnold (Reino Unido), e “Thirst”, de Park Chan-Wook (Coreia do Sul)

Palma de Ouro de melhor curta-metragem: Arena“, de João Salaviza (Portugal)

Menção especial (curta-metragem): “The Six Dollar Ffty Man” (Nova Zelândia), de Mark Albiston e Louis Sutherland

Câmera de Ouro (diretor estreante): Warwick Thornton,  de “Samson and Delilah”

Menção especial (prêmio Câmera de Ouro): “Ajami” , de  Scandar Copti e Yaron Shani

Prêmio especial do júri pelo conjunto da carreira: Alan Resnais

Tarantino e Resnais apresentam seus filmes no 8º dia do Festival de Cannes

Ontem foi a vez de Quentin Tarantino e Alain Resnais apresentarem seus filmes, ambos concorrentes à Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Tarantino mostrou o seu (já bastante) comentado “Inglourious Basterds” (EUA), que conta a história de um grupo militar formado por soldados judeus norte-americanos que decidem empreender vingança contra oficiais do Terceiro Reich, ao mesmo tempo que uma sobrevivente do Holocausto tenta castigar os assassinos de sua família. O líder do grupo militar é o tenente Aldo Reiner, interpretado pelo ator Brad Pitt, maior destaque desta produção. Pitt, que aparece de cabelos escuros, adotou um sotaque rural e  caprichou no “ar impedoso” do ten.Reiner, que exige o escalpo dos inimigos nazistas. Dá uma olhada no trailer:

No mais, “Inglourious” é o típico filme de Tarantino. Muita violência, cenas sanguinárias (sobretudo as de escalpamento!), trilha sonora perfeita (outra marca de Tarantino),etc. O diferencial deste filme é justamente a temática –  é um filme de guerra e mais ainda, sobre a Segunda Guerra Mundial. A história se situa entre 1941 e 1944. 

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Depois da première dedicada aos jornalistas, Quentin Tarantino afirmou ser este filme o seu “Monte Everest”. De fato, trata-se de uma guinada na carreira européia do diretor, como bem salientou a Ilustrada de hoje. Fazem parte do longa atores de diversas nacionalidades, cada um falando sua língua e apenas um, o ator Christoph Waltz no papel do carrasco nazista Hans Landa, dominando todas elas.

Segundo Tarantino, “não é despropositado considerar (este filme) um sonho de vingança judaica”, porém, o elemento central de “Inglourious Basterds” é outro: “meus personagens mudam o curso da guerra”, declarou. Aqui, a  atriz Mélanie Laurent, Quentin Tarantino, Diane Kruger  e Brad Pitt, durante coletiva de Imprensa em Cannes. A imagem é do site do Festival de Cannes:

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Outro destaque do 8º dia do Festival de Cannes foi a première de “Les Herbes Folles“, do aclamado diretor Alain Resnais. Como já comentado neste Le Champo, no aniversário de 50 anos de seu clássico “Hiroshima, Meu Amor”, concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1959, Resnais apresentou ontem o que poderia ser considerado por alguns uma “comédia romântica”, apesar de sabermos que os filmes de Resnais não podem ser rotulados. Na história, um homem (André Dussollier) apaixona-se imediatamente por uma mulher (Sabine Azéma, musa do diretor) no momento em que devolve sua bolsa, que havia sido roubada e que fora encontrada por ele. O homem é casado, mas passa a telefonar e a escrever para a mulher como se ambos tivessem uma relação estabelecida. Por outro lado, os sentimentos da mulher oscilam entre a aproximação e o afastamento do ser desejado.

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Coisas do cinema francês e da sua capacidade de transportar para a tela histórias cotidianas e até mesmo recorrentes, e transformá-las em algo maior. Resnais já havia feito isso em “Hiroshima”, fez muitas outras vezes em muitos de seus filmes e o já lendário “Medos Privados em Lugares Públicos”, há mais de 2 anos em cartaz na cidade de São Paulo comprova a contemporaneidade de seus filmes. 

Aqui, este respeitável senhor de 86 anos, mente incrível, e o elenco de seu novo filme após exibição no Festival de Cannes:

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