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Uma Mostra de Encher os Olhos e Emocionar o Coração

Não, não estava nos planos, mas esta Mostra com certeza ficará na memória dos cinéfilos e frequentadores do evento que, neste ano, chega à sua 35a. edição.  Isso porque, no dia 14 último, faleceu em São Paulo, Leon Cakoff, fundador e frontman da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, vítima de câncer no cérebro. Em sua homenagem, foi espalhado o pôster com a imagem do “pai da mostra” pelos stands da Central da Mostra, localizada no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073).

Provavelmente haverá, juntamente à famosa vinhetinha animada que abre cada uma das sessões, uma vídeo-homenagem a Cakoff, ou algum outro tipo de homenagem. Razoável para alguém que dedicou mais da metade da vida à chamada Sétima Arte.

Leon Cakoff, o “pai da Mostra”

Falando em vinheta,  a deste ano, juntamente com o cartaz do evento, foi desenhada por ninguém menos que o mestre dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Souza, que cedeu sua personagem Piteco, o lendário homem-das-cavernas, como forma de ilustrar o poder do cinema em dar vida as imagens, arte essa contemplada desde o tempo em que a raça humana vivia em cavernas e brincava com as bruxuleantes sombras das fogueiras. Mais simbólico, impossível!

Piteco, desde os primórdios, fazendo arte!

A exemplo do que acontece todo ano, a Mostra Internacional de Cinema tem como principal objetivo servir de vitrine a respeito daquilo que foi produzido e/ou premiado mundo afora, além de ser uma excelente oportunidade para cineastas iniciantes. Filmes consagrados com a Palma de Ouro (Cannes), Leão de Ouro (Veneza), Urso de Ouro (Berlim) são exibidos lado-a-lado de filmes independentes, muitas vezes concluídos às vésperas do festival e de modo completamente amador.

Entre os mais de 250 filmes que serão exibidos este ano (uma seleção enxuta, é verdade, se compararmos aos mais de 400 dos anos anteriores), alguns soam como imperdíveis, seja pelo mérito da premiação ou pelo burburinho que a polêmica lhe concedeu. Independente do caso, este Le Champo jamais deixaria de destacar, neste curto espaço,  o novo filme de Aleksandr Sokurov, Fausto, premiado com o Leão de Ouro em Veneza e que nesta Mostra será exibido somente na REPESCAGEM (de 4 a 6 de novembro – já estão avisando!!!). Mas, quem é fã mesmo do cineasta, pode ir degustando antes o documentário de Anne Imbert, Aleksandr Sokurov, Questão de Cinema. Outro filme que promete não decepcionar os cinéfilos de carteirinha é O Garoto da Bicicleta, dos geniais irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Muito elogiado em todos os festivais por onde passou, os Dardenne parecem seguir a trilha de sucesso deixada pelas obras anteriores, como A Criança e O Silêncio de Lorna.

Os irmãos Dardenne (re)voltam sua objetiva para o universo criança x adulto

Mathieu Amalric, depois de causar furor com o fabuloso Tournée, traz para a Paris do presente o texto teatral de Pierre Corneille, A Ilusão Cômica, sobre a busca do pai pelo filho que não vê há dez anos e sua relação com um bruxo que possui a capacidade de lhe mostrar a vida do filho durante o tempo em que esteve ausente. Dois filmes andaram “causando”, no bom e no mau sentido, sempre. Um deles é o documentário Os Hipopótamos de Pablo Escobar, acerca do mitológico traficante e seu plano de formar um zoológico particular, ao levar para a Colômbia três hipopótamos e outros animais selvagens. As consequências de sua megalomania, principalmente após sua morte, foi o desequilíbrio ambiental da região e a matança indistinta de animais silvestres. O outro chama-se O Futuro, de Miranda July. Aclamada pelo público e odiada pela crítica, sobretudo a masculina, essa será a oportunidade de ver como o público paulistano reagirá diante da extravagante criatividade da moça.

O Futuro, de Miranda July, é contado sob a ótica de um gato manco e uma camiseta ambulante!

Outros destaques são Oslo, 31 de Agosto, de Joachim Trier, Os Animais me Distraem, de Isabella Rossellini (quem conhece a série Green Porno sabe que talvez seja divertido arriscar neste!), Pater, de Alain Cavalier, Viagem à Lua, Georges Mèliés – colorizado manualmente!!!,  Era Uma Vez Na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, etc..

A Escandinávia e sua tradição em contar histórias sobre recomeços!!!

Outro ponto emocional da Mostra ficará por conta da exibição de clássicos do cinema, como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, (1971),  A Doce Vida de Federico Fellini (1960), Taxi Driver, de Martin Scorcese (1976), além dos nacionais Matar ou Correr, de Carlos Manga (1954), produção da imperiosa Atlântida e da emblemática Xica da Silva, de Cacá Diegues (1976), para citar apenas algumas obras.

Zezé Motta, “de escrava a rainha”, em Xica da Silva.

Quem é habitué da Mostra, sabe que dentro do evento principal há uma série de mostras paralelas. Entre estas, destaque para a que homenageia o russo Sergei Paradjanov (Paradjanov, O Magnífico), sediada no MIS e composta por mais de 60 colagens e desenhos do cineasta. Além disso, serão exibidos 9 de seus filmes. Vale muito a pena ver  Sombras dos Ancestrais Esquecidos, A Cor da Romã e O Trovador de Kerib, uma homenagem ao amigo, Andrei Tarkovski. Cinema russo na veia.

Pôster de “O Trovador de Kerib”

Já o Cinema Nacional não deixa por menos e traz uma lista repleta de nomes valorosos e títulos interessantes. A começar pelo recente filme de Eduardo Coutinho, As Canções, que promete ser sucesso de public e crítica, assim como o aclamado Jogo de Cena. Malditos Cartunistas é um documentário que reune a nata do quadrinho de humor brasileiro, de Ziraldo, Laerte e Angeli até Adão e Fernando Gonsales. No mínimo, hilário! A faceta mais “política/politizada” do programa fica a cargo de Isa Grispum Ferraz, de Marighella, onde tenta reconstruir (ou desconstruir?) o mito em torno do líder comunista e um dos fundadores do PCB. Ana Rieper pega mais leve nas reconstruções de vida, vai atrás das histórias de gente mais simples, contos do cotidiano, tendo como pista o verdadeiro cancioneiro popular, a dita música brega, que domina as rádios do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, no elogiado Vou Rifar Meu Coração, exibido em festivais nacionais. Agora é a vez de São Paulo saber quem toca fundo o coração do povo do Norte do país!

Pra quem ainda não se preparou para a 35a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda há credenciais (passaportes) equivalentes a  40 ingressos, e também credenciais permanentes, que concede entrada a todas as sessões do evento, ao preço de R$ 390,00.  Assinantes da Folha de São Paulo tem 15% de desconto (veja mais em http://www.clubefolha.com.br)

Você pode ainda comprar ingressos avulsos, de um e até quatro dias de antecedência pelo site www.ingresso.com.br ou no dia da sessão, somente na bilheteria do cinema da sessão pretendida.

Agora é preparar o coração e sebo nas canelas, pois a maratona começa hoje e vai até dia 6 de novembro.

E quem é esperto e quer ficar ainda mais por dentro da Mostra Internacional de Cinema acompanha diariamente as resenhas dos filmes aqui, no Blog Le Champo, e em tempo real, as notícias, fofocas, mudanças de programação, entrevistas e qualquer auê pelo Twitter: @lechampo e também no Facebook/lechampo.

À Bientôt, tout le monde!!!

Resenha: “Inimigos do Povo”

Inimigos do Povo, de Rob Lemkin e Thet Sambath é muito mais que um relato histórico sobre o Camboja –  é um acerto de contas com o passado. No caso, o acerto de contas de Sambath, jornalista cambojano, com o seu passado pessoal. Seus pais e irmão foram assassinados por agentes do Khmer Vermelho, regime comunista que governou o Camboja entre 1975 e 1979 e que vitimou cerca de 2000 pessoas nos chamados “campos da morte”.

O jornalista Thet Sambath conversa com ‘O Irmão Número Dois’, em cena do documentário

Para realizar seu projeto, que durou dez anos e demandou todo o já escasso dinheiro da família, Sambath percorreu o território do Camboja em busca de pessoas envolvidas com o genocídio. Seu objetivo não era encontrar os assassinos de seus pais – que ele sabia ser impossível – mas sim, explicações, justificativas para as atrocidades cometidas por um governo que se dizia originário do povo e que na prática, dizimava-o.

Foi nas suas andanças pelo país que o jornalista conheceu e se aproximou de ninguém menos que Nuon Chea, o “Irmão Número Dois” e braço direito do ditador Pol Pot. Por três anos frequentou sua casa e ouviu suas histórias, contadas sempre em doses homeopáticas e cobertas de desconfiança. Só no fim das filmagens, porém, e na iminência do julgamento dos membros do alto escalão do Khmer Vermelho pelo Tribunal da ONU é que Sambath revela sua história. A reação de Chea é representativa de seu passado como líder político e, mesmo não sendo uma novidade, não deixa de surpreender.

Sambath teve também a oportunidade de conhecer agentes do baixo escalão do regime, funcionários com autonomia policial e muitas mortes nas costas mas que, passadas algumas décadas, declaram-se esquecidas ou profundamente arrependidas dos seus atos. Um dos “assassinos”, no termo utilizado por Sambath, simula, à pedido do cineasta, a forma como matava à facadas suas vítimas – tal e qual matam-se hoje as galinhas. E depois, num mosteiro budista, reza e teme por suas futuras encarnações.

Em Inimigos do Povo, filme que recebeu este ano o Prêmio Especial do Júri para Documentário do Cinema Mundial, em Sundance, e que integra a Competição Internacional – Longas, do 15º É Tudo Verdade, Sambath e Lemkin contam, através de uma história particular, uma tragédia coletiva, mais um pequeno capítulo dos horrores do século XX. E cumprem seu objetivo maior, o de descobrir a humanidade na desumanidade.

Resenha: “Segredos da Tribo”

“Nós não queremos mais antropólogos aqui”.

A frase inicial do filme, dita por um índio ianomâmi, dá o tom do novo documentário de José Padilha, “Segredos da Tribo”, exibido no 15º É Tudo Verdade.

O filme retrata a atuação de antropólogos americanos e europeus junto aos índios ianomâmis estabelecidos na região da Amazônia venezuelana, entre as décadas de 1960 e 1970 e cujas pesquisas são sinônimo de pioneirismo e polêmica.

Entre os antropólogos destacados no longa estão o norte-americano Napoleon Chagnon, um dos pioneiros em realizar estudos de campo com os indígenas e autor da obra “Yanomamo – The Fierce People”, o francês Jacques Lizot, discípulo de Lévi-Strauss e um dos grandes nomes da antropologia na França, e Kenneth Good, que tornou-se célebre no mundo não–acadêmico pelo seu casamento com uma garota ianomâmi. Dos três citados, apenas Lizot se recusou a participar do filme.

O documentário foca menos nas contribuições científicas dos antropólogos e mais nas polêmicas de suas pesquisas. Chagnon, por exemplo, é acusado de genocídio, depois de inserir a vacina contra sarampo que dizimou mais de 200 indígenas. Já Lizot, segundo integrantes das tribos, teria praticado sexo com homens e crianças ianomâmis em troca de armas e outros “presentes”. Na análise dos acadêmicos, ele teria incentivado a prostituição em diversas tribos em troca de alimentos e outros gêneros.

A ruptura que as pesquisas de Chagnon, Lizot e cia., resultou no seio da comunidade acadêmica é explorada ao limite: imagens de acervo, muitas delas dos próprios cientistas em questão são contrapostas com depoimentos de seus desafetos, gerando uma acalorada discussão.

Para Padilha, Segredos da Tribo levanta questões relacionadas à filosofia da ciência: o papel do antropólogo e as metodologias aplicadas em suas pesquisas de campo (ou, no caso, a falta de metodologias claras) estão na base do debate e seriam algumas das  causas do descrédito acadêmico aos quais esses cientistas foram submetidos

Apesar do tom jornalístico adotado por Padilha, o documentário é denso e os debates acadêmicos podem cansar quem não está acostumado com temas científicos. Além disso, o velho jogo de poderes, tema recorrente na filmografia de Padilha (“Tropa de Elite” e “Garapa”, entre outros), está presente, só que desta vez num ambiente teoricamente “sério” e “respeitável” – a academia.

Resenha: “Uma Noite em 67”

Selecionado para abrir o 15º É Tudo Verdade, o documentário Uma Noite em 67, dos diretores iniciantes Renato Terra e Ricardo Calil, é uma divertida viagem à história da música e televisão brasileira. O filme retrata, através de imagens de arquivo, a final do 3º Festival da Música Popular Brasileira, em 1967, noite marcada pelo lançamento de algumas das mais importantes músicas e também por alguns micos televisivos.

Exibido pela TV Record, os Festivais eram responsáveis pelos maiores índices de audiência da época. Artistas consagrados como Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos e Edu Lobo eram habitués desse tipo de programa, onde apresentavam-se ao vivo para uma plateia eufórica e exigente.

Se a década de 1960 foi a era dos grandes festivais de música (numa proporção nunca mais alcançada, apesar das inúmeras tentativas em recuperar este formato de programa), o que fez de 1967 célebre? Canções como “Alegria, Alegria”, “Roda Viva”, “Domingo no Parque” e “Ponteio”, esta última interpretada por Edu Lobo e Marília Medalha – e música vencedora daquela edição – talvez possam responder essa pergunta. É pouco? Então, quem sabe dizer que em 1967 uma manifestação contra o uso da guitarra elétrica (demonizada como símbolo do imperialismo norte-americano), e que criou um racha na classe artística entre os favoráveis e os temerários ao instrumento, responda melhor? Ou seria ainda o momento ‘descontrol’  de Sérgio Ricardo, que, sob vaias e impedido de cantar “Beto Bom de Bola”, quebra seu violão e o atira contra a plateia? Independentemente da escolha, todas essas histórias estão lá, não apenas retratadas pelas imagens da época, mas também comentadas pelas pessoas que fizeram essa história acontecer.

O que mais chama a atenção em Uma Noite em 67 é o uso inteligente das imagens de arquivo – neste documentário elas não servem como meras ilustrações dos depoimentos, mas se prestam a dar o clima exato do que aquela noite representou para toda uma geração que, ao mesmo tempo em que vivenciava os anos de chumbo da ditadura militar, via surgir importantes manifestações culturais, a exemplo do Tropicalismo, ou ainda os primeiros passos do rock nacional, que deve muito de sua origem aos artistas “jovens e modernos” de 67.

Presentes na sessão de hoje (09/04), os diretores justificaram sua escolha por 67: “Aquela noite de 67 reuniu os artistas de que mais gostamos, de quem gostaríamos de desfrutar de alguma intimidade, fazer parte daquele universo de algum modo, enfim, eles são responsáveis pela trilha sonora de nossas vidas”,  resume Calil.

Ficou interessado em ver este documentário? A próxima sessão de Uma Noite em 67 em São Paulo está programada para dia 10/04, às 15hs, no Espaço Unibanco Augusta. A entrada é gratuita e recomendamos chegar ao cinema com mais de uma hora de antecedência (na sessão de hoje, dia 09, no mesmo Espaço Unibanco, a fila já dobrava a esquina por volta das 19h30).

Mais informações no site do É Tudo Verdade

Resenha: VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado

Videorrepórteres que atuam na clandestinidade, monges que incitam a revolução e um país autoritário, fechado para o mundo. Esta é a Mianmar na visão do diretor dinamarquês Anders Østergaard, do documentário VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado (Burma VJ: Reporter i et Lukket Land, 2008), vencedor da categoria Melhor Documentário no Festival É Tudo Verdade em 2009 e que retorna ao mesmo evento nesta 15ª edição.

O filme retrata um episódio da complicada história daquele país, submetido ao regime militar há quase cinco décadas: o massacre de monges budistas, líderes de uma série de protestos contra o governo, em 2007, após um aumento abusivo do preço do combustível e da prisão de uma destacada ativista.

Num país autoritário como é o caso de Mianmar, é desnecessário citar o controle do Estado sobre os meios de comunicação. Como forma de evitar que o mundo se esqueça daquele povo e desconheça sua luta, como justifica o próprio narrador da história,  “Joshua” (nome fictício), repórteres independentes assumem a responsabilidade e o risco de registrarem clandestinamente as imagens do cotidiano, permeado de injustiças, repressão e violência. Eles compõem uma rede de cinegrafistas conhecida como Voz Democrática da Birmânia (VDB), com sede em Oslo, Noruega, local onde as imagens são recebidas e retransmitidas para outras locailidades do globo, incluindo a própria Mianmar, que recebe as imagens via transmissão de redes piratas. Desse modo, quando eclodiu o massacre dos monges, em 2007, redes como CNN e BBC puderam noticiar os conflitos, amparadas pelas imagens produzidas de modo secreto e não-autorizado.

O mérito de Østergaard reside no modo como o documentário foi montado. Impedido de filmar nas ruas de Mianmar (o uso de câmeras é proibido no país), e contando apenas com o auxílio do videorrepórter Joshua (refugiado na Tailândia), o cineasta construiu grande parte do documentário com imagens do acervo dos cinegrafistas clandestinos. O resultado é um documentário que consegue segurar a atenção do espectador com suas sequências tensas, cheias de suspense, ao mesmo tempo que cumpre o objetivo principal de seu realizador, que é chamar a atenção do mundo para os problemas daquele país.

É Tudo Verdade (ou quase)!

Começa hoje em São Paulo, com sessão exclusiva para convidados, o Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade.

Dirigida pelo crítico Amir Labaki, a 15ª edição do evento exibirá, até o dia 18/04, 71 documentários originários de 27 países, entre os quais, 18 documentários brasileiros inéditos (entre curtas, médias e longas). Tudo isso gratuitamente e distribuído em 6 salas de cinema em São Paulo.

O documentário selecionado para abrir o Festival hoje, no Espaço Unibanco Augusta, às 20h30 é “Uma Noite em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil (crítico de cinema da Folha de São Paulo). O filme retrata, através de imagens de arquivo, a final do Festival da Canção da TV Record, momento memorável da televisão e música brasileira.

Na edição carioca do É Tudo Verdade, que começa oficialmente amanhã, quem abre é o polêmico “Segredos da Tribo”, de José Padilha. Sua obra é um olhar sobre antropólogos renomados, entre eles o americano Napoleon Chagnon e o francês  Jacques Lizot, que conviveram com índios ianomâmis na fronteira da Venezuela com o Brasil, entre as décadas de 1960 e 1970 e cuja fama acadêmica divide espaço com acusações de genocídio e pedofilia.

Sessões que prometem lotar são a de “Capitalismo – Uma História de Amor”, de Michael Moore. São dele os famosos “Tiros em Columbine”, de 2002, e “Fahrenheit 9/11”. Amado por muitos e odiado por outros tantos, Michael Moore foi alvo de inúmeras acusações, de cineastas e não-cineastas, que declararam que seus filmes não passam de manipulação e mentira. Não deixa de ser positivo, pois, o debate levantado a partir das obras de Moore, sobre a veracidade dos filmes documentários e sobre o papel do documentarista na produção deste gênero. A primeira sessão de “Capitalismo”, no É Tudo Verdade, está programada para o próximo sábado, dia 10, às 19h00 no Espaço Unibanco de Cinema, em SP.

Pôster de Capitalismo – Uma História de Amor, de Michael Moore, que terá sua prèmiére no É Tudo Verdade 2010

Dois cineastas serão homenageados nesta edição do festival: o francês Alain Cavalier, cujas obras compõem a mostra “Retratos/ Auto-Retratos”, dentro do programa Retrospectiva Internacional, e ainda, uma Homenagem Especial, em função do centenário do documentarista e fotógrafo Benedito Junqueira Duarte. São dele os primeiros filmes que registram as transformações de São Paulo, na primeira metade do século XX.

Cena de O Encontro, de Alain Cavalier (1996), que será exibido no Festival É Tudo Verdade 2010

Além da exibição de filmes, o É Tudo Verdade 2010 integra a 10ª Conferência Internacional do Documentário. Intitulada “Filme Vira Filme: o Documentário de Arquivo”, a conferência abrirá espaço para cineastas e pesquisadores discutirem a complexa questão do uso das imagens de arquivo, que, além de envolver os altos custos para utilização dessa fonte documental, esbarra na não localização ou desconhecimento do detentor dos direitos sobre as imagens. O evento acontecerá entre 14 e 16 de abril, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo e para participar é necessária inscrição préviaatravés do email inscrição@cinemateca.org.br.

Mais informações sobre a programação, cinemas participantes e inscrição para a 10ª Conferência Internacional de Documentário você encontra no site do É Tudo Verdade.

E para acompanhar o que está rolando no evento, de resenhas à novidades, você acompanha aqui, neste Le Champo!

À bientôt!

Cinema Silencioso na Cinemateca Brasileira

Para aqueles que já conhecem e amam ou para os que tem curiosidade em conhecer as produções cinematográficas do chamado “período silencioso” (primeiras décadas do século XX): não percam a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, de 7 a 16 de agosto, na Cinemateca Brasileira !

Além dos filmes silenciosos brasileiros, que têm seu espaço reservado a cada edição do evento, este ano a cinematografia silenciosa francesa ganhará destaque, em virtude do Ano da França no Brasil e das parcerias firmadas entre a nossa cinemateca com a Cinemateca Francesa, com os Arquivos Albert Kahn e ainda com os Arquivos Franceses do Filme/Centro Nacional de Cinematografia.

Na mostra francesa serão exibidas obras clássicas, como os primeiros trabalhos dos irmãos Lumière, os longas “O Homem do Mar” (1920) e  “Maldone” (1928), ambos de Marcel L’Herbier e Jean Grémillon e ainda a adaptação para o cinema do romance de Flaubert, “Salammbo” (1925), de Pierre Marodon. 

salammbo                                                   Salammbo, 1925

O filme “Études sur Paris” (“Estudos sobre Paris, 1928) de André Sauvage será exibido em sessões especiais na Sala São Paulo, de 13 a 16 de agosto, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que tocarão partitura composta exclusivamente para este filme. As produções de Alice Guy, primeira diretora de cinema do mundo!, compõem um dos programas da Jornada, dedicado à coletânea da produtora Gaumont restaurada pela Cinemateca da Suécia.

Études sur Paris                                           Études dur Paris, 1928

Outro programa imperdível é o “Cinema do Povo e os Anarquistas do Cinema“, com filmes realizados pela cooperativa “Cinéma du Peuple – primeira organização anarquista ligada à produção cinematográfica para a divulgação de idéias libertárias entre a classe operária. Destaque para filmes como “La Terroriste” (“A Terrorista”), produzida pela Pathé em 1907 e “La Commune” (“A Comuna”, 1917), de Armand Guerra.

La Terroriste                                           La Terroriste, 1907   

A mostra intitulada “Em Busca do Brasil: a Amazônia Silenciosa” será dedicada aos filmes de expedição à Amazônia, feitos nas primeiras décadas do século XX e a seção “Janela para a América Latina ”  exibirá o maior sucesso do cinema silencioso chileno, a comédia “El Húsar de la muerte” (“O hússar da morte”, 1925) de Pedro Sienna.

El Húsar de la Muerte                                           El Húsar de la Muerte, 1925

Além da exibição de filmes, a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso será palco para três conferências proferidas por Isabelle Marinone, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados do Collegium de Lyon e professora da Universidade Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, que falará sobre as relações entre Anarquismo e cinema na França, tema de sua tese de doutorado, além da conferência inaugural do evento, a cargo de  Caroline Patte, pesquisadora do Centro Nacional de Cinematografia, que abordará o cinema silencioso francês conhecido e preservado até os dias de hoje.

 

Serviço: CINEMATECA BRASILEIRA 
                Largo Senador Raul Cardoso, 207 -prox. Metrô V.Mariana
                São Paulo – SP
                Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ah, e o melhor, o evento é grátis! (somente para exibições na Cinemateca)