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“Linha de Passe” agrada tout le monde!

O longa “Linha de Passe” de Walter Salles e Daniela Thomas, exibido no último sábado no Festival de Cannes, foi sucesso de público e crítica.

Elogiado pelo seu realismo e pela atuação de seus atores, o filme (que foi rodado na Cidade Líder, em SP) recebeu elogios da crítica internacional. O que mais chamou a atenção no filme de Salles e Thomas foi a forma com que a pobreza e a população da periferia é retratada.

Segundo Salles, sua intenção não era opor-se à tendência, mas sim, falar de uma parte da juventude que não era retratada  – jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade.

Ainda no sábado foi exibido “Er Shi Cheng Ji” (24 Cidades), de Jia Zhang-ke. Ontem, foi a vez de “Gomorra” (Camorra), do cineasta italiano Matteo Garrone e de “Serbis”, do filipino Brillante Mandoza.

Cena de “Linha de Passe”

Três chances!

Então, eu comentei que o recente longa do cineasta Fernando Meirelles, “Ensaio sobre a cegueira” (Blindness), irá abrir o 61º Festival de Cannes.

E também comentei que o filme concorre à Palma de Ouro, certo?

O que eu não contei ainda é que além deste, outros 2 filmes brasileiros concorrem no festival.

O “rival” de Meirelles pela Palma de Ouro é “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas.

E o bom da história é que ambos encantaram Thierry Frémaux, diretor-artístico do festival e o responsável pela escolha dos competidores.

Enquanto “Ensaio sobre a cegueira” traz elenco estrelado (Julianne Moore e Mark Ruffalo nos papéis principais) e tem seu roteiro conhecido, já que foi baseado na obra homônima do autor português José Saramago, o longa de Walter Salles se destaca por oferecer um novo olhar sobre as diferenças sociais do Brasil, sem a violência típica dos filmes daqui.

Com exibição prevista para sábado, “Linha de Passe” conta a história de um jovem craque do futebol, morador da periferia paulistana e que vê no esporte meios de ajudar sua família, enquanto seus irmãos buscam seus próprios caminhos.

Na não menos importante mostra “Um certo Olhar”, quem concorre é “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, estreante na direção. A exibição do filme será na próxima quarta-feira.

Além de poder ganhar o prêmio de melhor filme da mostra, Nachtergaele concorre à Cámera D’Or, prêmio de melhor longa de estréia!

Os vencedores em cada competição serão divulgados no dia 25 de maio.

  

Acima, Julianne Moore e Mark Ruffalo no filme de Fernando Meirelles; em seguida, Daniel de Oliveira em “Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele

Festival dos Melhores Filmes: “Tropa de Elite” e “Jogo de Cena” são os melhores filmes de 2007

A cerimônia de abertura e premiação do 34º Festival Sesc dos Melhores Filmes aconteceu ontem a noite, no Cinesesc, em São Paulo. O ator Dan Stulbach foi o mestre de cerimônias do evento.

Segundo informação veiculada pelo site cineclick.uol.com.br, os grandes vencedores, na opinião da crítica e do público votante (num total de seis mil) foram “Tropa de Elite”, de José Padilha e “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho.

Confira os vencedores:

* Segundo a Crítica:

Melhor Ator – Wagner Moura, por “Tropa de Elite”
Melhor Diretor – Eduardo Coutinho, por “Jogo de Cena”.
Melhor Filme – “Jogo de Cena”
Melhor Atriz – Carla Ribas, por “A Casa de Alice”
Melhor Filme Internacional – “Em Busca da Vida”, de Jia Zangh-ke
Melhor Diretor Internacional – Jia Zangh-ke, por “Em Busca da Vida”
Melhor Ator Internacional – Ulrich Mühe, por “A Vida dos Outros”
Melhor Atriz – Marion Cotillard, por “Piaf, Um Hino ao Amor”.

** Segundo o Público:

Melhor Ator – Wagner Moura, por “Tropa de Elite”.
Melhor Filme – “Tropa de Elite”
Melhor Atriz – Alice Braga, por “A Via Láctea”
Melhor Filme Internacional – “A Vida dos Outros”, de Florian Henckel.
Melhor Diretor Internacional – Alejandro González Iñárritu, por “Babel”.
Melhor Ator Internacional – Gael García Bernal, por “O Passado”
Melhor Atriz – Marion Cotillard, por “Piaf, Um Hino ao Amor”.

O filme “Falsa Loura”, novo longa-metragem de Carlos Reichenbach abriu o festival.

Cena de “Tropa de Elite” e “Jogo de Cena”

Programação Completa do 34º Festival dos Melhores Filmes

O 34º Festival Sesc dos Melhores Filmes que inicia hoje e vai até o próximo dia 24 recebeu nesta edição expressiva votação do público e da crítica, com seis mil votos ao todo.

Será um total de 58 filmes, sendo 20 nacionais e 38 estrangeiros.

Confira a programação completa:

* 8 de abril – terça-feira
14h30 – “A Leste de Bucareste”. Dir: Corneliu Porumboiu. 89 min.
16h30 – “Mais Estranho que a Ficção”. Dir: Marc Forster. 119 min
19h – “A Rainha”. Dir: Stephen Frears. 97 min
21h – “O Passado”. Dir: Hector Babenco. 115 min

* 9 de abril – quarta-feira
14h30 – “Noel, Poeta da Vila”. Dir: Ricardo van Steen. 99 min
16h30 – “Novo Mundo”. Dir: Emanuele Crialese. 120 min
19h – “O Grande Chefe”. Di: Lars Von Trier. 99 min
21h – “Piaf, Um Hino ao Amor”. Dir: Olivier Dahan. 140 min

* 10 de abril – quinta-feira
14h30 – “Cão Sem Dono”. Dir: Beto Brant. 82 min
16h30 – “Babel”. Dir: Alejandro González Iñarritu. 142 min
19h – “Em Paris”. Dir: Christophe Honoré. 92 min
21h – “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”. Dir: Andrew Dominik. 160 min

* 11 de abril – sexta-feira
14h30 – “Notas sobre Um Escândalo”. Dir: Richard Eyre. 92 min
16h30 – “Cheiro do Ralo”. Dir: Heitor Dhalia. 112 min
19h – “A Via Láctea”. Dir: Lina Chamie. 88 min
21h – “Império dos Sonhos”. Dir: David Lynch. 172 min

* 12 de abril – sábado
14h30 – “Baixio das Bestas”. Dir: Claudio Assis. 80 min
16h30 – “Babel”. Dir: Alejandro González Iñarritu. 142 min
19h – “Jogo de Cena”. Dir: Eduardo Coutinho. 105 min
21h – “A Vida dos Outros”. Dir: Florian Henckel von Donnersmarck. 137 min

* 13 de abril – domingo
14h30 – “A Casa de Alice”. Dir: Chico Teixeira. 90 min
16h30 – “Em Busca da Vida”. Dir: Jia Zhang-ke. 108 min
19h – “Maria”. Dir: Abel Ferrara. 91 min
21h – “Tropa de Elite”. Dir: José Padilha. 118 min

* 14 de abril – segunda-feira –
14h30 – “A Culpa é do Fidel”. Dir: Julie Gavras 99 min
16h30 – “À Procura da Felicidade”. Dir: Gabriele Muccino 117 min
19h – “O Violino”. Dir: Francisco Vargas 98 min
21h – “O Sobrevivente”. Dir: Werner Herzog 126 min

* 15 de abril – terça-feira
14h30 – “Não Por Acaso”. Dir: Philippe Barcinski. 90 min
16h30 – “Conduta de Risco”. Dir: Tony Gilroy. 119 min
19h – “Vermelho Como o Céu”. Dir: Cristiano Bortone. 95′ min
21h – “Zodíaco”. Dir: David Fincher. 158 min

* 16 de abril – quarta-feira
14h30 – “A Comédia do Poder”. Dir: Claude Chabrol. 110 min
16h30 – “Cartas de Iwo Jima”. Dir: Clint Eastwood. 140 min
19h – “A Casa de Alice”. Dir: Chico Teixeira. 90 min
21h – “O Passado”. Dir: Hector Babenco. 115 min

* 17 de abril – quinta-feira
14h30 – “Saneamento Básico”. Dir: Jorge Furtado. 112 min
16h30 – “Medos Privados em Lugares Públicos”. Dir: Alain Resnais. 120 min
19h – “Viagem a Darjeeling”. Dir: Wes Anderson. 91 min
21h – “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo”. Dir: Gore Verbinski. 165 min

* 18 de abril – sexta-feira
14h30 – “Proibido Proibir”. Dir: Jorge Duran. 100 min
16h30 – “Pecados Íntimos”. Dir: Todd Field. 130 min
19h – “Quero”. Dir: Carlos Cortez. 90 min
21h – “Tropa de Elite”. Dir: José Padilha. 118 min

* 19 de abril – sábado
14h30 – “A Via Láctea”. Dir: Lina Chamie. 88min
16h30 – “Piaf, Um Hino ao Amor”. Dir: Olivier Dahan. 140 min
19h – “Santiago”. Dir: João Moreira Salles. 79 min
21h – “Uma Mulher Sob Influência”. Dir: John Cassavetes. 155

* 20 de abril – domingo
11h – “As aventuras de Azur e Asmar”. Dir: Michel Ocelot. 99 min
14h30 – “Jogo de Cena”. Dir: Eduardo Coutinho. 105 min
16h30 – “A Vida dos Outros”. Dir: Florian Henckel von Donnersmarck. 137 min
19h – “O Preço da Coragem”. Dir: Michael Winterbottom. 100 min
21h – “No Vale das Sombras”. Dir: Paul Haggis. 124 min

* 21 de abril – segunda-feira
11h – “Ratatoiulle”. Dir: Brad Bird. 118 min
14h30 – “Em Busca da Vida”. Dir: Jia Zhang-ke. 108 min
16h30 – “Ratatoiulle”. Dir: Brad Bird. 118 min
19h – “Cartola”. Dir: Lírio Ferreirra. 85 min
21h – “Lady Chatterley”. Dir: Pascale Ferran. 168 min

* 22 de abril – terça-feira
14h30 – “Possuídos”. Dir: William Friedkin. 102 min
16h30 – “O Amor nos Tempos do Cólera”. Dir: Mike Newell. 139 min
19h – “O Engenho de Zé Lins”. Dir: Vladimir Carvalho. 81 min
21h – “O Último Rei da Escócia”. Dir: Kevin Macdonald. 121 min

* 23 de abril – quarta-feira
14h30 – “Mutum”. Dir: Sandra Kogut. 95 min
16h30 – “A Vida dos Outros”. Dir: Florian Henckel von Donnersmarck. 137 min
19h – “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”. Dir: Silvio Tendler. 89 min.
21h – “O Hospedeiro”. Dir: Joon-ho Bong. 119 min

* 24 de abril – quinta-feira
14h30 – “500 Almas”. Dir: Joel Pizzini. 109 min.
16h30 – “Batismo de Sangue”. Dir: Helvécio Ratton. 110 min
19h – “Carreiras”. Dir: Domingos de Oliveira. 72 min
21h – “Em Busca da Vida”. Dir: Jia Zhang-ke. 108 min

“Pan-Cinema Permanente” e “Cosmonauta Polyakov” surpreendem e levam Troféu É Tudo Verdade

Aconteceu na noite do último sábado, em São Paulo, a premiação do 13º Festival Internacional de Documentários- É Tudo Verdade.

O evento, que foi aberto ao público, contou com a presença de diretores, produtores, além de representantes dos patrocinadores do festival.

A premiação foi marcada pelo tom direto e um pouco confuso, sobretudo no que dizia respeito às traduções dos discursos enviados pelos cineastas estrangeiros premiados.

As surpresas da noite (ao menos para alguns) foram as premiações dos longas – nacional e internacional.

Na Competição Brasileira, “Pan-Cinema Permanente” levou o Troféu É Tudo Verdade de melhor longa-metragem, além do maior prêmio em dinheiro – um valor de R$100.000,00.

O filme, que fala da trajetória do poeta Waly Salomão, demorou 15 anos para ser concluido, segundo as palavras do diretor.

Particularmente, eu esperava que “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, pudesse vencer a competição, mas, no entanto, ganhou somente Menção Honrosa pela sua tocante obra.

Outra Menção Honrosa foi dada a “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, dos diretores Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, filme que, como o nome sugere, relata a meteórica carreira de Wilson Simonal durante as décadas de 1960 e 1970 e o ostracismo decorrente de seu suposto envolvimento com a Polícia Política (DOPS) durante a Ditadura Militar.

Já na competição de curtas, o bem feito “Remo Usai – Um Músico Para o Cinema”, de Bernardo Uzeda leva o troféu de melhor curta-metragem brasileiro e um prêmio de R$ 6.000,00. O curta conta a história do músico Remo Usai, autor de mais de 150 trilhas para curtas e longas brasileiros.

Esta premiação contrariou mais uma vez o meu palpite e “Dossiê Rê Bordosa”, de César Cabral e meu favorito ao prêmio, recebe Menção Honrosa por sua obra que mistura animação com linguagem de documentário. Ótimo curta!

Dentro da Competição Internacional, a cineasta alemã Dana Ranga leva o prêmio de melhor documentário longa-metragem internacional com o seu “Cosmonauta Polyakov” e o libanês “Apenas Um Odor”, de Maher Abi Samra, se destaca como melhor documentário curta-metragem internacional.

Após a premiação os filmes vencedores do festival foram exibidos em sessão especial para o público presente.

Debate com Carla Gallo, diretora de “O Aborto dos Outros”

Após a exibição do longa “O Aborto dos Outros” (Brasil, 2007), a diretora Carla Gallo se dispôs a debater sua obra, hoje à tarde, no Cinesesc,  em São Paulo.

Aqui, breves trechos dessa conversa com o público:

Quando questionada se as pessoas que foram mostradas no documentário viram ou irão ver o filme, Carla Gallo respondeu que elas (mulheres) sabem que o filme está sendo exibido no Festival, mas que, para evitar que se sintam expostas, haverá uma sessão particular para elas.

 Gallo foi questionada também sobre os motivos que a fizeram tocar em um assunto tão polêmico, como é o aborto, num país como o Brasil. Ela responde que duas foram suas principais motivações. A primeira foi o relato de sua mãe, que engravidara dela aos 23 anos, em princípio solteira, de família católica, enfim, numa série de dificuldades. Depois de realizar o exame de ultrassom, sua mãe busca o resultado e se surpreende ao receber junto deste um cartãozinho com um telefone de uma clínica de aborto. Desde então a questão da decisão da mulher sobre a maternidade ficou muito evidente para ela.  Além disso, quando ela mesma (Gallo) decidiu ser mãe, percebeu que a maternidade está envolta por uma série de questões, que vão além das condições econômicas, passando pelas condições psicológicas e emocionais.

 A platéia também perguntou à diretora como ela chegou às mulheres, cujas histórias foram relatadas no filme. Em resposta, Gallo explicou que no início ela tinha apenas um plano em mente e, ao conversar com sua assistente, ambas decidiram que jamais iriam tentar convencer qualquer mulher a falar sobre o assunto. A idéia era simplesmente apresentar suas idéias, sem convencimento. A diretora disse ter conversado com equipes médicas em hospitais e através destas, chegaram a elas. Daí então, elas conversavam e determinavam o limite sobre o ponto onde poderiam ir. Por isso, no filme, há mulher que mostra o rosto, mulher em que rosto é mostrado parcialmente, mulher que só aparece a voz, etc… Algumas, inclusive, chegaram a pedir que fossem utilizados filtros para disfarçar a voz, recurso esse que foi negado pela diretora.

Por fim, quando questionada se há previsão sobre a entrado do filme do circuito de cinema da cidade, Carla Gallo respondeu que já foi fechada uma parceria com um distribuidor, mas que por questões contratuais, ainda não é possível falar em datas. Mas ela espera que o filme chegue a todos, através das exibições nas salas de cinema, depois em dvd, e que ele possa alavancar discussões nas faculdades, entre os grupos interessados e etc.

Crítica “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo

Estamos na metade do 13º É Tudo Verdade 2008. E no meio do evento, com tanta coisa legal sendo exibida, me arrisco a dizer que um filme em especial vai ficar na memória.

Estou falando de “O Aborto dos Outros” (Brasil,2007), de Carla Gallo, que compete no Festival Internacional de Documentários na categoria Melhor Documentário Brasileiro. Tive a oportunidade de conferir a segunda exibição do filme em São Paulo – a primeira aconteceu ontem à noite, no CineSesc. A sessão foi seguida de um interessante debate da diretora com a platéia.

No entanto, falaremos do filme.

O documentário percorre as histórias de mulheres que se submeteram a abortos, legais ou não. Seus dramas, conflitos e medos são expostos de maneira delicada, mas não de forma superficial. O objetivo do filme, segundo Gallo, “foi colocar, no centro do debate, o sentimento feminino, a despeito do Estado e da Igreja”. Trata-se de “um filme sobre a mulher”.

Uma dessas mulheres é a jovem Maria, de apenas 13 anos, vítima de um estupro que a engravidou. É ela quem abre o filme. Sua mãe, católica, explica que sempre foi contrária ao aborto, mas emenda dizendo que, na realidade, só quem passa pela situação sabe o que é certo ou não e que Deus, por mais que condene tal ato, saberá entender a situação.

O processo de abortagem a qual Maria se submete é longo e doloroso. Enquanto aguarda os efeitos da medicação que expulsará o feto de seu ventre, Maria faz desenhos: desenha casas, árvores frondosas e no canto, uma garotinha. Nesse momento, lembramos que estamos vendo a história de uma menina que pedira à sua mãe uma Barbie no Dia das Crianças.

Em seguida, vemos a história de outra mulher. Esta é casada e revela que sempre desejou ser mãe. No entanto, seu bebê é anencéfalo, além de possuir má formação nos rins. A decisão do casal: a interrupção da gravidez no sexto mês. O choro contido revela não apenas a tristeza e a dor de um sonho interrompido, mas também o sentimento de culpa. Seu aborto é amparado pelas leis do Estado, mas não pelas leis de Deus.

Outras histórias se sucedem. O tom é sempre o mesmo. Em nenhum caso os abortos são cometidos desprovidos de dor ou culpa. Em todos os casos porém, o que vemos são mulheres, tendo que justificar para si mesmas e para a sociedade a sua opção de não levar a diante suas gestações indesejadas. Em alguns casos, suas palavras são postas à prova.

É o que mostra o caso da mulher que engravidou, também de uma violência sexual. Após procurar o centro de apoio a mulheres, seu caso foi levado a uma espécie de comissão médica. O único homem da sala questiona, “como que para ter certeza”, se não há a menor possibilidade de falsidade no depoimento da mulher.

Seu aborto é feito. Mas em que condições…

O filme é profundo e toca de maneira peculiar aqueles favoráveis à discriminalização do aborto. E veio num momento importantíssimo da nossa sociedade, que é quando o tema volta a ser discutido dentro da esfera do poder público.

Uma pena que ainda não tenha data definida para entrar no circuito.

Cena do filme “O Aborto dos Outros”