Arquivo para maio \26\UTC 2008

Cinema relembra Maio de 68 em SP

Que este ano comemoramos os 40 anos dos eventos de Maio de 68, isso todo mundo já sabe. Quem mora em SP ou quem está por aqui pode conferir uma agenda cultural extensa dedicada a data. Tem de tudo, literatura, artes plásticas, círculos de debates, mas NADA como o CINEMA para repensar a importância e os desdobramentos destas manifestações, que começaram na França e se estenderam pelo mundo afora, chegando até aqui.

Pensando nisso eu destaquei dois programas bacanas.

o Cine Olido (Av. São João, 473 – Centro) organizou a mostra Maio de 68, que começou no último dia 20 e vai até o próximo dia 8/6. Com exibições gratuitas (ingressos a serem retirados com uma hora de antecedência), é possível ver clássicos do cinema, como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha e uma das referências do Cinema Novo, “Amores Constantes”, de Phillipe Garrel, ou ainda comparar duas obras de Bernardo Bertolucci – “Partner”, filmado no auge do movimento estudantil e “Os Sonhadores”, sua visão dos fatos décadas mais tarde.

Já na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena), acontecerá o debate “Nouvelle Vague”, com presença da pesquisadora Mônica Brincalepe Campo e da escritora Mirian Paglia Costa. Na ocasião será exibido o filme “A Chinesa”, de Jean-Luc Godard. O evento é gratuito e acontece no dia 30/5, das 19h às 21hs (é necessário inscrever-se com antecedência, no site http://www.livrariadavila.com.br/site/eventos/eventos.php).

De cima pra baixo, cenas de “Os Sonhadores”, “Terra em Transe” e “A Chinesa”, na programação sobre Maio de 68

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“Entre les Murs” leva a Palma de Ouro

O júri decidiu e “Entre les Murs” (Entre Paredes), do cineasta francês Laurent Cantet foi o grande vencedor da 61ª edição do Festival de Cannes. Vencedor da Palma de Ouro, o filme, baseado no romance de François Bégaudeau (que atua no longa), narra a história de um professor de literatura que dá aulas numa região marcada pela violência e pobreza.

O prêmio Grand Prix foi concedido ao comentadíssimo “Gomorra”, do italiano Matteo Garrone. O Prêmio do Júri foi dado a “Il Divo” (O Ilustre), de Paolo Sorrentino.

O Brasil,  apesar de não ter faturado a Palma, garantiu lugar de destaque pela atuação de Sandra Corveloni (Linha de Passe), que levou o prêmio de Melhor Atriz. O Melhor Ator foi o porto-riquenho Benicio del Toro (Che), o Melhor Diretor foi o turco Nuri Bilge Ceylan (Três Macacos) e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne foram os premiados pelo roteiro de “O Silêncio de Lorna”.

Na premiação de curtas, levou a Palma de Ouro a produção “Megatron”, do romeno Marian Crisan; a Câmera de Ouro, prêmio concedido ao cineasta estreante, foi  para o inglês Steve McQueen (Hunger).

Foram homenageados com Prêmio Especial a atriz francesa Catherine Deneuve (Un conte de Noël) e o ator e diretor americano Clint Eastwood (Changeling).

Confira o trailler do melhor filme de Cannes 2008, “Les entre Murs”:

Diretor e atores comemoram o prêmio após o anúncio de Robert de Niro

A vencedora do Prêmio de Melhor Atriz, a brasileira Sandra Corveloni, em “linha de Passe”

Festival de Cannes termina hoje!

Pois é, gente, o Festival de Cannes termina hoje. Mas rendeu todo tipo de assunto e, como ainda não terminou de fato, ainda renderá uns dias de notícia.

De Indiana Jones (que exibiu première em sessão de gala) a dobradinha de Rodrigo Santoro (em “Leonera” e em “Che”), dos looks das celebridades ao polêmico filme sobre Diego Maradona (“Maradona by Kusturica”, do bósnio Emir Kusturica), muita água rolou…

A expectativa agora é saber quem leva a melhor de tudo isso. Hoje, será divulgado o nome do merecedor da Palma de Ouro, segundo escolha do júri, presidido por Sean Penn. Há quem desconfie de Penn: o filme “Changeling”, de Clint Eastwood, embora bastante aplaudido, já foi citado como favorito em função da amizade de ambos. Será?

Clint Eastwood e Angelina Jolie, do pseudo-favorito “Changeling”…

… e o júri do Festival: quem será que os agradou, hein?

“Linha de Passe” agrada tout le monde!

O longa “Linha de Passe” de Walter Salles e Daniela Thomas, exibido no último sábado no Festival de Cannes, foi sucesso de público e crítica.

Elogiado pelo seu realismo e pela atuação de seus atores, o filme (que foi rodado na Cidade Líder, em SP) recebeu elogios da crítica internacional. O que mais chamou a atenção no filme de Salles e Thomas foi a forma com que a pobreza e a população da periferia é retratada.

Segundo Salles, sua intenção não era opor-se à tendência, mas sim, falar de uma parte da juventude que não era retratada  – jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade.

Ainda no sábado foi exibido “Er Shi Cheng Ji” (24 Cidades), de Jia Zhang-ke. Ontem, foi a vez de “Gomorra” (Camorra), do cineasta italiano Matteo Garrone e de “Serbis”, do filipino Brillante Mandoza.

Cena de “Linha de Passe”

Tragédias na programação desta sexta, em Cannes

A sempre bela atriz francesa Catherine Deneuve participou hoje do Festival de Cannes, onde esteve com sua filha, Chiara Mastroianni na divulgação do mais recente filme de Arnaud Desplechin, “Un Conte de Noël” (Um Conto de Natal).

O longa narra a história de uma família que, durante as comemorações de natal, confrontam-se com as mágoas do passado, quando os pais tentaram salvar um dos filhos de uma doença degenerativa, tendo outro bebê, que mostrou-se um doador incompatível.

Outro longa divulgado hoje, “Üç Maymun” (Três Macacos), do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, contou com a presença de seu elenco. O drama fala dos segredos e mentiras fomentados pelos membros de uma família. Em meio à um trágico acontecimento toda a verdade ameaça vir à tona.

Ambos integram a seleção dos 22 filmes que concorrem à Palma de Ouro.

Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni no evento em Cannes

 O elenco do longa turco “Três Macacos” no evento de divulgação em Cannes

Confira o trailler de “Un Conte de Noël”:

Subversiva – toujours!

Quem viu e, mais ainda, quem leu a HQ “Persépolis” sabe da relação de sua autora, a franco-iraniana Marjane Satrapi, com o cigarro, vício esse que ela considera um de seus maiores prazeres.

Pois não é que em nome desse prazer ela quebrou o protocolo durante a coletiva de imprensa do júri no Festival de Cannes? Orientados a não fumar durante o evento, Marjane Satrapi disse que, mediante uma situação como aquela, os membros do júri precisariam fumar – “é uma necessidade física”!

E, subversiva como ela é (ou diz ser) acendeu seu cigarro, sendo seguida por Sean Penn e pela atriz francesa Jeanne Balibar.

(Folha S.Paulo)

Marjane e seu cigarrinho em cena do premiado “Persépolis”

Animadoc sobre LÍbano é destaque de hoje em Cannes

O longa “Waltz for Bashir” (Valsa com Bashir), de Ari Folman, foi um dos destaques de hoje do festival.

Único documentário e ao mesmo tempo única animação concorrendo à Palma de Ouro, o filme é baseado na experiência do próprio diretor, ex-combatente do Exército israelense que viu de muito perto o massacre de palestinos pelos libaneses sob o olhar passivo de Israel.

O momento é oportuno já que é comemorado os 60 anos do Estado de Israel.

Também na disputa pela Palma de Ouro, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, foi exibido hoje e teve boa receptividade da imprensa.

Não menos sombrio que o anterior, o filme é um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos. A surpresa fica pela pequena participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, responsável pela briga que culminou no assassinato presente na trama.

Ambos, apesar de densos e de levarem seus temas sombrios à tela, têm boas chances de convencer o presidente do júri, Sean Penn e levarem o prêmio máximo do evento.

Por curiosidade: também integram o júri a “realizadora” iraniana Marjane Satrapi, que no ano anterior concorreu com “Persépolis” (outra animação autobiográfica que fala de guerra) e a atriz Natalie Portman, que é israelense.

Cartaz do anima-documentário “Waltz fos Bashir”, de Ari Folman, presente em Cannes