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15 anos de Dogma!

O Dogma 95, cujo manifesto foi publicado há 15 anos pelos cineastas dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vintenberg, é tema da mostra Dogma 95 – 15 Anos Depois, exibida pela Cinemateca Brasileira, de 27 de julho a 3 de agosto.

Apesar de pequena, a seleção de filmes (quatro ao todo e exclusivamente escandinavos) permite ao público conhecer um pouco do contexto histórico e geográfico de onde surgiu o manifesto, além de traçar um panorama sobre o desenvolvimento e a evolução do estilo, que acabou por influenciar centenas de produções em diferentes lugares do mundo.

Integram a mostra os longas: Os Idiotas (Idioterne, 1998),  obra inaugural ou Dogma #2, de Lars von Trier; Mifune (Mifues sidste sang, 1999 – Dogma #3), de Søren Kragh-Jacobsen, Corações Livres (Elsker dig for evigt, 2001 – Dogma #28), de Susanne Bier e Nas Suas Mãos (Forbrydelser, 2004 – Dogma #34), da cineasta Annette K. Olesen.

Cena de Os Idiotas, de L.v.Trier

Além da exibição dos filmes, está programada para o dia 3 de agosto, às 21h00, palestra sobre o Dogma 95 com a Profª Bodil Marie Stavning Thomsen, da Universidade de Aarhus, Dinamarca, autora de centenas de publicações sobre arte e cultura, em diversos idiomas, inclusive português e também consultora do Festival de Cinema de Aarhus.

Quer saber quais são as 10 regras essenciais (ou “voto de castidade”) do Dogma e a programação da mostra? Está tudo no site da Cinemateca.

Resenha: VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado

Videorrepórteres que atuam na clandestinidade, monges que incitam a revolução e um país autoritário, fechado para o mundo. Esta é a Mianmar na visão do diretor dinamarquês Anders Østergaard, do documentário VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado (Burma VJ: Reporter i et Lukket Land, 2008), vencedor da categoria Melhor Documentário no Festival É Tudo Verdade em 2009 e que retorna ao mesmo evento nesta 15ª edição.

O filme retrata um episódio da complicada história daquele país, submetido ao regime militar há quase cinco décadas: o massacre de monges budistas, líderes de uma série de protestos contra o governo, em 2007, após um aumento abusivo do preço do combustível e da prisão de uma destacada ativista.

Num país autoritário como é o caso de Mianmar, é desnecessário citar o controle do Estado sobre os meios de comunicação. Como forma de evitar que o mundo se esqueça daquele povo e desconheça sua luta, como justifica o próprio narrador da história,  “Joshua” (nome fictício), repórteres independentes assumem a responsabilidade e o risco de registrarem clandestinamente as imagens do cotidiano, permeado de injustiças, repressão e violência. Eles compõem uma rede de cinegrafistas conhecida como Voz Democrática da Birmânia (VDB), com sede em Oslo, Noruega, local onde as imagens são recebidas e retransmitidas para outras locailidades do globo, incluindo a própria Mianmar, que recebe as imagens via transmissão de redes piratas. Desse modo, quando eclodiu o massacre dos monges, em 2007, redes como CNN e BBC puderam noticiar os conflitos, amparadas pelas imagens produzidas de modo secreto e não-autorizado.

O mérito de Østergaard reside no modo como o documentário foi montado. Impedido de filmar nas ruas de Mianmar (o uso de câmeras é proibido no país), e contando apenas com o auxílio do videorrepórter Joshua (refugiado na Tailândia), o cineasta construiu grande parte do documentário com imagens do acervo dos cinegrafistas clandestinos. O resultado é um documentário que consegue segurar a atenção do espectador com suas sequências tensas, cheias de suspense, ao mesmo tempo que cumpre o objetivo principal de seu realizador, que é chamar a atenção do mundo para os problemas daquele país.

Lars von Trier visita o inferno em Cannes!

Exibido ontem no Festival de Cannes e cercado de expectativas, “Antichrist” (Dinamarca/Suécia/ França/ Itália), recente filme do diretor dinamarquês Lars von Trier, não foi muito bem recebido pela crítica presente do evento. Muito pelo contrário, o filme recebeu vaias nas duas exibições voltadas à imprensa, muito diferente do que aconteceu quando resolveu levar às telas de festivais do mundo todo sua obra-prima “Dogville” (2003), quando foi aplaudido de pé.

Na trama, um casal vive o drama de perder o filho pequeno em um acidente doméstico. O marido, que é psicanalista, resolve ajudar a mulher que está seriamente afetada com a perda da criança e propõe como parte do tratamento psicológico um retiro numa floresta com o sugestivo nome de Éden. A partir daí sucedem cenas e mais cenas de tortura, automutilação e sexo explícito. Sim, os atores Willem Dafoe e a belíssima Charlotte Gainsbourg protagonizam cenas de penetração explícita em meio a galhos retorcidos!!!

O trailler nos dá uma boa sugestão do que podemos ver nesse longa de terror psicológico:

Os argumentos contra “Antichrist” vão além das cenas produzidas para chocar. Entre as acusações está a de ser um filme “sexista”. Talvez por causa da personagem de Charlotte Gainsbourg,uma intelectual que busca constestar em tese a teoria de que a mulher é a antítese do mal, e de como a trama se desenrola a partir de então.

charlotte-gainsbourg-antichrist

Durante a coletiva de imprensa realizada ontem, os jornalistas não amenizaram o tom com Trier. Um deles, um norte-americano, chegou a cobrar satisfações do diretor, dizendo que ele deveria explicar e justificar por que fez o filme! As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje. Em resposta, o diretor confessou que não tinha muito a dizer e “devolveu a pedra”, concluindo que achava estranho ter que se justificar com a imprensa, uma vez que ali todos eles eram seus convidados.

Tensões a parte, Trier não deixou de fazer suas piadinhas e provocações já tradicionais, como quando soltou a pérola: “Sou o melhor diretor do mundo. Todos os outros são supervalorizados”. Para ele, o desconforto provocado pelo longa deve-se à temática – sexo e culpa.

Abaixo, o cineasta responsável por sempre produzir “acontecimentos” nos eventos que integra, posa para fotógrafos ao lado de Daffoe e Gainsbourg.

Lars-von-Trier

Com um clima oposto ao de “Antichrist” o diretor inglês Ken Loach arrancou boas risadas da crítica com a comédia “Looking for Eric“, sobre um carteiro que, vivendo uma profunda crise pessoal, confessa suas angústias ao ídolo, o jogador Eric Cantona, cuja presença em seu cotidiano se dá por um pôster na parede de seu quarto. Acontece que um dia o carteiro, que também chama-se Eric (Bishop, aqui interpretado pelo ator Stevens Evets) encontra o verdadeiro Eric Cantona e este lhe dá conselhos a respeito de sua vida.

looking_eric

O ex-jogador de futebol Eric Cantona que fez história no futebol europeu como ídolo da torcida do Manchester United, atuou no filme de Ken Loach. Aos jornalistas presentes em Cannes ele justificou a escolha pela nova profissão de ator, dizendo que como o futebol, o cinema também é um jogo. “A vida é um jogo”, concluiu. Aqui, Cantona e Loach durante a coletiva de imprensa:

cantona_loach_cannes