Arquivo para maio \21\UTC 2010

Ditadores na tela do Cinesesc

O Cinesesc (r.augusta, 2075) inaugura, a partir do próximo domingo, dia 23/05, a Sessão Conhecer, com o propósito de apresentar ao público geral, “não-cinéfilo”,  importantes obras e autores do cinema mundial contemporâneo. E para começar, nada melhor que o cineasta Aleksandr Sokurov, um dos principais nomes do cinema independente russo da atualidade. No programa, foram selecionados três longas que compõem a tetralogia sobre os ditadores do século XX.

Neste primeiro domingo, será exibido Moloch (idem, 1999), que retrata a relação entre Adolph Hitler e sua amante Eva Braun e o encontro de ambos nos Alpes da Baviera, durante a primavera de 1942. Apesar do título (Moloch representa, em várias culturas antigas, uma divindade malévola sempre associada a sacrifícios humanos) ser uma referência direta ao ditador, o foco do filme é, sem dúvida, Eva Braun e seu papel ao lado de Hitler, como única pessoa capaz de, ao mesmo tempo, compreender e desafiá-lo, numa clara demonstração de amor e devoção.

No dia 30/05, será exibido Taurus (Telets, 2001), um retrato delicado dos últimos meses de vida de Lênin. Sua fragilidade física, em decorrência da doença degenerativa, bem como a fragilidade emocional e política, em virtude de seu afastamento compulsório dos assuntos do Partido Comunista, são evidenciados. Bela é a cena onde Lenin (impecavelmente interpretado por Leonid Mozgovoy) relembra momentos de sua vida política ao lado de sua inseparável companheira, Krupskaia, durante um bucólico passeio de domingo. A lenta degradação de Lenin é acompanhada de perto pelo espectador, que pode provar um pouco da agonia e do abandono daquele que foi um dos mais importantes líderes políticos do século passado.

Dia 06/06, é a vez do imperador japonês Hirohito ser retratado em O Sol (Sointse, 2005). O filme mostra o momento em que os americanos desembarcam no Japão, após o imperador instruir o exército japonês a retirar-se do conflito. Apesar da ordem do imperador salvar muitas vidas, os americanos decidem levar Hirohito a um tribunal de guerra. É o encontro entre o general McArthur, comandante das tropas norte-americanas no Pacífico Sul e Hirohito, o ponto central do filme. Embora derrotado, Hirohito insiste em sustentar o teatro em torno da sua imagem, que o torna inatingível.

As sessões acontecem sempre aos domingos, 11hs e são gratuitas (ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência).

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Voilà, c’est Cannes!

Começa hoje a 63ª edição do Festival de Cannes, um dos mais importantes eventos da cinefilia mundial. E o filme que abre oficialmente o evento, às 19h15 (na  França) é Robin Hood, de Ridley Scott. O longa (já comentamos sobre ele aqui nesse Le Champo, lembra?) não participa da Competição Oficial do Festival, que premiará o melhor filme na opinião do júri com a Palma de Ouro, e tem estreia mundial marcada para a próxima sexta-feira, 14.

Crowe, Blanchet e outros, na coletiva de imprensa de Hobin Hood – Cannes

O que mais chama a atenção para esta 63ª edição é a falta de grandes nomes concorrendo à Palma de Ouro, ainda mais se compararmos com a edição anterior, que contava com nomes como Tarantino, Resnais, Almodóvar, Lars von Trier, etc. No lugar, mais produções de origem asiática e da Europa Oriental. E isso é excelente, pois chama atenção para as produções de países menos tradicionais no cinema, como Ucrânia, Tailândia e Chade (alguém aí lembra de um bom filme do Chade??)!

Os nomes mais “conhecidos” estão na mostra paralela, Um Certo Olhar (Un Certain Regard), que traz diretores como Jia Zhang-ke (de “Em Busca da Vida”, “Dong” e “Inútil”), apresentando Hai Shang Chuan Qi (I Wish I Knew), Pablo Trapero, (de “Família Rodante” e “Leonera”), com Carancho, Cristi Puiu (realizador romeno em ascensão, que dirigiu “A Morte do Sr. Lazarescu”), com Aurora, além do mais célebre de todos (aliás, de todo o Festival!), Jean-Luc Godard, que exibe seu Filme Socialismo, no dia 17, paralelamente em Cannes e na internet. Quem quiser ver o filme pela internet terá 48 horas para isso: de 17 a 19 de maio (data em que estreia nos cinemas franceses), ao preço de 7 euros, no site www.filmotv.fr. Espia só um dos seis trailers:

Veja os longas integrantes da Seleção Oficial, que concorrem à Palma de Ouro, cujo júri será presidido nesta edição por Tim Burton:

Another Year” – Mike Leigh (Reino Unido)

Biutiful” – Alejandro Gonzaléz Iñárritu (México)

Copie Conforme” – Abbas Kiarostami (Irã)

Des Hommes et dês Dieux” – Xavier Beauvois (França)

Fair Game” – Doug Liman (EUA)

Hors La Loi” – Rachid Bouchareb (França/Algéria)

La Nostra Vita” – Daniele Luchetti (Itália)

La Princesse de Montpensier” – Bertrand Tavernier (França)

Lung Boonmee Raluek Chat” (Oncle Boonmee Celui Qui se Souvient de Ses Vies Antérieures) – Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)

Outrage” – Takeshi Kitano (Japão)

Poetry” – Lee Chang-dong (Coreia do Sul)

Rizhao Chongqing” – Wang Xiaoshuai (China)

Route Irish” – Ken Loach (Reino Unido) – selecionado de última hora!

Schastye Moe” (Mon Bonheur) – Sergei Loznitsa (Ucrânia)

Szelíd Teremtés – A Frankenstein Terv (Um Garçon Fragile – Le Projet Frankenstein) – Kornél Mundruczó (Hungria)

The Housemaid” – Im Sangsoo (Coreia do Sul)

Tournée” – Mathieu Amalric (França)

Un Homme que Crie” – Mahamat-Saleh Haroun (Chade)

Utomlyonnye Solntsem 2: Predstoyanie” (L’Exode – Soleil Trompreur 2) – Nikita Mikhalkov (Rússia)

Serão exibidos ainda no Festival de Cannes, em outros programas e mostras, os novos filmes de Olivier Assayas, Carlos, de Oliver Stone, Wall Street: Money Never Sleeps, de Woody Allen, You Will Meet a Tall Dark Stranger e o brasileiro 5 x Favela, Por Nos Mesmos, de vários autores.

O Le Champo acompanhará diariamente o Festival e comenta as novidades por aqui!

À bientôt!

Dupla Personalidade!

Começa hoje (05), na Cinemateca Brasileira, a mostra Eu Sou o Outro: a Duplicidade no Cinema. Até o dia 30 de maio, serão exibidas obras clássicas e recentes que têm como característica comum o fato de um personagem assumir, intencionalmente ou não, a personalidade de um outro.

Entre os clássicos, destaque máximo para Persona, de Ingmar Bergman (1966), com Liv Ullmann e Bibi Andersson. O filme trata da relação simbiótica entre duas mulheres, Elizabeth Vogler, atriz de sucesso, e sua enfermeira, Alma, que tenta compreender a razão do silêncio da atriz após uma forte crise emocional.

Serão exibidos também Um Corpo de Cai, de Alfred Hitchcock (1958), Passageiro: Profissão Repórter, de Michelângelo Antonioni (1975), As Duas Vidas de Mattia Pascal, de Mario Monicelli (1985), inspirado na obra de Luigi Pirandello, “O Falecido Mattia Pascal” e A Dupla Vida de Véronique, do polonês Krzysztof Kieslowski (1991).

Entre as produções mais recentes estão Os Infiltrados, de Martin Scorcese (2006), Eu Não estou Lá, de Todd Hayes (2007), que conta, fora de ordem cronológica, os episódios marcantes da vida e obra de Bob Dylan e A Troca, de Clint Eastwood (2008), com Angelina Jolie no papel principal.

Os filmes nacionais selecionados são: A Hora e Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (1965) e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (2007).

Gostou? Confira a programação completa no site da Cinemateca Brasileira

Serviço:

Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – prox. Metrô V.Mariana

Contato: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ingressos: R$ 8 / R$4 (meia-entrada)