Posts Tagged 'Palma de Ouro'

33ª Mostra – Crítica: “A Fita Branca”

Depois dos consagrados “A Professora de Piano” (2001) e “Caché” (2005), Michael Haneke retorna às telas com mais uma obra intrigante. Trata-se de “A Fita Branca”  (Das Weisse Band), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes desse ano.

DasWeisseBand2.JPG

O filme conta a história de um vilarejo protestante situado no norte da Alemanha, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. No lugar figuram personagens típicos, como o poderoso barão e sua abastada família, os camponeses, o pastor, o médico, a parteira, o professor e inúmeras crianças em seus trajes de época. Como também é típico de lugares como este, os trabalhadores são explorados, as mulheres são submissas à figura masculina, as crianças recebem educação rígida e aos jovens não restam outras expectativas além da do casamento.

O cotidiano dessa cidadezinha aparentemente tranquila e pacata é alterado com a ocorrência de estranhos acidentes. O primeiro deles fere gravemente o médico local, derrubado de seu cavalo por um arame amarrado propositalmente a duas árvores no jardim de sua casa. Tanto a comunidade quanto a polícia desconhecem o responsável pelo atentado e, em clima de pavor crescente, adultos e crianças assistem a uma série de violentas tragédias.

Enquanto isso o espectador é levado a observar as relações familiares dos membros do vilarejo que, somadas ao medo dos eventos externos, tornam-se ainda mais ásperas. É aí que conhecemos a origem do título do filme, através da personagem do pastor. Homem extremamente rígido, o sacerdote espera de seus filhos, além de comportamento exemplar, uma conduta tão inocente quanto inalcançável. Como símbolo dessa pureza idealizada, ele ordena à mulher que amarre aos cabelos e às roupas dos filhos adolescentes uma fita branca, como lembrete de suas expectativas. E, na dificuldade de responder aos anseios do pai, as crianças são severamente castigadas.

weisseband

Tão representativa quanto a violência física é a violência moral, destacada pelos diálogos fortes, travados entre várias personagens e com passagens no mínimo, constrangedoras. E ao conhecer um pouco mais sobre a história daquelas pessoas, os estranhos acontecimentos que vitimam sobretudo crianças inocentes tomam ares de ritual punitivo. Mas punição empregada por quem?

Haneke não pretende oferecer respostas, mas sim ferramentas que levem o espectador a refletir sobre o ser humano e seu apelo à violência. O “guia” dessa complicada tarefa é o professor: é ele quem nos narra os fatos partindo de suas observações e dos boatos que corriam à época dos episódios. Analisando e esmiuçando cada crime e as intrincadas relações, esta personagem ao mesmo tempo se mantém alheia daquela esfera brutal, desejando coisas mais simples, como casar-se com sua amada e viver uma vida bucólica e tranquila.

Além do roteiro muito bem construído, “A Fita Branca” destaca-se pela belíssima fotografia em preto-e-branco, cujos contrastes dão ainda mais sobriedade ao enredo. A atuação do elenco infantil merece igual atenção, pois são elas o ponto central da trama, por onde perpassa a crueldade, que poderá deixar (ou não) sementes a serem germinadas no futuro.

pic_228319

Nesta obra, Haneke comprova a tese de que nem sempre é preciso recorrer a métodos complicados ou perversos para inquietar o público. Seu filme é singelo, mas através dessa singeleza ele conta uma história extremamente forte, chocante e comovente, como poucos conseguem fazer.

Anúncios

“Das Weisse Band”, de Michael Haneke, leva a Palma de Ouro em Cannes!

O longa “Das Weisse Band” (“The White Ribbon” ou ainda “A Fita Branca”, em tradução livre), do diretor austríaco Michael Haneke abocanhou o prêmio máximo do 62º Festival de Cannes: a Palma de Ouro!  O filme, que busca retratar a gênese dos totalitarismos, conta a história de uma comunidade protestante de um vilarejo da Alemanha, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial.  O pastor da região impõe aos adolescentes o uso de uma fita branca como símbolo da pureza e da ingenuidade – adjetivos estes que deverão, ao menos em tese, perpetuar ao longo da vida adulta. Estes adjetivos, no entanto, não fazem parte do cotidiano dos moradores do povoado, que a partir de um acidente sofrido pelo médico da região, são surpreendidos com uma série de crimes violentos, cujo foco principal são os jovens. Não há indícios do autor dos crimes e a população local acredita se tratar de um castigo enviado aos adultos em virtude de seus muitos pecados.

A fotografia de “Das Weisse Band”, em P&B, refere-se à iconografia da época retratada no filme e a escolha dos atores, sobretudo das crianças, seguiu uma rigorosa seleção que consumiu seis meses e 7.000 testes. Tudo isso para “encontrar crianças que correspondessem fisicamente às imagens que conhecemos do período”, como justificou Haneke, após a exibição de seu filme, na última quinta-feira.

das_weisse_band

A atriz francesa e Presidende do Júri, Isabelle Huppert declarou ter premiado “um filme extraordinário, e justificou: “Haneke tem um estilo ético. Nesse filme, num tom diferente, ele novamente vai longe na alma humana”. Quando sua obra foi comparada à do cineasta sueco Ingmar Bergman, Haneke hesitou, dizendo que preferia que este fosse visto “como um filme hanekiano, não como um filme bergmaniano”. 

michael_haneke_cannes_palma

Quem também brilhou na cerimônia de ontem foi a atriz francesa Charlotte Gainsbourg. Premiada como “Melhor Atriz” desta edição do Festival, por sua atuação no polêmico “Antichrist“, de Lars von Trier, Gainsbourg agradeceu a Thierry Frémaux e ao Festival de Cannes “pela audácia em selecionar esse filme”. Como já comentado nesse Le Champo, “Antichrist” rendeu as vaias mais fervorosas desta edição, mas as cenas fortes, que incluem automutilação, tortura e sexo explícito convenceram o Júri. 

charlotte_gainsbourg_cannes

O prêmio de “Melhor Ator” foi concedido ao austríaco Christoph Waltz, por sua atuação em “Inglourious Bastards“, de Quentin Tarantino. No filme, ele interpreta o carrasco nazista e multilinguista Hans Landa.

christoph_waltz-cannes

O segundo prêmio mais importante do Festival, o Grande Prêmio do Júri foi concedido ao drama “Un Prophète“, de Jacques Audiard. Vale lembrar que até o fim da Competição Oficial, “Un Prophète” era apontado como favorito a Palma de Ouro.

jacques_audiard_grande_premio_cannes

A surpresa do evento foi a premiação do cineasta filipino Brillante Mendoza como “Melhor Direção” do Festival, deixando críticos (e eu mesma!) de boca aberta. Mendoza foi escolhido o melhor entre nomes de peso, como Almodóvar, Marco Bellocchio e mesmo Alain Resnais. Além disso, seu filme, “Kinatay” foi recebido com certa resistência e algumas vaias. O cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que no ano passado exibiu em Cannes seu “Três Macacos” defendeu o colega filipino declarando que “particularmente, gostei muito (de Kinatay)”.

brillante_mendoza_direção_cannes

Já que falei em Alain Resnais, o cineasta francês foi agraciado com o “Prêmio Especial do Festival de Cannes”. O diretor concorria à Palma com seu “Les Herbes Folles”. A homenagem rendeu um dos pontos altos da cerimônia: Resnais foi aplaudido longamente e de pé pelo público presente no Teatro Lumière, local do evento.

alain_resnais_homenagem_cannes

Confira abaixo os outros premiados no 62º Festival de Cannes:

Prêmio de melhor roteiro: Feng Mei, do filme “Spring Fever” (China)

Prêmio do júri: Fish Tank“, de Andrea Arnold (Reino Unido), e “Thirst”, de Park Chan-Wook (Coreia do Sul)

Palma de Ouro de melhor curta-metragem: Arena“, de João Salaviza (Portugal)

Menção especial (curta-metragem): “The Six Dollar Ffty Man” (Nova Zelândia), de Mark Albiston e Louis Sutherland

Câmera de Ouro (diretor estreante): Warwick Thornton,  de “Samson and Delilah”

Menção especial (prêmio Câmera de Ouro): “Ajami” , de  Scandar Copti e Yaron Shani

Prêmio especial do júri pelo conjunto da carreira: Alan Resnais

Tarantino e Resnais apresentam seus filmes no 8º dia do Festival de Cannes

Ontem foi a vez de Quentin Tarantino e Alain Resnais apresentarem seus filmes, ambos concorrentes à Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Tarantino mostrou o seu (já bastante) comentado “Inglourious Basterds” (EUA), que conta a história de um grupo militar formado por soldados judeus norte-americanos que decidem empreender vingança contra oficiais do Terceiro Reich, ao mesmo tempo que uma sobrevivente do Holocausto tenta castigar os assassinos de sua família. O líder do grupo militar é o tenente Aldo Reiner, interpretado pelo ator Brad Pitt, maior destaque desta produção. Pitt, que aparece de cabelos escuros, adotou um sotaque rural e  caprichou no “ar impedoso” do ten.Reiner, que exige o escalpo dos inimigos nazistas. Dá uma olhada no trailer:

No mais, “Inglourious” é o típico filme de Tarantino. Muita violência, cenas sanguinárias (sobretudo as de escalpamento!), trilha sonora perfeita (outra marca de Tarantino),etc. O diferencial deste filme é justamente a temática –  é um filme de guerra e mais ainda, sobre a Segunda Guerra Mundial. A história se situa entre 1941 e 1944. 

inglorious_bastards

Depois da première dedicada aos jornalistas, Quentin Tarantino afirmou ser este filme o seu “Monte Everest”. De fato, trata-se de uma guinada na carreira européia do diretor, como bem salientou a Ilustrada de hoje. Fazem parte do longa atores de diversas nacionalidades, cada um falando sua língua e apenas um, o ator Christoph Waltz no papel do carrasco nazista Hans Landa, dominando todas elas.

Segundo Tarantino, “não é despropositado considerar (este filme) um sonho de vingança judaica”, porém, o elemento central de “Inglourious Basterds” é outro: “meus personagens mudam o curso da guerra”, declarou. Aqui, a  atriz Mélanie Laurent, Quentin Tarantino, Diane Kruger  e Brad Pitt, durante coletiva de Imprensa em Cannes. A imagem é do site do Festival de Cannes:

tarantino_pitt_cannes

Outro destaque do 8º dia do Festival de Cannes foi a première de “Les Herbes Folles“, do aclamado diretor Alain Resnais. Como já comentado neste Le Champo, no aniversário de 50 anos de seu clássico “Hiroshima, Meu Amor”, concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1959, Resnais apresentou ontem o que poderia ser considerado por alguns uma “comédia romântica”, apesar de sabermos que os filmes de Resnais não podem ser rotulados. Na história, um homem (André Dussollier) apaixona-se imediatamente por uma mulher (Sabine Azéma, musa do diretor) no momento em que devolve sua bolsa, que havia sido roubada e que fora encontrada por ele. O homem é casado, mas passa a telefonar e a escrever para a mulher como se ambos tivessem uma relação estabelecida. Por outro lado, os sentimentos da mulher oscilam entre a aproximação e o afastamento do ser desejado.

les_herbes_folles

Coisas do cinema francês e da sua capacidade de transportar para a tela histórias cotidianas e até mesmo recorrentes, e transformá-las em algo maior. Resnais já havia feito isso em “Hiroshima”, fez muitas outras vezes em muitos de seus filmes e o já lendário “Medos Privados em Lugares Públicos”, há mais de 2 anos em cartaz na cidade de São Paulo comprova a contemporaneidade de seus filmes. 

Aqui, este respeitável senhor de 86 anos, mente incrível, e o elenco de seu novo filme após exibição no Festival de Cannes:

Resnais_cannes_2009

Drama sobre derrota de Mussolini arranca aplausos da plateia de Cannes

O diretor italiano Marco Bellochio concorre à Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme “Vincere” (Itália/França), que trata da história da amante de Mussolini, Ida Dalser e do filho de ambos, que ele renegou. O título “Vincere”, portanto, faz referência à vitória de Dalser sobre Mussolini que, apesar de todos os esforços do Duce para calar sua voz e apagar sua presença internando-a num manicômio, ela sobreviveu à História.

vincere

A idéia de filmar a história de Ida Dalser , segundo Bellochio, vem do fato de que “ela apoiou Mussolini desde o início de sua carreira, inclusive financeiramente, e se tornou uma heroína trágica”. Em 1914, Ida teve um filho com Mussolini, mas a existência de uma amante e de um filho fora do casamento colocava em risco a imagem do político, que começava a se projetar. O diretor optou por utilizar no longa inúmeras imagens de arquivo, porém, mesclou-as à trama “de modo que formassem um corpo único com o filme, e não inseridas como um documentário, com caráter informativo ou pedagógico”, salientou Bellochio durante a coletiva de imprensa, realizada ontem.

O papel de Ida Dasler ficou a cargo da belíssima atriz Giovanna Mezzogiorno (que atuou também em “Palermo Shooting” de Wim Wenders e que foi exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), cuja interpretação mereceu destaque da crítica. Sua intenção, segundo informou aos jornalistas presentes em Cannes era a de destacar  “a complexidade dessa personagem, uma quase feminista que sacrificou sua vida por um homem”. As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje, o do UOL. Mussolini é interpretado pelo ator Filippo Timi.

vincere_mezzogiorno

O filme arrancou aplausos da plateia durante a exibição de ontem, dedicada à imprensa no Festival de Cannes. No entanto, e como muitos diretores, Bellochio preferiu se acautelar quanto ao veredicto do júri: “Aconteça o que acontecer, tenho muito orgulho de ter feito esse filme”, disse aos jornalistas. Abaixo, os atores e diretor durante coletiva de imprensa:

bellocchio_cannes

Cannes recebe bem “Los Abrazos Rotos”, de Almodóvar

Los Abrazos Rotos“, novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar foi recebido com aplausos pela plateia presente na exibição ocorrida ontem, dentro da Competição Oficial pela Palma de Ouro do Festival de Cannes. Apesar disso e segundo informações da AFP, o filme não causou o mesmo furor que “Volver” (2006) ou  ainda”Tudo sobre minha mãe” (1999), presentes nas edições anteriores do Festival.

Los-abrazos-rotos

 

Comparações a parte, “Los Abrazos” é sem dúvida um dos grandes filmes presentes na Competição Oficial. Misturando passado e presente, melodrama e comédia delicada, além da estrutura diferenciada, com a existência de pequenos filmes dentro do filme e sem em nenhum momento descuidar da fluidez da narrativa, o longa-metragem conta a história do cineasta de Mateo Blanco (Lluís Homar) que durante as filmagens de “Chicas y Maletas” (o “filme” dentro do filme e uma nova versão de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, também de Almodóvar!) apaixona-se pela atriz Lena (Penélope Cruz). No entanto, Lena é casada com Ernesto Martel (José Luís Gomez), magnata e produtor do filme. As consequências desse triângulo amoroso são trágicas: além de perder o amor de Lena, Blanco também perde a visão num acidente de carro. Imerso em tantos desastres, o cineasta decide enterrar o nome de Mateo Blanco e adotar em definitivo a identidade de Harry Caine, pseudônimo que já usava para assinar roteiros. Com essa atitude Blanco/Caine não só enterra sua carreira cinematográfica como também sua história de vida e suas lembranças da tragédia. Mas um dia todo o passado virá a tona e Banco/Caine terá que confrontar o passado.

Após a exibição do longa, em encontro com os jornalistas, Almodóvar comparou a atitude de Blanco com a forma que a Espanha lida com o seu passado, marcado pela ditadura franquista. O diretor criticou a Lei da Memória Histórica de seu país alegando que, apesar de entender que “às vezes é preciso esquecer para poder avançar”, chega um momento em que “é necessário afrontar a memória” para que as feridas do passado possam enfim, fechar.

cruz_almodovar_cannes

Quando questionado sobre a presença da “refilmagem” de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1987) neste filme, Almodóvar afirmou que não se trata de uma auto-homenagem, mas que optou por este “porque não precisava pagar direitos autorais”.  O cineasta afirmou ainda que seus próximos filmes poderão destacar mais personagens masculinas que femininas, que é sua marca principal. Mas, ao contrário do que acontece com as mulheres de seus filmes, sempre fortes, os homens em que pensam são sempre horríveis!

Abaixo, Pedro Almodóvar posa para os fotógrafos com o elenco de “Los Abrazos Rotos”. As imagens (esta e a anterior) são do site do Festival:

los_abrazo_rotos_cannes

Três chances!

Então, eu comentei que o recente longa do cineasta Fernando Meirelles, “Ensaio sobre a cegueira” (Blindness), irá abrir o 61º Festival de Cannes.

E também comentei que o filme concorre à Palma de Ouro, certo?

O que eu não contei ainda é que além deste, outros 2 filmes brasileiros concorrem no festival.

O “rival” de Meirelles pela Palma de Ouro é “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas.

E o bom da história é que ambos encantaram Thierry Frémaux, diretor-artístico do festival e o responsável pela escolha dos competidores.

Enquanto “Ensaio sobre a cegueira” traz elenco estrelado (Julianne Moore e Mark Ruffalo nos papéis principais) e tem seu roteiro conhecido, já que foi baseado na obra homônima do autor português José Saramago, o longa de Walter Salles se destaca por oferecer um novo olhar sobre as diferenças sociais do Brasil, sem a violência típica dos filmes daqui.

Com exibição prevista para sábado, “Linha de Passe” conta a história de um jovem craque do futebol, morador da periferia paulistana e que vê no esporte meios de ajudar sua família, enquanto seus irmãos buscam seus próprios caminhos.

Na não menos importante mostra “Um certo Olhar”, quem concorre é “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, estreante na direção. A exibição do filme será na próxima quarta-feira.

Além de poder ganhar o prêmio de melhor filme da mostra, Nachtergaele concorre à Cámera D’Or, prêmio de melhor longa de estréia!

Os vencedores em cada competição serão divulgados no dia 25 de maio.

  

Acima, Julianne Moore e Mark Ruffalo no filme de Fernando Meirelles; em seguida, Daniel de Oliveira em “Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele

É Hoje!

Começa hoje o mais importante festival de cinema do mundo: o Festival de Cannes!

Até o dia 25, tudo o que foi ou será visto e tudo o que há de mais expressivo no cinema mundial será exibido dentro das várias categorias que divide o Festival.

Os números de Cannes são expressivos: são 57 longas-metragens representando 31 países; entre as obras selecionadas, 22 disputam a cobiçadíssima Palma de Ouro e outras 20 concorrem dentro da mostra paralela “Um certo olhar” (un certain regard).

Dentre os 26 curtas-metragens selecionados, 9 integram a competição principal e 17 a sessão Cinéfondation.

Há ainda 14 filmes escalados em mostras paralelas não-competitivas, além do tradicional Cannes Classics, Sessões da Meia-Noite, retrospectivas e homenagens.

Os temas vão de terrorismo às mudanças econômicas na China.

Ter um filme exibido em Cannes não é nada fácil. Neste ano, quase 2.000 longas se submeteram à seleção do festival.

Segundo relato de Thierry Frémaux, diretor-artístico do Festival de Cannes, à Folha de S.Paulo, “o festival leva em conta, muito mais do que os assuntos de que tratam os filmes”.

Ou seja, o “savoir-faire” que tanto se fala é fundamental para a sua escolha e é o que diferencia Cannes de outros festivais ou premiações.

A abertura do Festival está marcada para a noite de hoje, com a exibição de “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness) de Fernando Meirelles, em sessão de gala, filme este que integra a Competição pela Palma de Ouro.

O “onírico” cineasta David Lynch é o responsável pela bela imagem do cartaz do 61º Festival de Cannes