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Cinema e chorinho ao luar!

Nada poderia ser mais poético: ver filmes fofos ao ar livre num dos parques mais emblemáticos da cidade de São Paulo, o Ibirapuera.

É o projeto “Cinema ao Luar”, evento que acontece de hoje (24)  até domingo (26), no Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2), em comemoração do Ano da França ao Brasil. A ideia é fazer aqui algo parecido com os festivais de cinema ao ar livre de Paris, como os que acontecem no Parc La Villete, na capital francesa.

As exibições de filmes franceses serão precedidas por apresentações de música instrumental brasileira, que contará com músicos convidados e com a OBA – Orquestra Brasileira do Auditório.

A programação começa hoje, às 19hs, com show do flautista Carlos Malta + OBA. Em seguida, às 20hs, será exibido ” O Gosto dos Outros“, de Agnès Jaoui (França, 2000), comédia que conta a história de um homem de negócios que se encanta por sua professora de inglês. 

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Amanhã, em sessão que promete concorrência, será a vez do chorinho do maestro Laercio de Freitas que, acompanhado pela OBA, abrirá a exibição de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“, de Jean-Pierre Jeunet (França, 2001), às 18hs. Bem, acho que este filme dispensa comentários, mas se vc ainda não sabe do que se trata, dá uma olhada no trailler:

A apresentação da Banda Mantiqueira, às 17hs e a exibição da comédia “Asterix e Obelix: Missão Cleópatra“, de Alain Chabat (França, 2002) encerram o evento no domingo. 

asterix-e-obelix-missão-cleópatra

 

Ah, e fica a recomendação: vá bem agasalhado e prepare a capa de chuva- as previsões do site climatempo não são lá muito animadoras!

Et bon film!!!

Lars von Trier visita o inferno em Cannes!

Exibido ontem no Festival de Cannes e cercado de expectativas, “Antichrist” (Dinamarca/Suécia/ França/ Itália), recente filme do diretor dinamarquês Lars von Trier, não foi muito bem recebido pela crítica presente do evento. Muito pelo contrário, o filme recebeu vaias nas duas exibições voltadas à imprensa, muito diferente do que aconteceu quando resolveu levar às telas de festivais do mundo todo sua obra-prima “Dogville” (2003), quando foi aplaudido de pé.

Na trama, um casal vive o drama de perder o filho pequeno em um acidente doméstico. O marido, que é psicanalista, resolve ajudar a mulher que está seriamente afetada com a perda da criança e propõe como parte do tratamento psicológico um retiro numa floresta com o sugestivo nome de Éden. A partir daí sucedem cenas e mais cenas de tortura, automutilação e sexo explícito. Sim, os atores Willem Dafoe e a belíssima Charlotte Gainsbourg protagonizam cenas de penetração explícita em meio a galhos retorcidos!!!

O trailler nos dá uma boa sugestão do que podemos ver nesse longa de terror psicológico:

Os argumentos contra “Antichrist” vão além das cenas produzidas para chocar. Entre as acusações está a de ser um filme “sexista”. Talvez por causa da personagem de Charlotte Gainsbourg,uma intelectual que busca constestar em tese a teoria de que a mulher é a antítese do mal, e de como a trama se desenrola a partir de então.

charlotte-gainsbourg-antichrist

Durante a coletiva de imprensa realizada ontem, os jornalistas não amenizaram o tom com Trier. Um deles, um norte-americano, chegou a cobrar satisfações do diretor, dizendo que ele deveria explicar e justificar por que fez o filme! As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje. Em resposta, o diretor confessou que não tinha muito a dizer e “devolveu a pedra”, concluindo que achava estranho ter que se justificar com a imprensa, uma vez que ali todos eles eram seus convidados.

Tensões a parte, Trier não deixou de fazer suas piadinhas e provocações já tradicionais, como quando soltou a pérola: “Sou o melhor diretor do mundo. Todos os outros são supervalorizados”. Para ele, o desconforto provocado pelo longa deve-se à temática – sexo e culpa.

Abaixo, o cineasta responsável por sempre produzir “acontecimentos” nos eventos que integra, posa para fotógrafos ao lado de Daffoe e Gainsbourg.

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Com um clima oposto ao de “Antichrist” o diretor inglês Ken Loach arrancou boas risadas da crítica com a comédia “Looking for Eric“, sobre um carteiro que, vivendo uma profunda crise pessoal, confessa suas angústias ao ídolo, o jogador Eric Cantona, cuja presença em seu cotidiano se dá por um pôster na parede de seu quarto. Acontece que um dia o carteiro, que também chama-se Eric (Bishop, aqui interpretado pelo ator Stevens Evets) encontra o verdadeiro Eric Cantona e este lhe dá conselhos a respeito de sua vida.

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O ex-jogador de futebol Eric Cantona que fez história no futebol europeu como ídolo da torcida do Manchester United, atuou no filme de Ken Loach. Aos jornalistas presentes em Cannes ele justificou a escolha pela nova profissão de ator, dizendo que como o futebol, o cinema também é um jogo. “A vida é um jogo”, concluiu. Aqui, Cantona e Loach durante a coletiva de imprensa:

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32ª Mostra – Crítica: “Made in Italy”

“Made in Italy” é uma crise de identidade em tom de comédia – ou uma comédia sobre crise de identidade… tanto faz!

Luca Morandi é um escritor italiano radicado na França. Seus livros nunca foram best-sellers, sua vida jamais fora organizada e sua família, tampouco compreensível. A confusão que enxerga do alto dos seus 40 anos o faz desejar reviver sua infância na Itália, país que ele idealiza e defende sob todas as coisas. Porém, o falecimento de seu pai o obriga a retornar ao seu país de origem. É quando ele se depara com uma Itália totalmente diferente daquela que sonhava: a história, a arte, a literatura italiana cede lugar a idiotices na tv, protagonizada por uma de suas madrastas, consumismo desenfreado, ignorância intelectual e o Juvi, o time de futebol do pai. 

O que deveria ser um momento de luto e reflexão passa a ser um momento de descontrole e confusão armados pelas várias ex-mulheres e amantes do pai, filhos fora do casamento, dívidas astronômicas e no fundo, um desejo incontrolável de ser como o pai.

Uma frase paea “Made in Italy”: Qualquer semelhança (com nosso país) é mera coincidência!!!

Avaliação Le Champo: Bom!

                                                       Cena de “Made in Italy”.

32ª Mostra – Crítica: “Queime Depois de Ler”

Eis aqui uma excelente comédia. E olha que nem sou fã desse gênero!

Mas o humor negro neste novo filme de Ethan e Joel Coen supera todas as expectativas…

O mote central da história é um CD que contém as memórias de um ex-agente da CIA. De posse deste CD e acreditando no valor das informações contidas nele, dois funcionários de uma academia de ginástica resolvem “negociá-lo” e assim, obter uma boa grana. A partir daí a trama fica cada vez mais surpreendente, cômica e bizarra.

Destaque para a atuação de Brad Pitt, como o instrutor da academia e o sempre ótimo John Malkovich no papel do ex-agente Osbourne Cox. 

Uma palavra para “Queime Depois de Ler”: bizarro.

Avaliação Le Champo: Excelente!