Posts Tagged 'LÍbano'

32ª Mostra – Crítica: “Eu quero ver”

O que acontece quando Catherine Deneuvequer ver o resultado de tantas guerras no Líbano? Os cineastas Joana Hadjithomas e Kalil Joreige armam todo um esquema para atender a sua vontade e, de quebra, temos um documentário.

E o que Deneuve tanto queria ver está lá, no sul do Líbano, exposto a quem qualquer um: estradas repletas de minas; entulhos do que um dia foi casas, milhares delas, depositadas na praia; destruição por todos os lados e, se não bastasse esse cenário, ainda tem os aviões israelenses voando baixo, quebrando a barreira do som em ataques simulados.

No fim, a eterna Belle ju Jour, resplandecente em um jantar em sua homenagem, troca olhaes com o ator Rabiah Mroue, seu companheiro e “guia” nessa aventura encenada!

Catherine Deneuve quer ver… Eu quero acreditar!

Avaliação Le Champo: Regular.                                

                         A atriz francesa e o ator libanês no documentário mais artificial que já vi…

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32ª Mostra – Crítica: “Waltz with Bashir”

O que passa pela cabeça dos organizadores da Mostra Internacional de Cinema de programar para o mesmo – e diga-se de passagem, absurdo! – horário as duas únicas sessões do filme que despertou o interesse de pessoas mundo afora? 

Atraídos pela curiosidade que filmes neste formato traz, embora já não seja novidade o chamado AnimaDoc – e o sucesso de “Persépolis” (2006) está aí para comprovar isso, uma fila de desesperados cinéfilos se formava na bilheteria do Espaço Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, antes das 11 horas da manhã. O filme seria exibido às 23h30.

23h00 e as filas para entrar nas duas salas onde “Waltz with Bashir” seria exibido já estava formada. Algumas “personalidades” do cinema estavam presentes, entre elas a cineasta Daniela Thomas (de “Linha de Passe”) e Hector Babenco, que zanzava de um lado para o outro.

Começa o filme. A ameaça de briga entre dois mau-educados na sala 1 não compromete a exibição. O que se têm à frente é uma animação de boa qualidade, como se fosse imagens reais, somadas a um roteiro impressionante. Como dito antes, trata-se de uma autobiografia onde Ari Folman conta sua experiência no exército israelense na ocasião da Guerra do Líbano (1980), onde além de combatente, fora testemunha ocular do massacre de palestinos empreendido pelo exército libanês. O Le Champo já havia comentado sobre o “Waltz…” em Cannes, lembra?

Se não lembra, não tem problema, eu separei aqui o trailer, somente para esquentar as discussões sobre sua possível indicação ao Oscar por filme estrangeiro. 

Ah, sim, a Avaliação Le Champo: Excelente!

Animadoc sobre LÍbano é destaque de hoje em Cannes

O longa “Waltz for Bashir” (Valsa com Bashir), de Ari Folman, foi um dos destaques de hoje do festival.

Único documentário e ao mesmo tempo única animação concorrendo à Palma de Ouro, o filme é baseado na experiência do próprio diretor, ex-combatente do Exército israelense que viu de muito perto o massacre de palestinos pelos libaneses sob o olhar passivo de Israel.

O momento é oportuno já que é comemorado os 60 anos do Estado de Israel.

Também na disputa pela Palma de Ouro, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, foi exibido hoje e teve boa receptividade da imprensa.

Não menos sombrio que o anterior, o filme é um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos. A surpresa fica pela pequena participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, responsável pela briga que culminou no assassinato presente na trama.

Ambos, apesar de densos e de levarem seus temas sombrios à tela, têm boas chances de convencer o presidente do júri, Sean Penn e levarem o prêmio máximo do evento.

Por curiosidade: também integram o júri a “realizadora” iraniana Marjane Satrapi, que no ano anterior concorreu com “Persépolis” (outra animação autobiográfica que fala de guerra) e a atriz Natalie Portman, que é israelense.

Cartaz do anima-documentário “Waltz fos Bashir”, de Ari Folman, presente em Cannes

Sem o véu, não!

A animação “Persépolis”, de Marjane Satrapi e Vicent Paronnaud, foi vetada no Líbano. O motivo não foi especificado pelas autoridades daquele país, mas é possível deduzir que a forma como foi abordados os temas históricos, como a Revolução Islâmica e as relações do Irã com o Ocidente, tenham sido os responsáveis pela proibição.

Vale lembrar que o próprio governo do Irã já havia criticado o filme e que, mesmo considerado “islamófobo” e “anti-iraniano” pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, uma versão censurada da obra fora exibida nos cinemas iranianos.

“Persépolis” foi premiado do Festival de Cannes de 2007 e indicado ao Oscar de Melhor Animação, perdendo para a produção norte-americana “Ratatouille”, do estúdio Walt Disney/Pixar (o que aliás, foi uma pena!).

 

Cena de “Persépolis”, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
A pequena Marjane, tomando uma geral das Irmãs da Revolução