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33ª Mostra – Crítica: “Os Famosos e Os Duendes da Morte”

Uma pacata cidade do interior. Um garoto de 16 anos e que, como qualquer adolescente, tem um forte sentimento de não-pertencimento ao local. Uma garota que partiu. Um misterioso que chega. Tudo muito folk embalado por “Mr.Tambourine Man”, de Bob Dylan.

Colocando as coisas dessa maneira parece fácil resumir “Os Famosos e os Duendes da Morte”, do jovem, porém talentoso cineasta, Esmir Filho. O longa franco-brasileiro, primeiro da carreira de Filho, foi selecionado para o Festival de Locarno (Suíça) deste ano e traz todos esses elementos para falar de algo mais profundo, embora comum à maioria das pessoas: inadequação e desejo de fuga.

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A história se passa numa cidadezinha alemã no Sul do Brasil, daquelas onde todo mundo conhece (e sabe da vida de) todo mundo e que não faz questão nenhuma de se relacionar com o que está além de suas fronteiras. Nessa esfera claustrofóbica, um garoto “que não tem nome” encontra na internet a redenção: a rede é sua ponte para o mundo exterior, muito mais interessante e cheio de possibilidades. É lá que ele conhece a “menina sem pernas”, com quem partilha sentimentos e a vontade de escapar. A cada um uma característica limitante – falta de nome ou pernas – e também um caminho.

Tudo no filme de Esmir Filho é onírico, abstrato, beira o confuso. Nada é direto, explícito, palpável, embora tudo seja muito intenso. Neste clima marcado por névoa e fumaça, real e virtual se confundem, bem como sentimentos e relações. Há mistério também, encarnado por uma misteriosa figura recém-chegada à cidade e que desperta a ira de uns e o interesse de outros.

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Por toda essa conjunção de elementos, falar de “Os Famosos e os Duendes da Morte” não é tão fácil quanto parece. Melhor é senti-lo. E ouvi-lo. Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I’m not sleepy and there is no place I’m going to”…

Cinema e chorinho ao luar!

Nada poderia ser mais poético: ver filmes fofos ao ar livre num dos parques mais emblemáticos da cidade de São Paulo, o Ibirapuera.

É o projeto “Cinema ao Luar”, evento que acontece de hoje (24)  até domingo (26), no Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2), em comemoração do Ano da França ao Brasil. A ideia é fazer aqui algo parecido com os festivais de cinema ao ar livre de Paris, como os que acontecem no Parc La Villete, na capital francesa.

As exibições de filmes franceses serão precedidas por apresentações de música instrumental brasileira, que contará com músicos convidados e com a OBA – Orquestra Brasileira do Auditório.

A programação começa hoje, às 19hs, com show do flautista Carlos Malta + OBA. Em seguida, às 20hs, será exibido ” O Gosto dos Outros“, de Agnès Jaoui (França, 2000), comédia que conta a história de um homem de negócios que se encanta por sua professora de inglês. 

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Amanhã, em sessão que promete concorrência, será a vez do chorinho do maestro Laercio de Freitas que, acompanhado pela OBA, abrirá a exibição de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“, de Jean-Pierre Jeunet (França, 2001), às 18hs. Bem, acho que este filme dispensa comentários, mas se vc ainda não sabe do que se trata, dá uma olhada no trailler:

A apresentação da Banda Mantiqueira, às 17hs e a exibição da comédia “Asterix e Obelix: Missão Cleópatra“, de Alain Chabat (França, 2002) encerram o evento no domingo. 

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Ah, e fica a recomendação: vá bem agasalhado e prepare a capa de chuva- as previsões do site climatempo não são lá muito animadoras!

Et bon film!!!

32ª Mostra – Crítica: “Che”

Se o resultado de toda histeria coletiva fosse filmes incríveis, “Che” seria imbatível. Com ingressos impossíveis de serem comprados pela internet e com filas que começaram às 9h30 da manhã do dia 30, este foi o filme mais aguardado de toda a Mostra Internacional de Cinema.

O caos perdurou até o início da sessão – na sala 1 do Unibanco Arteplex, por exemplo houve atraso de 1 hora para o início da sessão, além de uma projeção lamentável (problemas de foco, de som, queda de energia etc…). Até mesmo a prometida presença de Benício del Toro decepcionou: ao lado de Rodrigo Santoro e da produtora Laura Bickford, a encenação toda não durou 5 minutos.

Aqui imagens (horríveis, reconhecemos) que tentamos fazer do encontro:

                                                         Rodrigo Santoro e Benício Del Toro

                                                         Aqui, Del Toro, no destaque…

Quanto ao filme, bem… se no primeiro filme você saí da sala gritando “Hasta la victoria, siempre!”, no segundo você fica olhando para o relógio o tempo todo se perguntado: “pôxa, você não vai morrer não, Che?”.

E, ao contrário do que se pode justificar, ou seja, que são momentos da vida do guerrilheiro bastante diferentes, onde no primeiro há a esperança da Revolução Castrista e no segundo a derrocada e morte de Che, acredito que Stevem Soderbergh perde mesmo foi a mão ao dirigir o segundo filme. Este é chato, não têm o mesmo vigor que o primeiro e faz com que todo o encanto do primeiro escoa pelo ralo…

O filme decresce…

Apesar disso, merecem elogios a atuação de Benício del Toro (acho que ele ganha o Oscar!), com a caracterização perfeita do personagem, capaz de mostrar humanidade em Che quando luta e quando sofre de asma e com poucos exageros (como a excessiva imagem dos charutos) e ainda a atuação de Demián Bichir no papel de Fidel Castro – capaz de confundir o espectador nas cenas em P&B.

Avaliação Le Champo para “Che- 1”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Che – 2”: Regular.

Eis aqui o trailler do primeiro filme, “Che – o Argentino”:

 

32ª Mostra – Crítica: “Queime Depois de Ler”

Eis aqui uma excelente comédia. E olha que nem sou fã desse gênero!

Mas o humor negro neste novo filme de Ethan e Joel Coen supera todas as expectativas…

O mote central da história é um CD que contém as memórias de um ex-agente da CIA. De posse deste CD e acreditando no valor das informações contidas nele, dois funcionários de uma academia de ginástica resolvem “negociá-lo” e assim, obter uma boa grana. A partir daí a trama fica cada vez mais surpreendente, cômica e bizarra.

Destaque para a atuação de Brad Pitt, como o instrutor da academia e o sempre ótimo John Malkovich no papel do ex-agente Osbourne Cox. 

Uma palavra para “Queime Depois de Ler”: bizarro.

Avaliação Le Champo: Excelente!

32ª Mostra – Crítica: Representantes Polacos – Varsóvia Sombria e Katyn

Um sábado dedicado a nova e velha Polônia.

Foram exibidas ontem as sessões de “Varsóvia Sombria”, de Christopher Doyle e de “Katyn”, de Andrzej Wajda (lê-se Vaida). 

“Varsóvia Sombria” mostra uma Polônia contemporânea, um país do leste europeu que não prosperou como outros do continente. Varsóvia, sua capital, é cinzenta durante o dia e a noite, bares e clubs servem de ponto de encontro a endinheirados e jovens prostitutas de todas as origens. Num desses clubs está Ojka, personagem central da trama de Doyle. Ela é testumunha do assassinato de um importante político e, mais do que isso, ela é a isca do seu assassinato. Envolvida numa trama cheia de idas e vindas, Ojka, ou Mathilda (seu verdadeiro nome) encontra-se presa entre seu passado e futuro, enquanto membros de uma estranha organização deixam revelar-se pouco a pouco.

Se o roteiro confunde e cansa, a bem trabalhada fotografia chama atenção, remetendo aos trabalhos anteriores de Doyle, como “2046” ou “Anjos Caídos”, de Wong Kar-Wai (Doyle é o diretor de fotografia de ambos). E mesmo não sendo polonês, o diretor australiano consegue, como último respiro, dar mostras do humor tipicamente polaco.

Dica Le Champo: não saia no meio dos créditos!

De Varsóvia para Cracóvia. Da atualidade para a década de 1940. Aqui a Polônia é palco central da Segunda Guerra Mundial, tendo seu território dividido entre os alemães e os soviéticos e milhares de poloneses mortos por ambos. No meio do confronto a floresta de Katyn é testemunha do massacre de oficiais poloneses à mando de Josef Stalin, fato que marcaria para sempre a vida das 4 famílias retratadas na obra de Andrzej Wajda.

Obra-prima, diga-se de passagem. O sentimento nacionalista que existe por trás da intenção de mostrar o episódio histórico de Katyn não torna o filme vulgar ou menos belo. Muito pelo contrário. Cenas de puro lirismo mesclam-se com imagens da época, levando o filme para muito além de uma simples narrativa. Destaque para as atuações de Maja Ostaszewska, que interpreta Anna, esposa de um dos oficiais e de Andrzej Chyra, na pele do Tenente Jerzy. Veja o trailer aqui.

Gênios nascem grandes. Wajda é um deles.

Dica Le Champo: leve lenços…

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Avaliação Le Champo – “Varsóvia Sombria”: regular.

Avaliação La Champo – “Katyn”: Excelente!

 

                                                             Cena de “Varsóvia Sombria”…

 … e o pôster de Katyn.

Mostra Bergman em SP!

Como ando em débito com meus leitores, resolvi me desculpar com uma notícia que com certeza agradará os cinéfilos paulistas de plantão: começa amanhã no HSBC Belas Artes a Mostra “Bergman – 90 anos”!

São 7 títulos do gênio da sétima arte, um por dia (o evento vai até dia 17), sempre as 19h00. E no dia 15, após a exibição de “Gritos e Sussuros” haverá um bate-papo com o crítico de cinema Luiz Carlos Merten, do jornal “O Estado de São Paulo”.

Os filmes de Ingmar Bergman presentes na Mostra são: “Morangos Silvestres” (1957), “O Sétimo Selo” (1956), “A Flauta Mágica” (1975), “O Ovo da Serpente” (1977), “Gritos e Sussuros” (1972), “Da Vida das Marionetes” (1980) e, na quinta-feira, “A Fonte da Donzela” (1959).

Os filmes serão exibidos uma única vez e por isso talvez seja vantajoso comprar o passaporte que dá direito aos 7 filmes. O Valor? Pasme: R$27! Mas se por acaso não quiser rever todos os filmes, os ingressos também serão vendidos individualmente, ao preço de ingresso comum (R$16,00 a inteira).

E aqui um pouquinho de cada filme:

Cena de “Morangos Silvestres”…

…cena de “O Sétimo Selo”…

… uma das cenas mais fofas de “A Flauta Mágica”: Papageno e Papagena!

… a bela Liv Ullman em “O Ovo da Serpente”…

… e também no classico “Gritos e Sussurros”…

… o retorno ao medievalismo nórdico em “A Fonte da Donzela”…

…e o criador de tudo isso, o cineasta sueco Ingmar Bergman!