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Debate com Alina Marazzi, diretora de “Também Queremos as Rosas”

Após a exibição do filme “Também Queremos as Rosas” (Vogliamo Anche le Rose, Italia, Suiça,2007), a diretora Alina Marazzi conversou com a platéia.

Entre outras coisas, Marazzi disse que começou a trabalhar neste documentário há três anos e que, desde então, nunca poderia imaginar que temas pertinentes às décadas de 1960 e 1970 pudessem voltar com tanta força nos dias de hoje.

Segundo a cineasta, questões como as diferenças de gênero são praticamente desconhecidas pelas gerações mais novas da Itália.

Pensando nisso e com o intuito de percorrer histórias de uma geração e de uma época que ela não participou, a diretora foi buscar materiais autênticos, ou seja, fotografias, materiais de arquivo, filmes caseiros e até diários onde constam os depoimentos, pensamentos e indagações que são expostos em sua obra.

Alina Marazzi também falou sobre o alcance que seu filme teve na Itália. Para ela foi “incrível” o fato do filme ter sido exibido no circuito cinematográfico italiano, pois, tratando-se de documentário, isso geralmente não acontece. E que, graças ao apoio das redes de televisão estrangeiras, no caso da Suiça, da Finlândia e também das italianas Rai Cinema e grupo Fox, seu filme teve um bom resultado desde sua estréia, no dia 08 de março deste ano.

A cineasta Alina Marazzi
A cineasta Alina Marazzi
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Crítica “Também Queremos as Rosas”, de Alina Marazzi .

Partindo de uma criativa colagem de noticiários, filmes caseiros, relatos de diários e materiais de arquivo, o longa “Também Queremos as Rosas” (Vogliamo Anche le Rose, Italia, Suiça,2007), de Alina Marazzi retrata as mudanças do comportamento feminino na Itália, nas décadas de 1960 e 1970.

Como se sugerisse uma linha do tempo, o documentário inicia com mulheres questionando a Constituição Italiana da época,  que entre outros pontos, falava da autoridade do marido sobre a mulher, colocava o adultério feminino (e somente feminino) como crime e dizia que o estupro constitui crime contra a moral e não contra a pessoa.

Abriu-se espaço para que mulheres começasssem a discutir e contestar seu papel limitadíssimo na sociedade. Elas negam idéias como casamento, família, filhos, tornar-se “donas-de-casa”. Agora elas querem se emancipar, ganhar as ruas, estudar, trabalhar.

Cenas da presença de mulheres em montadoras de veículos e em outros setores da economia são exibidas, sempre mostrando a dicotomia entre aquelas que querem se libertar das amarras do lar e aquelas outras que vêem no trabalho extra-lar uma sobrecarga de tarefas e responsabilidades.

O desejo de libertação extrapola os limites da vida profissional e encontra no campo afetivo-sexual seu maior expoente. Quem não se lembra da cena de mulheres dançando nuas no Festival de Woodstock?? Pois o filme vai além desta e mostra como as italianas  se impuseram frente à possibilidade do sexo antes do casamento, ao aborto e à contracepção. O embate ideológico com a Igreja, o enfrentamento social que este assunto clama, tudo isso é abordado.

Na da década de 1970, a questão do feminismo é uma questão social. Mulheres organizam-se em grupos, realizam passeatas em favor dos temas femininos, sofrem represálias, ou seja, cenas que povoam nossa cabeça quando falamos dos famosos Anos 70, mas que, segundo a diretora Alina Marazzi, são quase desconhecidas do público mais jovem de seu país.

Nesse ponto, novamente surgem as contradições da mulher que, a essa altura, não sabe mais se deve insistir no antigo modelo comportamental e seguir o marido ou se deve rebelar-se e viver ao seu modo. Fica claro que na Itália, assim como na maioria dos países, o feminismo cresce mas fica longe de atingir todas as mulheres.

Mais que um documentário, o filme é documento em si, retratando a mulher de maneira colorida, divertida, leve e nem um pouco fútil.

É filme pra se ver com a mãe, a filha, as amigas, o marido, enfim, pra ver e rever com todo mundo!

Cena de 'Também Queremos as Rosas', de Alina Marazzi

Cena de Também Queremos as Rosas, de Alina Marazzi