Posts Tagged 'cinema brasileiro'

Uma Mostra de Encher os Olhos e Emocionar o Coração

Não, não estava nos planos, mas esta Mostra com certeza ficará na memória dos cinéfilos e frequentadores do evento que, neste ano, chega à sua 35a. edição.  Isso porque, no dia 14 último, faleceu em São Paulo, Leon Cakoff, fundador e frontman da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, vítima de câncer no cérebro. Em sua homenagem, foi espalhado o pôster com a imagem do “pai da mostra” pelos stands da Central da Mostra, localizada no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073).

Provavelmente haverá, juntamente à famosa vinhetinha animada que abre cada uma das sessões, uma vídeo-homenagem a Cakoff, ou algum outro tipo de homenagem. Razoável para alguém que dedicou mais da metade da vida à chamada Sétima Arte.

Leon Cakoff, o “pai da Mostra”

Falando em vinheta,  a deste ano, juntamente com o cartaz do evento, foi desenhada por ninguém menos que o mestre dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Souza, que cedeu sua personagem Piteco, o lendário homem-das-cavernas, como forma de ilustrar o poder do cinema em dar vida as imagens, arte essa contemplada desde o tempo em que a raça humana vivia em cavernas e brincava com as bruxuleantes sombras das fogueiras. Mais simbólico, impossível!

Piteco, desde os primórdios, fazendo arte!

A exemplo do que acontece todo ano, a Mostra Internacional de Cinema tem como principal objetivo servir de vitrine a respeito daquilo que foi produzido e/ou premiado mundo afora, além de ser uma excelente oportunidade para cineastas iniciantes. Filmes consagrados com a Palma de Ouro (Cannes), Leão de Ouro (Veneza), Urso de Ouro (Berlim) são exibidos lado-a-lado de filmes independentes, muitas vezes concluídos às vésperas do festival e de modo completamente amador.

Entre os mais de 250 filmes que serão exibidos este ano (uma seleção enxuta, é verdade, se compararmos aos mais de 400 dos anos anteriores), alguns soam como imperdíveis, seja pelo mérito da premiação ou pelo burburinho que a polêmica lhe concedeu. Independente do caso, este Le Champo jamais deixaria de destacar, neste curto espaço,  o novo filme de Aleksandr Sokurov, Fausto, premiado com o Leão de Ouro em Veneza e que nesta Mostra será exibido somente na REPESCAGEM (de 4 a 6 de novembro – já estão avisando!!!). Mas, quem é fã mesmo do cineasta, pode ir degustando antes o documentário de Anne Imbert, Aleksandr Sokurov, Questão de Cinema. Outro filme que promete não decepcionar os cinéfilos de carteirinha é O Garoto da Bicicleta, dos geniais irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Muito elogiado em todos os festivais por onde passou, os Dardenne parecem seguir a trilha de sucesso deixada pelas obras anteriores, como A Criança e O Silêncio de Lorna.

Os irmãos Dardenne (re)voltam sua objetiva para o universo criança x adulto

Mathieu Amalric, depois de causar furor com o fabuloso Tournée, traz para a Paris do presente o texto teatral de Pierre Corneille, A Ilusão Cômica, sobre a busca do pai pelo filho que não vê há dez anos e sua relação com um bruxo que possui a capacidade de lhe mostrar a vida do filho durante o tempo em que esteve ausente. Dois filmes andaram “causando”, no bom e no mau sentido, sempre. Um deles é o documentário Os Hipopótamos de Pablo Escobar, acerca do mitológico traficante e seu plano de formar um zoológico particular, ao levar para a Colômbia três hipopótamos e outros animais selvagens. As consequências de sua megalomania, principalmente após sua morte, foi o desequilíbrio ambiental da região e a matança indistinta de animais silvestres. O outro chama-se O Futuro, de Miranda July. Aclamada pelo público e odiada pela crítica, sobretudo a masculina, essa será a oportunidade de ver como o público paulistano reagirá diante da extravagante criatividade da moça.

O Futuro, de Miranda July, é contado sob a ótica de um gato manco e uma camiseta ambulante!

Outros destaques são Oslo, 31 de Agosto, de Joachim Trier, Os Animais me Distraem, de Isabella Rossellini (quem conhece a série Green Porno sabe que talvez seja divertido arriscar neste!), Pater, de Alain Cavalier, Viagem à Lua, Georges Mèliés – colorizado manualmente!!!,  Era Uma Vez Na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, etc..

A Escandinávia e sua tradição em contar histórias sobre recomeços!!!

Outro ponto emocional da Mostra ficará por conta da exibição de clássicos do cinema, como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, (1971),  A Doce Vida de Federico Fellini (1960), Taxi Driver, de Martin Scorcese (1976), além dos nacionais Matar ou Correr, de Carlos Manga (1954), produção da imperiosa Atlântida e da emblemática Xica da Silva, de Cacá Diegues (1976), para citar apenas algumas obras.

Zezé Motta, “de escrava a rainha”, em Xica da Silva.

Quem é habitué da Mostra, sabe que dentro do evento principal há uma série de mostras paralelas. Entre estas, destaque para a que homenageia o russo Sergei Paradjanov (Paradjanov, O Magnífico), sediada no MIS e composta por mais de 60 colagens e desenhos do cineasta. Além disso, serão exibidos 9 de seus filmes. Vale muito a pena ver  Sombras dos Ancestrais Esquecidos, A Cor da Romã e O Trovador de Kerib, uma homenagem ao amigo, Andrei Tarkovski. Cinema russo na veia.

Pôster de “O Trovador de Kerib”

Já o Cinema Nacional não deixa por menos e traz uma lista repleta de nomes valorosos e títulos interessantes. A começar pelo recente filme de Eduardo Coutinho, As Canções, que promete ser sucesso de public e crítica, assim como o aclamado Jogo de Cena. Malditos Cartunistas é um documentário que reune a nata do quadrinho de humor brasileiro, de Ziraldo, Laerte e Angeli até Adão e Fernando Gonsales. No mínimo, hilário! A faceta mais “política/politizada” do programa fica a cargo de Isa Grispum Ferraz, de Marighella, onde tenta reconstruir (ou desconstruir?) o mito em torno do líder comunista e um dos fundadores do PCB. Ana Rieper pega mais leve nas reconstruções de vida, vai atrás das histórias de gente mais simples, contos do cotidiano, tendo como pista o verdadeiro cancioneiro popular, a dita música brega, que domina as rádios do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, no elogiado Vou Rifar Meu Coração, exibido em festivais nacionais. Agora é a vez de São Paulo saber quem toca fundo o coração do povo do Norte do país!

Pra quem ainda não se preparou para a 35a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda há credenciais (passaportes) equivalentes a  40 ingressos, e também credenciais permanentes, que concede entrada a todas as sessões do evento, ao preço de R$ 390,00.  Assinantes da Folha de São Paulo tem 15% de desconto (veja mais em http://www.clubefolha.com.br)

Você pode ainda comprar ingressos avulsos, de um e até quatro dias de antecedência pelo site www.ingresso.com.br ou no dia da sessão, somente na bilheteria do cinema da sessão pretendida.

Agora é preparar o coração e sebo nas canelas, pois a maratona começa hoje e vai até dia 6 de novembro.

E quem é esperto e quer ficar ainda mais por dentro da Mostra Internacional de Cinema acompanha diariamente as resenhas dos filmes aqui, no Blog Le Champo, e em tempo real, as notícias, fofocas, mudanças de programação, entrevistas e qualquer auê pelo Twitter: @lechampo e também no Facebook/lechampo.

À Bientôt, tout le monde!!!

Glauber na faixa!

É o seguinte, a Folha de S.Paulo, em parceria com o Unibanco Artplex, fará sessão do filme “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha, hoje, às 20h. Os ingressos, que são gratuitos, podem ser retirados a partir das 19h na bilheteria do cinema que fica na Rua Frei Caneca, 569 (Shopping Frei Caneca).

Após a exibição do filme haverá bate-papo com Joel Pizzini e Paloma Rocha (a filha de Glauber) – ambos responsáveis pelo documentário “Retrato da Terra” (2004) sobre o cineasta.

Para aqueles que não viram o filme na reestréia (de uma semana!) no Espaço Unibanco Pompéia (já falei sobre aqui), para aqueles que nunca viram este que é um dos filmes mais didáticos de Rocha ou para aqueles que já viram, mas que não se cansam de rever, esta é uma oportunidade boa, não é mesmo?!

Vai por mim – vale muito a pena!

Cena de “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”

SP terá biblioteca pública dedicada à Sétima Arte

Fiquei sabendo ontem, pela Revista da Folha, que no dia 14 deste mês será inaugurada a Biblioteca Roberto Santos, totalmente dedicada ao cinema.

Localizada no bairro do Ipiranga (Rua Cisplatina, 505), o espaço abrigará acervo bibliográfico de 31 mil livros e audiovisual com 500 títulos cinematograficos. Além de disponibilizar todo esse material para consulta, haverá ainda exibições de filmes, shows pautados por trilhas sonoras, cursos e oficinas de roteiro e crítica de cinema.

O nome da biblioteca, Roberto Santos, é uma homenagem ao cienasta do Cinema Novo. Na inauguração serão exibidas duas de suas obras: “Arroz com Feijão” e “Íris Bruzzi”, seguido de um bate-papo com o jornalista Inimá Simões.

Estou na expectativa!!!

+ 10!

Sexta-feira passada foi inaugurado o Espaço Unibanco de Cinema Pompéia, no Bourbon Shopping, na zona oeste da cidade. E, cinéfila como sou, é claro que fui conferir o local de perto!

São dez salas (1.661 lugares) no total. A que eu visitei (sala 9) segue o mesmo padrão das do Unibanco Artplex do Frei Caneca – poltronas confortáveis, espaçosas, boa climatização e som e imagem de qualidade.

Do lado de fora, o que há de bacana são os pôsters de filmes clássicos/antigos afixados ao longo do imenso corredor que dá para as salas. São versões de “O Encouraçado Potemkin”, do Eisenstein, de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, etc.

Aliás, falando em Glauber Rocha, eu fui lá exclusivamente para ver a reestréia de “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), cuja cópia foi restaurada recentemente. Como, no processo de restauração foram utilizados trechos da cópia francesa do filme, torna-se impagável ver as legendas em francês para músicas como “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…”!

Voltando a falar do espaço. Nas bilheterias, nada de guichê, mas um balcão, tudo muito clean. Na bonbonnière, artigos caros como em qualquer cinemão da cidade. Em compensação o café é uma graça, com poltronas e mesinhas (poucas ainda, mas ouvi de fonte confiável que em breve haverá mais) e retratos de estrelas do cinema.

Quem é fã de blockbuster poderá ver “As Crônicas de Nárnia -Príncipe Caspian” e “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” como em qualquer outro lugar, mas quem é chegado num cinema mais ‘alternativo’ poderá ver, além do filme do Glauber Rocha, a Mostra de Cinema Paulista, na sala oito.

Ah, e uma dica de ouro – às quartas-feira o ingresso sai por R$10 a inteira.

Imagem feita pelo site Urbanistas.com.br do Cine Café do Espaço Unibanco Pompéia…

… e a volta de Antonio das Mortes em “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, cuja cópia restaurada é exibida na sala 9 do novo complexo

“Entre les Murs” leva a Palma de Ouro

O júri decidiu e “Entre les Murs” (Entre Paredes), do cineasta francês Laurent Cantet foi o grande vencedor da 61ª edição do Festival de Cannes. Vencedor da Palma de Ouro, o filme, baseado no romance de François Bégaudeau (que atua no longa), narra a história de um professor de literatura que dá aulas numa região marcada pela violência e pobreza.

O prêmio Grand Prix foi concedido ao comentadíssimo “Gomorra”, do italiano Matteo Garrone. O Prêmio do Júri foi dado a “Il Divo” (O Ilustre), de Paolo Sorrentino.

O Brasil,  apesar de não ter faturado a Palma, garantiu lugar de destaque pela atuação de Sandra Corveloni (Linha de Passe), que levou o prêmio de Melhor Atriz. O Melhor Ator foi o porto-riquenho Benicio del Toro (Che), o Melhor Diretor foi o turco Nuri Bilge Ceylan (Três Macacos) e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne foram os premiados pelo roteiro de “O Silêncio de Lorna”.

Na premiação de curtas, levou a Palma de Ouro a produção “Megatron”, do romeno Marian Crisan; a Câmera de Ouro, prêmio concedido ao cineasta estreante, foi  para o inglês Steve McQueen (Hunger).

Foram homenageados com Prêmio Especial a atriz francesa Catherine Deneuve (Un conte de Noël) e o ator e diretor americano Clint Eastwood (Changeling).

Confira o trailler do melhor filme de Cannes 2008, “Les entre Murs”:

Diretor e atores comemoram o prêmio após o anúncio de Robert de Niro

A vencedora do Prêmio de Melhor Atriz, a brasileira Sandra Corveloni, em “linha de Passe”

En Buenos Aires también!!

É, gente, o Brasil está bombando lá fora.

Além do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que eu já comentei aqui, começou ontem outro evento dedicado ao nosso cinema.

Trata-se do I Cine Fest Brasil-Buenos Aires, sediado na capital argentina e uma das etapas do Circuito Inffinito de Festivais, que leva o cinema nacional a nove cidades espalhadas pelo mundo.

O Cine Village Recoleta exibirá até a próxima quarta-feira (14) 12 longas-metragens brasileiros, entre eles o documentário “Vidas”, de Pedro Flores, inédito no Brasil e no exterior.

Dentro da Mostra Competitiva, concorre ao troféu Lente de Cristal – concedido ao melhor filme na escolha do júri popular – os filmes “Andarilho”, de Cao Guimarães, “Sem Controle”, de Cris D’Amato e “Mutum”, de Sandra Kogut, entre outros.

Os filmes “A via láctea”, de Lina Chamie e “Nossa vida não cabe num Opala”, de Reinaldo Pinheiro (recém-premiado na 12ª edição do Cine PE) integram a programação do evento.

                 Fachada do charmoso Cine Village Recoleta, que sediará o evento

Dans Paris!

Começou ontem a 10ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, vitrine do nosso cinema na França.

Até dia 27 de maio, 44 filmes brasileiros serão exibidos em 3 salas de cinema da capital francesa.

Integra o festival a Mostra Competitiva onde 8 produções disputam o prêmio de melhor filme, além das premiações de melhor ator e melhor atriz segundo o júri e também o prêmio concedido pelo público.

Entre os longas selecionados estão “Mutum”, de Sandra Kogut e “Saneamento Básico, O Filme”, de Jorge Furtado. A premiação será divulgada no dia 13 de maio.

Além da mostra competitiva haverá uma retrospectiva dos grandes clássicos (“Terra em Transe”, de Glauber Rocha e “Os Inconfidentes”, de Joaquim Pedro de Andrade, são alguns deles), shows de música brasileira, exposição de fotos e pinturas e debates sobre os 40 anos dos eventos de Maio de 68.

No dia 12 de maio, feriado francês, haverá projeção especial do longa “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho, em comemoração aos 10 anos do festival.

Os diretores Roberto Farias (de “Pra Frente, Brasil” e Assalto ao Trem Pagador”) e Silvio Tendler (dos documentários “Jango” e “Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro”) serão homenageados e terão seus filmes exibidos em retrospectivas paralelas.

Queria eu estar lá agora pra conferir tudo isso de perto!

Cartas da 10ª edição do Festival du Cinéma Brésilien de Paris