Posts Tagged '61º Festival de Cannes'

32ª Mostra – Crítica: “Waltz with Bashir”

O que passa pela cabeça dos organizadores da Mostra Internacional de Cinema de programar para o mesmo – e diga-se de passagem, absurdo! – horário as duas únicas sessões do filme que despertou o interesse de pessoas mundo afora? 

Atraídos pela curiosidade que filmes neste formato traz, embora já não seja novidade o chamado AnimaDoc – e o sucesso de “Persépolis” (2006) está aí para comprovar isso, uma fila de desesperados cinéfilos se formava na bilheteria do Espaço Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, antes das 11 horas da manhã. O filme seria exibido às 23h30.

23h00 e as filas para entrar nas duas salas onde “Waltz with Bashir” seria exibido já estava formada. Algumas “personalidades” do cinema estavam presentes, entre elas a cineasta Daniela Thomas (de “Linha de Passe”) e Hector Babenco, que zanzava de um lado para o outro.

Começa o filme. A ameaça de briga entre dois mau-educados na sala 1 não compromete a exibição. O que se têm à frente é uma animação de boa qualidade, como se fosse imagens reais, somadas a um roteiro impressionante. Como dito antes, trata-se de uma autobiografia onde Ari Folman conta sua experiência no exército israelense na ocasião da Guerra do Líbano (1980), onde além de combatente, fora testemunha ocular do massacre de palestinos empreendido pelo exército libanês. O Le Champo já havia comentado sobre o “Waltz…” em Cannes, lembra?

Se não lembra, não tem problema, eu separei aqui o trailer, somente para esquentar as discussões sobre sua possível indicação ao Oscar por filme estrangeiro. 

Ah, sim, a Avaliação Le Champo: Excelente!

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32ª Mostra – Crítica: “Il Divo” e “Gomorra”

Assistindo “Il Divo”, na sexta-feira passada me perguntei se o cinema italiano não sofre um período de crise. Daí assisti “Gomorra” no sábado e descobri que o problema não é com o cinema italiano, mas sim aqueles cineastas que se sentem atraídos em mostrar sob um viés de humor sarcástico detalhes (muitas vezes conhecidos) da história de seu país.

O tal do “Divo” a quem Paolo Sorrentino se refere é o político Giulio Andreotti. À frente do seu 7º mandato como premiê italiano, Andreotti construiu sua vida pública sob bases não muito confiáveis. Apesar disso e contando sempre com “a vontade de Deus”, Andreotti é um tipo quase intocado, beirando o divino. Mas é quando um dos seus alicerces resolve refugar – no caso a máfia italiana – o divino se vê como mais um mortal, prestes a sucumbir.

“Il Divo” não mostra nada daquilo que não seria possível ver ao dar um “google” em seu nome. Nem a atuação de Toni Sorvillo no papel de Andreotti confere muita graça: é caricata e o excesso de sarcasmo do personagem cansa. Um filme de italianos para italianos, o que lhe garante, neste Le Champo, a avaliação de Regular!

Mas já que falamos de máfia italiaa, porque não falarmos de “Gomorra”. O filme de Matteo Garrone. tanto comentado no festivais por onde passou e premiado em Cannes este ano, realmente mostra a que veio. Retratando a organização intitulada “Camorra”, presente nas províncias de Nápoles e Caserta, o filme mergulha de cabeça no obsuro mundo do crime onde não há escolhas nem segundas chances, somente a obediência. Sem o glamour e o charme da “Cosa Nostra” de “O Poderoso Chefão”, em “Gomorra” tudo é excessivo, feio, sujo, implacável.

Valeu a epopéia para chegar ao Shopping Bourbon e a enorme fila, que disputava os últimos 30 ingressos, isso a duas horas e meia antes do início do filme. Sala cheia, público satisfeito, história contada. É disso que vive o bom cinema.

Avaliação Le Champo: Excelente!

                                                 Cena de “Il Divo”, de Paolo Sorrentino…

                                                 … e o trailer de “Gomorra”, de Matteo Garrone.

32ª Mostra – Crítica:”O Silêncio de Lorna” (Bélgica)

Eis aqui um filme esperado por muitos motivos. Primeiro por se tratar de um filme dos irmãos  Luc e Jean-Pierre Dardenne, diretores consagrados em obras como “A Criança” e “O Filho”. Depois, “O Silêncio de Lorna” foi premiado  em Cannes. Por fim, o filme joga ainda mais lenha na fogueira na discussão sobre o fechamento das fornteiras dos países ricos da Europa à imigrantes, atitudes que beiram a xenofobia em alguns lugares.

Lorna é albanesa e se envolve numa rede de golpistas com a intenção de obter permanência definitiva na Bélgica. O plano é simples: Lorna se casaria com Claudy, jovem belga entregue às drogas. Prevendo a morte do rapaz  devido ao  vício, Lorna se casaria com outro imigrante, agora um russo e assim venderia-lhe o benefício que conquistou com o casamento anterior –  a cidadania belga.

O esforço de Lorna é justificado pelo sonho em abrir uma lanchonete com o namorado albanês Sokol. Dá-se início a uma série de desventuras onde entram em foco a degradação humana e sua tardia e nem sempre possível redenção.

Seria um “mais do mesmo” dos Dardenne, explorando a estética de documentário conhecida em “A Criança”,  a repetição de alguns atores e até a semelhança do cenário, se não fosse a ótima atuação da atriz Arta Dobroshi e um roteiro não só original como real, baseado na história ouvida pelos diretores em 2002.

Uma palavra para “O Silêncio de Lorna”:  o bom de quase sempre.

Avaliação Le Champô: bom

                                  A atriz Arta Dobroshi no filme dos irmão Dardenne

32ª Mostra – Crítica: Tulpan (Suíça, Rússia, Cazaquistão, Polônia)

O incrível filme de Sergei Dvortsevoy narra a história do jovem Asa que, ao ser dispensado da Marinha retorna aos estepes do Cazaquistão em busca da realização de seu sonho. Asa quer tornar-se pastor  de ovelhas. Para tanto ele precisa se casar, condição essencial para que ele ganhe seu primeiro rebanho.

No caso de Asa, esta condição rem nome: Tulpan, moça geniosa em que o rapaz deposita todas as suas esperanças.

A partir deste fato o filme se deserola numa boa mistura de humor e drama, mostrando com a mesma leveza a dura vida no deserto e as animadas investidas de Asa na conquista do coração de sua amada e do seu sonhado rebanho.

Se ele vai ou não atingir seu objetivo, obviamente não direi, mas digo que não foi à toa que Tulpan foi o premiado na seleção “Um Certo Olhar” na última edição do Festival de Cannes.

E cante com eles: “By the rivers of

 Babylon…”!!!

Uma palavra para “Tulpan”: surpreendente.

Avaliação Le hampo: ótimo!

                                       O cazaque Asa, protagonista de Tulpan

“Entre les Murs” leva a Palma de Ouro

O júri decidiu e “Entre les Murs” (Entre Paredes), do cineasta francês Laurent Cantet foi o grande vencedor da 61ª edição do Festival de Cannes. Vencedor da Palma de Ouro, o filme, baseado no romance de François Bégaudeau (que atua no longa), narra a história de um professor de literatura que dá aulas numa região marcada pela violência e pobreza.

O prêmio Grand Prix foi concedido ao comentadíssimo “Gomorra”, do italiano Matteo Garrone. O Prêmio do Júri foi dado a “Il Divo” (O Ilustre), de Paolo Sorrentino.

O Brasil,  apesar de não ter faturado a Palma, garantiu lugar de destaque pela atuação de Sandra Corveloni (Linha de Passe), que levou o prêmio de Melhor Atriz. O Melhor Ator foi o porto-riquenho Benicio del Toro (Che), o Melhor Diretor foi o turco Nuri Bilge Ceylan (Três Macacos) e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne foram os premiados pelo roteiro de “O Silêncio de Lorna”.

Na premiação de curtas, levou a Palma de Ouro a produção “Megatron”, do romeno Marian Crisan; a Câmera de Ouro, prêmio concedido ao cineasta estreante, foi  para o inglês Steve McQueen (Hunger).

Foram homenageados com Prêmio Especial a atriz francesa Catherine Deneuve (Un conte de Noël) e o ator e diretor americano Clint Eastwood (Changeling).

Confira o trailler do melhor filme de Cannes 2008, “Les entre Murs”:

Diretor e atores comemoram o prêmio após o anúncio de Robert de Niro

A vencedora do Prêmio de Melhor Atriz, a brasileira Sandra Corveloni, em “linha de Passe”

Festival de Cannes termina hoje!

Pois é, gente, o Festival de Cannes termina hoje. Mas rendeu todo tipo de assunto e, como ainda não terminou de fato, ainda renderá uns dias de notícia.

De Indiana Jones (que exibiu première em sessão de gala) a dobradinha de Rodrigo Santoro (em “Leonera” e em “Che”), dos looks das celebridades ao polêmico filme sobre Diego Maradona (“Maradona by Kusturica”, do bósnio Emir Kusturica), muita água rolou…

A expectativa agora é saber quem leva a melhor de tudo isso. Hoje, será divulgado o nome do merecedor da Palma de Ouro, segundo escolha do júri, presidido por Sean Penn. Há quem desconfie de Penn: o filme “Changeling”, de Clint Eastwood, embora bastante aplaudido, já foi citado como favorito em função da amizade de ambos. Será?

Clint Eastwood e Angelina Jolie, do pseudo-favorito “Changeling”…

… e o júri do Festival: quem será que os agradou, hein?

“Linha de Passe” agrada tout le monde!

O longa “Linha de Passe” de Walter Salles e Daniela Thomas, exibido no último sábado no Festival de Cannes, foi sucesso de público e crítica.

Elogiado pelo seu realismo e pela atuação de seus atores, o filme (que foi rodado na Cidade Líder, em SP) recebeu elogios da crítica internacional. O que mais chamou a atenção no filme de Salles e Thomas foi a forma com que a pobreza e a população da periferia é retratada.

Segundo Salles, sua intenção não era opor-se à tendência, mas sim, falar de uma parte da juventude que não era retratada  – jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade.

Ainda no sábado foi exibido “Er Shi Cheng Ji” (24 Cidades), de Jia Zhang-ke. Ontem, foi a vez de “Gomorra” (Camorra), do cineasta italiano Matteo Garrone e de “Serbis”, do filipino Brillante Mandoza.

Cena de “Linha de Passe”