Posts Tagged '32ª Mostra Internacional de Cinema'

32ª Mostra – “O Estranho em Mim” leva o prêmio do Júri!

O longa-metragem alemão “O Estranho em Mim” foi o grande vencedor da 32ª edição da Mostra Internacional de Cinema, realizada dia 30/10, no Sesc Pinheiros. O filme da cineasta Emily Atef (eu comentei aqui, lembra?) foi escolhido o melhor por unanimidade pelo Júri.

O prêmio de melhor atriz, segundo o Júri foi para a protagonista de “O Estranho em Mim”, Susanne Wolff. 

O Melhor Longa Estrangeiro de Ficção, segundo o público foi o indiano  “Jodhaa Akbar”, de Ashutosh Gowariker, que conta a história da aliança entre o Imperador muçulmano Jalaluddin Mohammad Akbar e a jovem Jodhaa, filha do Rei hindu Bharmal de Amer.

Melhor Longa Brasileiro de Ficção, segundo o público, foiApenas o Fim”, de Matheus de Souza, também vencedor do Prêmio Teleimage de Finalização.

O prêmio da Crítica de Melhor Filme foi para “Aquele Querido Mês de Agosto”, de Miguel Gomes.

O  Melhor Documentário segundo o Júri de Documentários foi “Crianças da Pira”, de Rajesh S.Jala. Foi premiado ainda com o Prêmio Especial do Júri de Documentários, “KFZ-1348″, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso, e com Menção Especial, “Conhecendo Andrei Tarkovsky”, de Dmitry Trakvosky .

Para o público, o Melhor Documentário Estrangeiro foi “YOUSSOU NDOUR: I Bring what I love”, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e o Melhor Documentário de Longa-Metragem Brasileiro foi “Loki – Arnaldo Batista”, de Paulo Henrique Fontenelle.

O premiado do Festival da Juventude, destinado à estudantes secundaristas da rede pública de ensino (e que quase nunca comparecem, visto a deficiente divulgação entre as escolas, sobretudo às da periferia!) foi “Verônica”, de Maurício Farias. 

Wim Wenders, responsável pela seleção “Carta Branca”, foi homenageado com o Prêmio Humanidade.

E vocês, concordam com esta premiação???

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32ª Mostra – Repescagem: Ingmar Bergman!

A repescagem da 32ª Mostra Internacional de Cinema começa em grande estilo, já que as sessões que se seguem pela próxima semana (até dia 6/11) não prometem ser as mais animadoras.

De qualquer maneira, quem deixou para depois os filmes de Bergman não se arrependeu. Na sexta, dia 31/10 e primeiro dia da repescagem  foram exibidos na Cinemateca Brasileira “Crise” (1946), “Prisão” (1949), “Sede de Paixões” (1949), “Música na Noite” (1948) e “A Hora do Lobo” (1968).

Uma boa oportunidade para atestar a eterna genialidade deste mestre maior do cinema, embora alguns defendam o contrário para estes primeiros filmes da carreira do diretor sueco. 

Recheado de dramas psicológicos, estes primeiros e raros filmes de Bergman trazem consigo a marca principal do diretor, que é a observação do íntimo do ser humano, onde as pessoas agem de acordo com seus interesses e cujo desfecho dificilmente é o desejado. 

Mais filmes de Bergman foram exibidos ontem e hoje na Cinemateca, e quem viu, com certeza tardará a esquecer.

Avaliação Le Champo para “Crise”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Prisão”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Sede de Paixões”: Excelente!

                                    A jovem Nelly em “Crise”, de 1946…

 

                        … a confusa Birgitta-Carolina, de “Prisão”, (1949)…

                             … e as heroínas de “Sede de Paixões”, (1949)

32ª Mostra – Crítica: “Liverpool” e “O’Horten”

O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.

Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.

Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.

Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!

Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!

Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!

Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…

… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer

32ª Mostra – Crítica: “Che”

Se o resultado de toda histeria coletiva fosse filmes incríveis, “Che” seria imbatível. Com ingressos impossíveis de serem comprados pela internet e com filas que começaram às 9h30 da manhã do dia 30, este foi o filme mais aguardado de toda a Mostra Internacional de Cinema.

O caos perdurou até o início da sessão – na sala 1 do Unibanco Arteplex, por exemplo houve atraso de 1 hora para o início da sessão, além de uma projeção lamentável (problemas de foco, de som, queda de energia etc…). Até mesmo a prometida presença de Benício del Toro decepcionou: ao lado de Rodrigo Santoro e da produtora Laura Bickford, a encenação toda não durou 5 minutos.

Aqui imagens (horríveis, reconhecemos) que tentamos fazer do encontro:

                                                         Rodrigo Santoro e Benício Del Toro

                                                         Aqui, Del Toro, no destaque…

Quanto ao filme, bem… se no primeiro filme você saí da sala gritando “Hasta la victoria, siempre!”, no segundo você fica olhando para o relógio o tempo todo se perguntado: “pôxa, você não vai morrer não, Che?”.

E, ao contrário do que se pode justificar, ou seja, que são momentos da vida do guerrilheiro bastante diferentes, onde no primeiro há a esperança da Revolução Castrista e no segundo a derrocada e morte de Che, acredito que Stevem Soderbergh perde mesmo foi a mão ao dirigir o segundo filme. Este é chato, não têm o mesmo vigor que o primeiro e faz com que todo o encanto do primeiro escoa pelo ralo…

O filme decresce…

Apesar disso, merecem elogios a atuação de Benício del Toro (acho que ele ganha o Oscar!), com a caracterização perfeita do personagem, capaz de mostrar humanidade em Che quando luta e quando sofre de asma e com poucos exageros (como a excessiva imagem dos charutos) e ainda a atuação de Demián Bichir no papel de Fidel Castro – capaz de confundir o espectador nas cenas em P&B.

Avaliação Le Champo para “Che- 1”: Excelente!

Avaliação Le Champo para “Che – 2”: Regular.

Eis aqui o trailler do primeiro filme, “Che – o Argentino”:

 

32ª Mostra – Crítica: “Mais Tarde Você Entenderá”

Há aqueles que detestam o cinema de Amos Gitai e com certeza eu não faço parte desse grupo. Ainda mais depois de ver seu último longa, “Mais Tarde Você Entenderá”, cuja temática foge do tradicional conflito Israel x Palestina para mostrar o conflito entre catolicismo x judaísmo.

Com a belíssima atuação de Jeanne Moreau (de “Jules et Jim”) no papel de Rivka, filha de judeus russos perseguidos durante a Segunda Guerra, o filme relata a busca de Victor, filho de Rivka, na construção do passado de sua família, incentivado pelo julgamento de Klaus Barbie, iniciado em 1987 e que acompanha pela televisão. Nessa busca, Victor e sua família decidem viajar até  vilarejo que serviu de esconderijo a seus avós.

Somos agentes da História e essa lição é dada por Gitai com a mesma sensibilidade que permeia seus outros trabalhos (“Free Zone”, “Kadosh”).

Avaliação Le Champo: Excelente!

                   Victor e Rivka conversam em cena de “Mais Tarde Você Compreenderá”, de Amos Gitai

32ª Mostra – Resumo de 29.10 – “Serbis”, “Melodias de Primavera” e “Lições Particulares”

Penúltimo dia de Mostra e alguns filmes de gosto bastante duvidoso.

Começaremos pelo filipino “Serbis”, de Brillante Mendonza. O filme retrata a vida de uma família numerosa, que cuida e vive num velho cinema pornô. Em meio à pobreza, à falta de perspectivas, às frustrações pessoais e à prostituição crescente e descoordenada dentro da sala de cinema, os membros dessa família são obrigados a lidar com o que há de pior nos outros.

Se a intenção é mostrar a degradação, o feio e o sujo, o filme vai além e deixa que essa sensação de asco pareça descuido do diretor. A intenção de chocar o espectador torna as cenas cansativas e pouco enfadonhas. Melhor seria se fosse um documentário. Avaliação Le Champo: Ruim

O contraponto de “Serbis” é o alemão “Melodias de Primavera”, de Martin Walz. Uma comédia-romântica-musical bastante açucarada, mas que não chega a enjoar. O mote da história é o encontro de duas pessoas problemáticas, Anna, a professora primária com ataques de nervos e Thilo, o frustrado ator que, para se sustentar, tenta vender vinhos por telefone. Um encontro casual e uma paixão arrebatadora e problemas cotidianos, tudo marcado com estrofes musicais. 

Sem pretensões e mais um filme tipo “sessão da tarde”, que não desagrada, porém, está longe de marcar presença num festival. Avaliação Le Champo: Regular!

Por fim o quase polêmico “Lições Particulares”, de Joachim Lafosse. Houve quem o adorou e também os que detestaram esse que chamo de “drama grego sob viés francês”. Jonas, personagem central da trama, é um adolescente cheio de planos mas que pouco se esforça na realização destes. Repetente, filho de pais separados e frente às primeiras experiências sexuais com a garota de gosta, Jonas só encontra apoio no grupo de amigos mais velhos, composto pelo casal Nathalie e Didier e de Pierre. Este último, solidarizado com os sonhos do garoto de seguir seus estudos, oferece seus préstimos de tutor. No entanto, a relação entre ambos estrapola os limites acadêmicos, tornando-se cada vez mais íntima e invasiva. 

Roteiro interessante e boa atuação de Yannick Renier, no papel de Pierre (e também presente no já comentado “Nascidos em 68”), garantem nesse Le Champo a avaliação de Bom!

                                                        Cena do repugnante “Serbis”…

                                                   … do açucarado “Melodias de Primavera”…

… e trailler do intrigante “Lições Particulares”…

 

32ª Mostra – Crítica: “O Estranho em Mim”

Sessão de gala a de “O Estranho em Mim”, hoje a tarde no Espaço Unibanco 3. Alguns integrantes do Júri estavam presentes, como é o caso da cineasta iraniana Samira Makhmalbaf e de Jorge Bodansky, além da própria diretora do longa, Emily Atef, que apresentou sua obra e falou ao público presente.

Seu filme é um retrato íntimo sobre a depressão pós-parto. O casal Rebecca e Julian esperam seu primeiro e desejado filho. Após o parto, uma sensação de dor e desespero invade Rebecca. As obrigações de mãe e as cobranças do marido só pioram as coisas.

Rebecca busca ajuda, faz tratamentos e conta com a benevolência e a compreensão de uma sociedade despreparada e ignorante desta doença, tão frequente e tão pouco comentada. Só pela complexidade do tema, já vale o filme, mas ainda é preciso elogiar o trabalho desenvolvido pelo ator Johann von Buelow, que interpreta o pai da criança.

Avaliação Le Champo: Bom!

                          Cena de “O Estranho em Mim”, de Emily Atef.