Resenha: VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado

Videorrepórteres que atuam na clandestinidade, monges que incitam a revolução e um país autoritário, fechado para o mundo. Esta é a Mianmar na visão do diretor dinamarquês Anders Østergaard, do documentário VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado (Burma VJ: Reporter i et Lukket Land, 2008), vencedor da categoria Melhor Documentário no Festival É Tudo Verdade em 2009 e que retorna ao mesmo evento nesta 15ª edição.

O filme retrata um episódio da complicada história daquele país, submetido ao regime militar há quase cinco décadas: o massacre de monges budistas, líderes de uma série de protestos contra o governo, em 2007, após um aumento abusivo do preço do combustível e da prisão de uma destacada ativista.

Num país autoritário como é o caso de Mianmar, é desnecessário citar o controle do Estado sobre os meios de comunicação. Como forma de evitar que o mundo se esqueça daquele povo e desconheça sua luta, como justifica o próprio narrador da história,  “Joshua” (nome fictício), repórteres independentes assumem a responsabilidade e o risco de registrarem clandestinamente as imagens do cotidiano, permeado de injustiças, repressão e violência. Eles compõem uma rede de cinegrafistas conhecida como Voz Democrática da Birmânia (VDB), com sede em Oslo, Noruega, local onde as imagens são recebidas e retransmitidas para outras locailidades do globo, incluindo a própria Mianmar, que recebe as imagens via transmissão de redes piratas. Desse modo, quando eclodiu o massacre dos monges, em 2007, redes como CNN e BBC puderam noticiar os conflitos, amparadas pelas imagens produzidas de modo secreto e não-autorizado.

O mérito de Østergaard reside no modo como o documentário foi montado. Impedido de filmar nas ruas de Mianmar (o uso de câmeras é proibido no país), e contando apenas com o auxílio do videorrepórter Joshua (refugiado na Tailândia), o cineasta construiu grande parte do documentário com imagens do acervo dos cinegrafistas clandestinos. O resultado é um documentário que consegue segurar a atenção do espectador com suas sequências tensas, cheias de suspense, ao mesmo tempo que cumpre o objetivo principal de seu realizador, que é chamar a atenção do mundo para os problemas daquele país.

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