33ª Mostra – Crítica: “Sussuros ao Vento”

Eis aqui um bom exemplar iraquiano, digno de nota!

Sussuros ao Vento” (Sirta La Gal Ba/ Whisper With the Wind), do cineasta Shahram Alidi, conta a história do velho Mam Baldar, um mensageiro que, de posse de seu rádio gravador e ao volante de sua caminhonete, percorre as montanhas do Curdistão iraquiano, levando e trazendo mensagens para os habitantes da região. Em suas viagens encontra apenas morte, destruição e desespero. São tempos marcados pelo regime de Sadam Hussein e as constantes investidas contra os curdos impede, muitas vezes, Mam Baldar de encontrar os destinatários das mensagens que porta.

whisper

Por outro lado e em meio a tanto sofrimento, Mam Baldar depara-se com tipos exóticos, personagens únicas daquela região eternamente em conflito, como por exemplo um rapaz que traz em seu rosto as inúmeras cicatrizes das batalhas enfrentadas. Ou ainda as mulheres que, feitas prisioneiras, gastam seus últimos anos de vida a empilhar pedras no deserto. A noite, o vento desmancha as pilhas construídas, obrigando-as a retomar o trabalho na manhã seguinte.

Entre suas muitas encomendas, uma é especial. Um comandante guerrilheiro pede ao “Tio Alado” que grave o primeiro choro de seu filho. Mas, ao chegar ao vilarejo indicado pelo homem, Baldar descobre que todas as crianças e mulheres da região foram expulsos para um vale distante. A viagem de Mam Baldar será longa e no caminho ele terá duas certezas: a primeira, que o fim dos conflitos está longe do fim; a segunda, que apesar de tanto sofrimento e dor, a resistência curda se mantêm firme, através da guerrilha e rádio Peshawar (clandestina) e da esperança que renasce em meio às dificuldades.

sussuros_ao_vento

Em seu filme, Alidi recorre às fórmulas típicas de filmes do Oriente-médio, como o frenético apelo à fotografia, onde natureza e poesia se misturam quase que instantaneamente, além de sequências quase que intermináveis e silenciosas. Somados  à atuação de habitantes locais, não profissionais (não-atores) e a existência de tipos exóticos (como o homem preso por consertar rádios), clichês tão comuns e um pouco enjoativos, a metodologia usada pelo cineasta não chega a apagar o brilho da obra. A beleza e a destruição alternam-se, dando um certo movimento e muita graça ao filme.

Vale a pena ver “Sussuros ao Vento”, já que este foi um dos filmes participantes da última Semana da Critica em Cannes.

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1 Response to “33ª Mostra – Crítica: “Sussuros ao Vento””


  1. 1 Cairo Trindade segunda-feira, 16, julho, 12 às 9:53 pm

    me deu mais vontade de ver o filme. cheguei a dar esse título (na tradução, claro) a um poema que devo publicar em breve. gostei do texto: enxuto e objetivo. valeu, hein!


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