Cannes recebe bem “Los Abrazos Rotos”, de Almodóvar

Los Abrazos Rotos“, novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar foi recebido com aplausos pela plateia presente na exibição ocorrida ontem, dentro da Competição Oficial pela Palma de Ouro do Festival de Cannes. Apesar disso e segundo informações da AFP, o filme não causou o mesmo furor que “Volver” (2006) ou  ainda”Tudo sobre minha mãe” (1999), presentes nas edições anteriores do Festival.

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Comparações a parte, “Los Abrazos” é sem dúvida um dos grandes filmes presentes na Competição Oficial. Misturando passado e presente, melodrama e comédia delicada, além da estrutura diferenciada, com a existência de pequenos filmes dentro do filme e sem em nenhum momento descuidar da fluidez da narrativa, o longa-metragem conta a história do cineasta de Mateo Blanco (Lluís Homar) que durante as filmagens de “Chicas y Maletas” (o “filme” dentro do filme e uma nova versão de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, também de Almodóvar!) apaixona-se pela atriz Lena (Penélope Cruz). No entanto, Lena é casada com Ernesto Martel (José Luís Gomez), magnata e produtor do filme. As consequências desse triângulo amoroso são trágicas: além de perder o amor de Lena, Blanco também perde a visão num acidente de carro. Imerso em tantos desastres, o cineasta decide enterrar o nome de Mateo Blanco e adotar em definitivo a identidade de Harry Caine, pseudônimo que já usava para assinar roteiros. Com essa atitude Blanco/Caine não só enterra sua carreira cinematográfica como também sua história de vida e suas lembranças da tragédia. Mas um dia todo o passado virá a tona e Banco/Caine terá que confrontar o passado.

Após a exibição do longa, em encontro com os jornalistas, Almodóvar comparou a atitude de Blanco com a forma que a Espanha lida com o seu passado, marcado pela ditadura franquista. O diretor criticou a Lei da Memória Histórica de seu país alegando que, apesar de entender que “às vezes é preciso esquecer para poder avançar”, chega um momento em que “é necessário afrontar a memória” para que as feridas do passado possam enfim, fechar.

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Quando questionado sobre a presença da “refilmagem” de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1987) neste filme, Almodóvar afirmou que não se trata de uma auto-homenagem, mas que optou por este “porque não precisava pagar direitos autorais”.  O cineasta afirmou ainda que seus próximos filmes poderão destacar mais personagens masculinas que femininas, que é sua marca principal. Mas, ao contrário do que acontece com as mulheres de seus filmes, sempre fortes, os homens em que pensam são sempre horríveis!

Abaixo, Pedro Almodóvar posa para os fotógrafos com o elenco de “Los Abrazos Rotos”. As imagens (esta e a anterior) são do site do Festival:

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