Crítica “Viva Zapatero!”

“Eu realmente gosto de Silvio!”. É justamente esta frase, recheada de ironia que começa o filme da comediante italiana Sabina Guzzanti.

Como sabemos, a idéia do documentário acerca do domínio do premiê italiano Silvio Berlusconi sobre os meios de comunicação do país advém da censura que Guzzanti sofreu quando teve o seu programa Raiot! suspenso da emissora pública Rai, em 2003.

Indignada com a intervenção do governo italiano e a perseguição de jornalistas, humoristas e produtores em seu país, Guzzanti sai a procura de respostas para o fim de seu programa, que teve ótima repercurssão em sua única exibição.

A artista busca a opinião de comediantes da Itália, da Inglaterra e da França – este último, onde é veiculado o  humorístico “Les Guignols de L’Info” – que promove a sátira de políticos através de bem feitas marionetes de Jacques Chirac, Tony Blair, George W. Bush e, lógico, Silvio Berlusconi. (Aliás, se tiver algum tempo e quiser dar boas risadas, digite “We Fuck the World” no search do YouTube e veja a versão da clássica “We are the World” feita pelos Guignols – é de chorar de rir!).

Guzzanti também busca justificativas para a censura do seu programa em frente ao Parlamento Italiano.

Ei, achou parecido com algum outro documentário não tão recente??? Sim, você não está enganado – a estratégia de Sabina Guzzanti é a mesma usada por Michael Moore e a cena, bem, ela lembra muito aquela de “Fahreinheit 11/09”, onde uma pessoa alvoroçada (o documentarista) interpela parlamentares com perguntas capciosas.

Independentemente da legitimidade do documentário, trata-se de um filme que merece ser visto, não pela sua qualidade, mas pelas questões que trata e que só de uma maneira muito enviesada chega até nós – o realmente ilimitável poder de Silvio Berlusconi.

Além disso, o frescor do tema aguça ainda mais a curiosidade do espectador.

Após ser recentemente eleito pela terceira vez na Itália, Silvio Berlusconi (cuja lista de processos na justiça é grande e consta de todo tipo de crime, inclusive o de corrupção) protagoniza a cena que pode justificar muito do que se vê no documentário.

Num encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, Berlusconi sinaliza com as mãos uma arma imaginária apontada em direção a uma jornalista russa que teria feito perguntas de foro íntimo ao presidente russo. E emendou em tom de piada, dizendo ao amigo que se quisesse, poderia trocar os repórteres russos por italianos.

“Viva Zapatero!” estreou mundialmente no Festival de Veneza de 2005 e somente agora chega às nossas telas. É a ocasião perfeita para assisti-lo!

Confira o trailer:

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