Resenha de “Operação Cineasta” – 13º É Tudo Verdade

Na última sexta-feira resolvi ir dar uma espiada no longa “Operação Cineasta” (Operation Filmaker, EUA, 2007), de Nina Davenport.

Não que estivesse assim tão empolgada, como acontece sempre que vejo uma produção norte-americana a respeito dos seus (muitos) desafetos. E de fato não foi algo que tenha me surpreendido, apesar de se tratar de um filme bem feito.

O documentário conta o envolvimento de um jovem estudante de cinema, iraquiano, com a produção do filme “Uma Vida Iluminada” (aquele em que Elijah Wood é um jovem judeu americano e aparece com óculos bobocas!), a convite do diretor Liev Schreiber.

Tudo começa quando Schreiber vê uma matéria produzida pela MTV em que aparece Muthama Mohmed. Na cena, Mohmed mostra os destroços de sua escola e, tendo a catastrófica Bagdad como pano de fundo, fala dos seus sonhos como cineasta e dos lábios de Angelina Jolie.

Abre-se caminho para uma experiência que podemos chamar, no mínimo, de fracassada. Schreiber (como todo “bom” norte-americano), emocionado com a história, manda buscar Mohmed de Bagdad a Praga, onde são rodadas as cenas do tal filme.

O rapaz, por outro lado, emocionado com a oportunidade única e com a beleza dos campos de girassóis da República Tcheca, dá mostras de um temperamento, ora voluntarioso e mimado, ora carismático e consciente dos problemas de seu povo.

Dá-se início a uma série de conflitos entre todos os envolvidos no projeto, incluindo-se a própria diretora do documentário. Davenport foi chamada para registrar a mencionada parceria, mas ao fim das filmagens e do trabalho de Muthama no filme de Liev, acaba sendo engolida pelo grandioso sentimento de culpa que permeia toda a sua obra.

E o documentário segue, mostrando opiniões de várias pessoas sobre o “comportamento ingrato” de Muthama e as inúmeras tentativas, “cheias de amor e paciência” de todos aqueles que cercam o iraquiano.

Imagens dos amigos e da família de Muthama são costuradas ao enredo, sempre mostrando a destruição e os horrores testemunhados por aqueles que vivem num país (obviamente pobre) em guerra. Há inclusive o relato de um amigo de Muthama que, proibido de sair de casa por conta dos bombardeios, clama seu ódio às religiões, principalmente ao Islã e ao país.

Enfim, como disse, todo o filme é uma culpa só e uma cobrança só. Primeiro, o rapaz iraquiano culpa-se da oportunidade mal-administrada por ele e cobra daqueles que o cercam novas chances e inesgotável ajuda; Depois, culpam-se, diretor e produtor americanos das mazelas causadas pelo governo de seu país ao pobre rapaz. E cobram de Mohmed uma postura que não lhe cabe (enquanto jovem de classe média acostumado a ver satisfeitas suas necessidades básicas). Compartilha dessa mesma culpa Davenport, que o acompanha, lhe dá colo, dinheiro e se submete a seu humor intempestivo.

É como se um inseto da boa-vontade e da benevolência mordesse todo aquele que convivesse com a triste história do “menino-iraquiano-vítima-da-guerra” e os obrigasse a algo.

Muita responsabilidade e pouco resultado prático na tela e um sentimentozinho de clichê para o espectador.

A cineasta norte-americana Nina Davenport e o iraquiano Muthama Mohmed
A cineasta norte-americana Nina Davenport e o iraquiano Muthama Mohmed
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