Penúltimo dia de Mostra e alguns filmes de gosto bastante duvidoso.
Começaremos pelo filipino “Serbis”, de Brillante Mendonza. O filme retrata a vida de uma família numerosa, que cuida e vive num velho cinema pornô. Em meio à pobreza, à falta de perspectivas, às frustrações pessoais e à prostituição crescente e descoordenada dentro da sala de cinema, os membros dessa família são obrigados a lidar com o que há de pior nos outros.
Se a intenção é mostrar a degradação, o feio e o sujo, o filme vai além e deixa que essa sensação de asco pareça descuido do diretor. A intenção de chocar o espectador torna as cenas cansativas e pouco enfadonhas. Melhor seria se fosse um documentário. Avaliação Le Champo: Ruim
O contraponto de “Serbis” é o alemão “Melodias de Primavera”, de Martin Walz. Uma comédia-romântica-musical bastante açucarada, mas que não chega a enjoar. O mote da história é o encontro de duas pessoas problemáticas, Anna, a professora primária com ataques de nervos e Thilo, o frustrado ator que, para se sustentar, tenta vender vinhos por telefone. Um encontro casual e uma paixão arrebatadora e problemas cotidianos, tudo marcado com estrofes musicais.
Sem pretensões e mais um filme tipo “sessão da tarde”, que não desagrada, porém, está longe de marcar presença num festival. Avaliação Le Champo: Regular!
Por fim o quase polêmico “Lições Particulares”, de Joachim Lafosse. Houve quem o adorou e também os que detestaram esse que chamo de “drama grego sob viés francês”. Jonas, personagem central da trama, é um adolescente cheio de planos mas que pouco se esforça na realização destes. Repetente, filho de pais separados e frente às primeiras experiências sexuais com a garota de gosta, Jonas só encontra apoio no grupo de amigos mais velhos, composto pelo casal Nathalie e Didier e de Pierre. Este último, solidarizado com os sonhos do garoto de seguir seus estudos, oferece seus préstimos de tutor. No entanto, a relação entre ambos estrapola os limites acadêmicos, tornando-se cada vez mais íntima e invasiva.
Roteiro interessante e boa atuação de Yannick Renier, no papel de Pierre (e também presente no já comentado “Nascidos em 68″), garantem nesse Le Champo a avaliação de Bom!
Cena do repugnante “Serbis”…
… do açucarado “Melodias de Primavera”…
… e trailler do intrigante “Lições Particulares”…







Como é que é?!