O que têm em comum esses dois filmes, “Liverpool”, de Lisandro Alonso e O’Horten, de Bent Hamer? Ambos têm como centro da narrativa a história de um homem solitário, imerso por lembranças do passado e novas perspectivas para o futuro.
Fora isso, os dois são muito diferentes. No caso de “LIverpool”, Farrel é um homem solitário por opção, fechado em suas desconfianças, incapaz de se relacionar com quem quer que seja. Até mesmo com sua mãe, que doente, não reconhece naquela paisagem de gelo a frieza do próprio filho. Farrel é tão difícil , tão denso que faz de “Liverpool” um filme de difícil apreensão para quem não está acostumado com o cinema de Alonso.
Diferente é Odd Horten, do filme de Bent Hamer. O que fez deste homem um solitário foram os 40 anos em que serviu como maquinista da linha entre Oslo-Bergen. Funcionário exemplar e bom companheiro, O’Horten está se aposentando e, com o fim dos rituais diários a que se dedicou por tanto tempo, é chegada a hora de viver uma vida sem scripts prontos. E com isso, se expor a uma vida de aventuras, vida esta tão almejada por sua mãe, Vera, que viu seu sonho de saltar de patins interrompido pelas conveções da sociedade machista que vivia.
Se “Liverpool” é duro e inflexível, “O’Horten” é mais uma bela fábula, típica do cinema norueguês (já disse aqui o quanto admiro o cinema nórdico, né?), onde roteiro, fotografia e Bard Owe são fantásticos!
Avaliação Le Champo para “Liverpool”: Bom!
Avaliação Le Champo para “O’Horten”: Excelente!
Cartaz do filme argentino “Liverpool”, de Lisandro Alonso…
… e trailer do norueguês “O’Horten”, de Bent Hamer



Cena do repugnante “Serbis”…
… do açucarado “Melodias de Primavera”…
Cena de “O Estranho em Mim”, de Emily Atef.
A atriz francesa e o ator libanês no documentário mais artificial que já vi…
Cena de “A Vida Moderna”
Como é que é?!