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Drama sobre derrota de Mussolini arranca aplausos da plateia de Cannes

O diretor italiano Marco Bellochio concorre à Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme “Vincere” (Itália/França), que trata da história da amante de Mussolini, Ida Dalser e do filho de ambos, que ele renegou. O título “Vincere”, portanto, faz referência à vitória de Dalser sobre Mussolini que, apesar de todos os esforços do Duce para calar sua voz e apagar sua presença internando-a num manicômio, ela sobreviveu à História.

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A idéia de filmar a história de Ida Dalser , segundo Bellochio, vem do fato de que “ela apoiou Mussolini desde o início de sua carreira, inclusive financeiramente, e se tornou uma heroína trágica”. Em 1914, Ida teve um filho com Mussolini, mas a existência de uma amante e de um filho fora do casamento colocava em risco a imagem do político, que começava a se projetar. O diretor optou por utilizar no longa inúmeras imagens de arquivo, porém, mesclou-as à trama “de modo que formassem um corpo único com o filme, e não inseridas como um documentário, com caráter informativo ou pedagógico”, salientou Bellochio durante a coletiva de imprensa, realizada ontem.

O papel de Ida Dasler ficou a cargo da belíssima atriz Giovanna Mezzogiorno (que atuou também em “Palermo Shooting” de Wim Wenders e que foi exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), cuja interpretação mereceu destaque da crítica. Sua intenção, segundo informou aos jornalistas presentes em Cannes era a de destacar  ”a complexidade dessa personagem, uma quase feminista que sacrificou sua vida por um homem”. As informações são da Ilustrada (Folha de S.Paulo) de hoje, o do UOL. Mussolini é interpretado pelo ator Filippo Timi.

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O filme arrancou aplausos da plateia durante a exibição de ontem, dedicada à imprensa no Festival de Cannes. No entanto, e como muitos diretores, Bellochio preferiu se acautelar quanto ao veredicto do júri: “Aconteça o que acontecer, tenho muito orgulho de ter feito esse filme”, disse aos jornalistas. Abaixo, os atores e diretor durante coletiva de imprensa:

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32ª Mostra – Crítica: “Il Divo” e “Gomorra”

Assistindo “Il Divo”, na sexta-feira passada me perguntei se o cinema italiano não sofre um período de crise. Daí assisti “Gomorra” no sábado e descobri que o problema não é com o cinema italiano, mas sim aqueles cineastas que se sentem atraídos em mostrar sob um viés de humor sarcástico detalhes (muitas vezes conhecidos) da história de seu país.

O tal do “Divo” a quem Paolo Sorrentino se refere é o político Giulio Andreotti. À frente do seu 7º mandato como premiê italiano, Andreotti construiu sua vida pública sob bases não muito confiáveis. Apesar disso e contando sempre com “a vontade de Deus”, Andreotti é um tipo quase intocado, beirando o divino. Mas é quando um dos seus alicerces resolve refugar – no caso a máfia italiana – o divino se vê como mais um mortal, prestes a sucumbir.

“Il Divo” não mostra nada daquilo que não seria possível ver ao dar um “google” em seu nome. Nem a atuação de Toni Sorvillo no papel de Andreotti confere muita graça: é caricata e o excesso de sarcasmo do personagem cansa. Um filme de italianos para italianos, o que lhe garante, neste Le Champo, a avaliação de Regular!

Mas já que falamos de máfia italiaa, porque não falarmos de “Gomorra”. O filme de Matteo Garrone. tanto comentado no festivais por onde passou e premiado em Cannes este ano, realmente mostra a que veio. Retratando a organização intitulada “Camorra”, presente nas províncias de Nápoles e Caserta, o filme mergulha de cabeça no obsuro mundo do crime onde não há escolhas nem segundas chances, somente a obediência. Sem o glamour e o charme da “Cosa Nostra” de “O Poderoso Chefão”, em “Gomorra” tudo é excessivo, feio, sujo, implacável.

Valeu a epopéia para chegar ao Shopping Bourbon e a enorme fila, que disputava os últimos 30 ingressos, isso a duas horas e meia antes do início do filme. Sala cheia, público satisfeito, história contada. É disso que vive o bom cinema.

Avaliação Le Champo: Excelente!

                                                 Cena de “Il Divo”, de Paolo Sorrentino…

                                                 … e o trailer de “Gomorra”, de Matteo Garrone.

32ª Mostra – Crítica: “Palermo Shooting”

Pode-se dizer que, assim como a vida a morte é tema recorrente no cinema. Pudera, ela é a nossa única certeza e faz parte do cotidiano como muitas outras coisas mais singelas. O que muda, porém, é a forma como estes assuntos serão abordados.

O novo longa de Wim Wenders mostra que ainda é possível explorar a morte com criatividade, sem deixar de lado as referências do passado.

“Palermo Shooting” conta a história de Finn, fotógrafo alemão reconhecido mundialmente e que vive uma vida de excessos – de trabalho, de baladas, de música, de aventuras. A necessidade de repensar sua carreira artística acaba levando Finn à Palermo, Itália. Lá ele passa a ser alvo de um estranho sujeito cuja mira de seu arco está sempre apontada na direção de Finn. É lá também que o fotógrafo encontra Flavia, personagem fundamental na caçada de Finn a este estranho sujeito.

Vida e morte, tudo é a mesma coisa. Uma é a continuação da outra, como um círculo vicioso… E Wenders explora isso com uma naturalidade, humor e delicadeza ímpar. E as homenagens à Ingmar Bergman e MIchelângelo Antonioni fazem (ou pelo menos ME fizeram) chorar…

Uma frase para “Palermo Shooting”: A morte está no divã… converse com ela!

Avaliação Le Champo: Excelente!

32ª Mostra – Crítica: “Made in Italy”

“Made in Italy” é uma crise de identidade em tom de comédia – ou uma comédia sobre crise de identidade… tanto faz!

Luca Morandi é um escritor italiano radicado na França. Seus livros nunca foram best-sellers, sua vida jamais fora organizada e sua família, tampouco compreensível. A confusão que enxerga do alto dos seus 40 anos o faz desejar reviver sua infância na Itália, país que ele idealiza e defende sob todas as coisas. Porém, o falecimento de seu pai o obriga a retornar ao seu país de origem. É quando ele se depara com uma Itália totalmente diferente daquela que sonhava: a história, a arte, a literatura italiana cede lugar a idiotices na tv, protagonizada por uma de suas madrastas, consumismo desenfreado, ignorância intelectual e o Juvi, o time de futebol do pai. 

O que deveria ser um momento de luto e reflexão passa a ser um momento de descontrole e confusão armados pelas várias ex-mulheres e amantes do pai, filhos fora do casamento, dívidas astronômicas e no fundo, um desejo incontrolável de ser como o pai.

Uma frase paea “Made in Italy”: Qualquer semelhança (com nosso país) é mera coincidência!!!

Avaliação Le Champo: Bom!

                                                       Cena de “Made in Italy”.

32ª Mostra – Crítica: “Como um homem sobre a Terra”

O documentário denuncia a violenta trajetória enfrentada por imigrantes etíopes em busca de melhores condições de vida na Itália.

Dirigido pelo italiano Andrea Segre e prelo etíope Dagmawi Yimer, o filme retrata ainda todo o contexto político que não só permite como incentiva a prática de abusos cometidos contra estes imigrantes. Segundo os diretores, em 2003 o presidente italiano Silvio Berlusconi assinou um acordo com a Líbia concedendo àquele país dinheiro e equipamentos em troca da “contenção” de estrangeiros ilegais no país. 

Os relatos, sobretudo das mulheres, vítimas na maioria das vezes de violência sexual, são tocantes.

O único ponto fraco da sessão de hoje, na Reserva Cultural foi a enorme falha na legendagem para o português, o que garantiu um filme quase todo sem legendas. Teríamos ficado bastante contentes se alguma explicação nos fosse dada!

Avaliação Le Champo: Bom

                                   O diretor do documentário é também um refugiado etíope na Itália

Crítica “Viva Zapatero!”

“Eu realmente gosto de Silvio!”. É justamente esta frase, recheada de ironia que começa o filme da comediante italiana Sabina Guzzanti.

Como sabemos, a idéia do documentário acerca do domínio do premiê italiano Silvio Berlusconi sobre os meios de comunicação do país advém da censura que Guzzanti sofreu quando teve o seu programa Raiot! suspenso da emissora pública Rai, em 2003.

Indignada com a intervenção do governo italiano e a perseguição de jornalistas, humoristas e produtores em seu país, Guzzanti sai a procura de respostas para o fim de seu programa, que teve ótima repercurssão em sua única exibição.

A artista busca a opinião de comediantes da Itália, da Inglaterra e da França – este último, onde é veiculado o  humorístico “Les Guignols de L’Info” – que promove a sátira de políticos através de bem feitas marionetes de Jacques Chirac, Tony Blair, George W. Bush e, lógico, Silvio Berlusconi. (Aliás, se tiver algum tempo e quiser dar boas risadas, digite “We Fuck the World” no search do YouTube e veja a versão da clássica “We are the World” feita pelos Guignols – é de chorar de rir!).

Guzzanti também busca justificativas para a censura do seu programa em frente ao Parlamento Italiano.

Ei, achou parecido com algum outro documentário não tão recente??? Sim, você não está enganado – a estratégia de Sabina Guzzanti é a mesma usada por Michael Moore e a cena, bem, ela lembra muito aquela de “Fahreinheit 11/09″, onde uma pessoa alvoroçada (o documentarista) interpela parlamentares com perguntas capciosas.

Independentemente da legitimidade do documentário, trata-se de um filme que merece ser visto, não pela sua qualidade, mas pelas questões que trata e que só de uma maneira muito enviesada chega até nós – o realmente ilimitável poder de Silvio Berlusconi.

Além disso, o frescor do tema aguça ainda mais a curiosidade do espectador.

Após ser recentemente eleito pela terceira vez na Itália, Silvio Berlusconi (cuja lista de processos na justiça é grande e consta de todo tipo de crime, inclusive o de corrupção) protagoniza a cena que pode justificar muito do que se vê no documentário.

Num encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, Berlusconi sinaliza com as mãos uma arma imaginária apontada em direção a uma jornalista russa que teria feito perguntas de foro íntimo ao presidente russo. E emendou em tom de piada, dizendo ao amigo que se quisesse, poderia trocar os repórteres russos por italianos.

“Viva Zapatero!” estreou mundialmente no Festival de Veneza de 2005 e somente agora chega às nossas telas. É a ocasião perfeita para assisti-lo!

Confira o trailer:

Debate com Alina Marazzi, diretora de “Também Queremos as Rosas”

Após a exibição do filme “Também Queremos as Rosas” (Vogliamo Anche le Rose, Italia, Suiça,2007), a diretora Alina Marazzi conversou com a platéia.

Entre outras coisas, Marazzi disse que começou a trabalhar neste documentário há três anos e que, desde então, nunca poderia imaginar que temas pertinentes às décadas de 1960 e 1970 pudessem voltar com tanta força nos dias de hoje.

Segundo a cineasta, questões como as diferenças de gênero são praticamente desconhecidas pelas gerações mais novas da Itália.

Pensando nisso e com o intuito de percorrer histórias de uma geração e de uma época que ela não participou, a diretora foi buscar materiais autênticos, ou seja, fotografias, materiais de arquivo, filmes caseiros e até diários onde constam os depoimentos, pensamentos e indagações que são expostos em sua obra.

Alina Marazzi também falou sobre o alcance que seu filme teve na Itália. Para ela foi “incrível” o fato do filme ter sido exibido no circuito cinematográfico italiano, pois, tratando-se de documentário, isso geralmente não acontece. E que, graças ao apoio das redes de televisão estrangeiras, no caso da Suiça, da Finlândia e também das italianas Rai Cinema e grupo Fox, seu filme teve um bom resultado desde sua estréia, no dia 08 de março deste ano.

A cineasta Alina Marazzi
A cineasta Alina Marazzi

Crítica “Também Queremos as Rosas”, de Alina Marazzi .

Partindo de uma criativa colagem de noticiários, filmes caseiros, relatos de diários e materiais de arquivo, o longa “Também Queremos as Rosas” (Vogliamo Anche le Rose, Italia, Suiça,2007), de Alina Marazzi retrata as mudanças do comportamento feminino na Itália, nas décadas de 1960 e 1970.

Como se sugerisse uma linha do tempo, o documentário inicia com mulheres questionando a Constituição Italiana da época,  que entre outros pontos, falava da autoridade do marido sobre a mulher, colocava o adultério feminino (e somente feminino) como crime e dizia que o estupro constitui crime contra a moral e não contra a pessoa.

Abriu-se espaço para que mulheres começasssem a discutir e contestar seu papel limitadíssimo na sociedade. Elas negam idéias como casamento, família, filhos, tornar-se “donas-de-casa”. Agora elas querem se emancipar, ganhar as ruas, estudar, trabalhar.

Cenas da presença de mulheres em montadoras de veículos e em outros setores da economia são exibidas, sempre mostrando a dicotomia entre aquelas que querem se libertar das amarras do lar e aquelas outras que vêem no trabalho extra-lar uma sobrecarga de tarefas e responsabilidades.

O desejo de libertação extrapola os limites da vida profissional e encontra no campo afetivo-sexual seu maior expoente. Quem não se lembra da cena de mulheres dançando nuas no Festival de Woodstock?? Pois o filme vai além desta e mostra como as italianas  se impuseram frente à possibilidade do sexo antes do casamento, ao aborto e à contracepção. O embate ideológico com a Igreja, o enfrentamento social que este assunto clama, tudo isso é abordado.

Na da década de 1970, a questão do feminismo é uma questão social. Mulheres organizam-se em grupos, realizam passeatas em favor dos temas femininos, sofrem represálias, ou seja, cenas que povoam nossa cabeça quando falamos dos famosos Anos 70, mas que, segundo a diretora Alina Marazzi, são quase desconhecidas do público mais jovem de seu país.

Nesse ponto, novamente surgem as contradições da mulher que, a essa altura, não sabe mais se deve insistir no antigo modelo comportamental e seguir o marido ou se deve rebelar-se e viver ao seu modo. Fica claro que na Itália, assim como na maioria dos países, o feminismo cresce mas fica longe de atingir todas as mulheres.

Mais que um documentário, o filme é documento em si, retratando a mulher de maneira colorida, divertida, leve e nem um pouco fútil.

É filme pra se ver com a mãe, a filha, as amigas, o marido, enfim, pra ver e rever com todo mundo!

Cena de 'Também Queremos as Rosas', de Alina Marazzi

Cena de Também Queremos as Rosas, de Alina Marazzi



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