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Cinema Silencioso na Cinemateca Brasileira

Para aqueles que já conhecem e amam ou para os que tem curiosidade em conhecer as produções cinematográficas do chamado “período silencioso” (primeiras décadas do século XX): não percam a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, de 7 a 16 de agosto, na Cinemateca Brasileira !

Além dos filmes silenciosos brasileiros, que têm seu espaço reservado a cada edição do evento, este ano a cinematografia silenciosa francesa ganhará destaque, em virtude do Ano da França no Brasil e das parcerias firmadas entre a nossa cinemateca com a Cinemateca Francesa, com os Arquivos Albert Kahn e ainda com os Arquivos Franceses do Filme/Centro Nacional de Cinematografia.

Na mostra francesa serão exibidas obras clássicas, como os primeiros trabalhos dos irmãos Lumière, os longas “O Homem do Mar” (1920) e  ”Maldone” (1928), ambos de Marcel L’Herbier e Jean Grémillon e ainda a adaptação para o cinema do romance de Flaubert, “Salammbo” (1925), de Pierre Marodon. 

salammbo                                                   Salammbo, 1925

O filme “Études sur Paris” (“Estudos sobre Paris, 1928) de André Sauvage será exibido em sessões especiais na Sala São Paulo, de 13 a 16 de agosto, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que tocarão partitura composta exclusivamente para este filme. As produções de Alice Guy, primeira diretora de cinema do mundo!, compõem um dos programas da Jornada, dedicado à coletânea da produtora Gaumont restaurada pela Cinemateca da Suécia.

Études sur Paris                                           Études dur Paris, 1928

Outro programa imperdível é o “Cinema do Povo e os Anarquistas do Cinema“, com filmes realizados pela cooperativa “Cinéma du Peuple – primeira organização anarquista ligada à produção cinematográfica para a divulgação de idéias libertárias entre a classe operária. Destaque para filmes como “La Terroriste” (“A Terrorista”), produzida pela Pathé em 1907 e “La Commune” (“A Comuna”, 1917), de Armand Guerra.

La Terroriste                                           La Terroriste, 1907   

A mostra intitulada “Em Busca do Brasil: a Amazônia Silenciosa” será dedicada aos filmes de expedição à Amazônia, feitos nas primeiras décadas do século XX e a seção “Janela para a América Latina ”  exibirá o maior sucesso do cinema silencioso chileno, a comédia “El Húsar de la muerte” (“O hússar da morte”, 1925) de Pedro Sienna.

El Húsar de la Muerte                                           El Húsar de la Muerte, 1925

Além da exibição de filmes, a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso será palco para três conferências proferidas por Isabelle Marinone, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados do Collegium de Lyon e professora da Universidade Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, que falará sobre as relações entre Anarquismo e cinema na França, tema de sua tese de doutorado, além da conferência inaugural do evento, a cargo de  Caroline Patte, pesquisadora do Centro Nacional de Cinematografia, que abordará o cinema silencioso francês conhecido e preservado até os dias de hoje.

 

Serviço: CINEMATECA BRASILEIRA 
                Largo Senador Raul Cardoso, 207 -prox. Metrô V.Mariana
                São Paulo – SP
                Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ah, e o melhor, o evento é grátis! (somente para exibições na Cinemateca)

Oscar 2009: Documentário de longa-metragem

“Man on wire”, ou  “O equilibrista” , favorito ao pêmio, leva o Oscar por Melhor Documentário de Longa-Metragem… Esperamos vê-lo no é Tudo Verdade logo, logo, viu Sr. Labaki! Hhehehehe

manonwire

É INDIE!!!

Começa hoje a 2ª edição paulista do INDIE 2008 – Mostra Mundial de Cinema, evento que completou este ano sua 7ª edição em Belo Horizonte/MG, sempre trazendo o que há de novo na cena cinematográfica independente.

Até o dia 12/11, o INDIE exibe 40 filmes em 35 sessões, todas no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075), onde o maior destaque são as produções japonesas, que integram dois ciclos: um dedicado ao cinema erótico (ou “pinku eiga”, “cor-de-rosa”) de Koji Wakamatsu e outro intitulado Nippon Connection Film Festival, dedicada a divulgação do novo cinema japonês.

Há ainda o ciclo Música do Underground, que traz “Sonic Youth: Dormindo Noites Acordadas”, do Projeto Moonshine (EUA, 2007) e a seleção Premiers Films, com 4 filmes dirigidos por estreantes franceses.

Os ingressos custam de R$ 3 a R$ 6 e a programação completa você vê aqui

Olha só que bacana a vinheta do festival, que começou oficialmente ontem:



32ª Mostra – Crítica: “Eu quero ver”

O que acontece quando Catherine Deneuvequer ver o resultado de tantas guerras no Líbano? Os cineastas Joana Hadjithomas e Kalil Joreige armam todo um esquema para atender a sua vontade e, de quebra, temos um documentário.

E o que Deneuve tanto queria ver está lá, no sul do Líbano, exposto a quem qualquer um: estradas repletas de minas; entulhos do que um dia foi casas, milhares delas, depositadas na praia; destruição por todos os lados e, se não bastasse esse cenário, ainda tem os aviões israelenses voando baixo, quebrando a barreira do som em ataques simulados.

No fim, a eterna Belle ju Jour, resplandecente em um jantar em sua homenagem, troca olhaes com o ator Rabiah Mroue, seu companheiro e “guia” nessa aventura encenada!

Catherine Deneuve quer ver… Eu quero acreditar!

Avaliação Le Champo: Regular.                                

                         A atriz francesa e o ator libanês no documentário mais artificial que já vi…

32ª Mostra – Crítica: “Vida e Morte de Hannah Senesh”

Aqui está outro documentário sem sal, exibido na Mostra. Se não bastasse Chevolution, já comentado neste Le Champo, este é outro filme com a cara de programa da History Channel. Ou seria com cara de “Linha Direta”???

Hannah Senesh é um símbolo de resistência anti-semita, tanto em Israel como na Hungria, seu país natal. Além de compor versos, ela dedicou parte da sua adolescência e início da vida adulta num projeto que considerava o maior da sua vida – o trabalho no kibutz, na Palestina. Mas, o que fez desta moça alguém digna de tornar-se tema de documentário foi seu envolvimento no resgate de judeus húngaros, quando da invasão daquele país por tropas alemãs. Saltando de pára-quedas no meio de uma floresta, Hannah Senesh  e o grupo de “rebeldes” acabaram sendo acuados e daí todo o resto que já sabemos (prisões, torturas, execução).

Se a história é boa, como de fato é, porque o documentário não funciona? Simples: não basta um bom argumento, é preciso pensar na forma como se vai apresentar a história. O filme é uma mistura irritante de depoimentos de historiadores e conhecidos da poetisa (todos de cara “colada” na câmera) com reconstituições/ simulações da história. Tudo isso coroado com excesso de sentimentalismo, o que coloca em dúvida a interpretação dos fatos.

Dica Le Champo: Saia do cinema a vai ler um livro!

Avaliação Le Champo: Ruim.

 Agora me diz: esta reconstituição parece ou não “Linha Direta”?

 

32ª Mostra – Crítica: “A Vida Moderna”

Em seu mais novo documentário, intitulado “A VIda Moderna”, Raymond Depardon vai muito além de retratar histórias verídicas de pessoas comuns: ele analisa como a introdução de novos valores sócio-culturais se sobrepõem às velhas tradições familiares.

Para ilustrar seu pensamento ele mostra as histórias e as dificuldades encontradas pelos fazendeiros instalados no Sul da França, decorrentes de uma série de fatores. A crise da pecuária e a escassez da agricultura local, aliada ao desinteresse das novas gerações em prosseguir o trabalho iniciado por seus ancestrais faz com que esses fazendeiros, muitos com mais de 60 anos repensem as escolhas feitas no passado.

Avaliação Le Champo: Bom!

                        Cena de “A Vida Moderna”

32ª Mostra – Crítica: “Waltz with Bashir”

O que passa pela cabeça dos organizadores da Mostra Internacional de Cinema de programar para o mesmo – e diga-se de passagem, absurdo! – horário as duas únicas sessões do filme que despertou o interesse de pessoas mundo afora? 

Atraídos pela curiosidade que filmes neste formato traz, embora já não seja novidade o chamado AnimaDoc – e o sucesso de “Persépolis” (2006) está aí para comprovar isso, uma fila de desesperados cinéfilos se formava na bilheteria do Espaço Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, antes das 11 horas da manhã. O filme seria exibido às 23h30.

23h00 e as filas para entrar nas duas salas onde “Waltz with Bashir” seria exibido já estava formada. Algumas “personalidades” do cinema estavam presentes, entre elas a cineasta Daniela Thomas (de “Linha de Passe”) e Hector Babenco, que zanzava de um lado para o outro.

Começa o filme. A ameaça de briga entre dois mau-educados na sala 1 não compromete a exibição. O que se têm à frente é uma animação de boa qualidade, como se fosse imagens reais, somadas a um roteiro impressionante. Como dito antes, trata-se de uma autobiografia onde Ari Folman conta sua experiência no exército israelense na ocasião da Guerra do Líbano (1980), onde além de combatente, fora testemunha ocular do massacre de palestinos empreendido pelo exército libanês. O Le Champo já havia comentado sobre o “Waltz…” em Cannes, lembra?

Se não lembra, não tem problema, eu separei aqui o trailer, somente para esquentar as discussões sobre sua possível indicação ao Oscar por filme estrangeiro. 

Ah, sim, a Avaliação Le Champo: Excelente!

32ª Mostra – Crítica: “Chevolution”

“Não sei quem é, mas está na moda!”.

O documentário ilustra a trajetória da mais explorada imagem da história: o retrato de Che Guevara intitulado “O Guerreiro Heróico”, de Alberto Korda.

Partindo da história do próprio Ernesto “Che” Guevara, o filme cruza depoimentos de várias pessoas (entre elas os atores Gael García Bernal e Antonio Banderas (???), os músicos do Rage Against the Machine e etc.,) com análises de “especialistas” (???) – todos tecendo suas teorias sobre a apropriação da imagem pelo capitalismo e sua rápida disseminação em todo o mundo.

Com o formato parecidíssimo com os programas do History Channel, o documentário não desagrada, mas também não surpreende. São apenas obviedades expostas com humor.

Avaliação Le Champo: Regular.

                                         A apropriação e disseminação de Che, em “Chevolution”

32ª Mostra – Crítica: “Como um homem sobre a Terra”

O documentário denuncia a violenta trajetória enfrentada por imigrantes etíopes em busca de melhores condições de vida na Itália.

Dirigido pelo italiano Andrea Segre e prelo etíope Dagmawi Yimer, o filme retrata ainda todo o contexto político que não só permite como incentiva a prática de abusos cometidos contra estes imigrantes. Segundo os diretores, em 2003 o presidente italiano Silvio Berlusconi assinou um acordo com a Líbia concedendo àquele país dinheiro e equipamentos em troca da “contenção” de estrangeiros ilegais no país. 

Os relatos, sobretudo das mulheres, vítimas na maioria das vezes de violência sexual, são tocantes.

O único ponto fraco da sessão de hoje, na Reserva Cultural foi a enorme falha na legendagem para o português, o que garantiu um filme quase todo sem legendas. Teríamos ficado bastante contentes se alguma explicação nos fosse dada!

Avaliação Le Champo: Bom

                                   O diretor do documentário é também um refugiado etíope na Itália

32ª Mostra – Crítica “Rock-Monologue” (Rússia)

Critica: Rock – Monologue.

Rock Monologue é um documentário do diretor Vladimir Kozlov, sobre o músico Yuri Morozov, figura de destaque no rock underground russo entre as décadas de 1970 e 1980.

Com um quê de peigas, o documentário traça um panorama não apenas da carreira de Morozov, mas também da ditadura empreendida na ex-URSS , com sua censura e perseguições. E foi graças àquela politica empregada naquele pais que Morozov tornou-se célebre. Quando havia apenas uma gravadora em todo pais, à serviço do governo,  Morozov gravou suas músicas, clandestinamente, na calada da madrugada, tendo como suporte as velhas fitas magnéticas.

Com músicas de protesto, desafiando várias instituições do governo, o roqueiro foi diversas vezes presos , mas nenhuma destas experiências foram eficazes a tentativa de calá-lo.

O filme, embora conte uma história interessante, de uma personalidade praticamente desconhecida aqui, esbarra na pieguice e no kitsch a todo instante. Os depoimentos de músicos, amigos e até da esposa de Morozov vão tomando  a forma dos quadros de programas dominicais.

O bacana do filme fica a cargo das imagens politicas da época, como Gorbatchev cantando “A Internacional”, os desfiles de porta mísseis em plena Praça Vermelha e as estátuas de Lênin, que povoam o imaginário ocidental até hoje.

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Uma palavra para “Rock-Monologue”: brega.

Avaliação Le Champô: regular

 

                                Yuri Morozov, tema do documentário “Rock-Monologue”

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