O novo filme do diretor polonês Andrzej Wajda pode assustar aqueles que só viram ou conhecem o grandioso “Katyn”, exibido na 32ª Mostra. Não que “Alga Doce” (Tatarak) seja ruim, muito pelo contrário, esta é mais uma obra-prima do cineasta que, aos 83 anos, mostra fôlego e criatividade de sobra. Mas “Alga Doce” está longe de ser uma narrativa linear, dessas que o espectador se coloca à frente da tela e tem toda a história pronta aos seus sentidos.

Em seu último trabalho, Wajda mescla duas histórias intensas e em ambas brilha a atriz Krystyna Janda. Uma das histórias é um monólogo protagonizado por Janda, em que a atriz relata os últimos momentos antes da morte do marido, o diretor de fotografia Edward Klosinski, a quem o filme é dedicado. Na outra história, ela interpreta Marta, mulher de meia-idade sufocada pela dor da perda dos dois filhos na guerra e vítima de uma doença terminal.
O filme é, portanto, um exercício cinematográfico onde beleza e dor, vida e morte, caminham juntas, são indissociáveis. É a própria significação do título: alga doce, planta comum em rios, tem em suas folhas, segundo explica Wajda, o perfume de bétulas, mas sua raiz tem o aroma de escamas de peixe podre, “cheiro de morte” . E é de morte, pontuada por momentos belos, salvadores, de que fala o filme.
A beleza em questão é Bogus, um jovem condutor de balsa por quem Marta se apaixona. Do alto do seus vinte anos, o rapaz não vê grandes expectativas de vida, nem mesmo ao lado de sua namorada, a bela Halinka. Mas para Marta, o vigor, a luz e espontaneidade de Bogus é a própria vida pulsando, brilhando em meio às suas catástrofes pessoais.

Tanto o monólogo quanto a ficção são marcados pelo tom intimista, extremamente delicado e mostram o sofrimento compartilhado entre atriz e personagem. A fotografia, assinada por Pawel Edelman, evidenciam essas características e abusa da combinação luz e sombras e destacam belas paisagens de uma pequena cidade polonesa às margens de um rio, onde quase todas as cenas se passam.
Uma obra única.
Parece interessante! Sinceramente, tem muito filme ‘alternativo’ que me faz torcer o nariz. Mas este parece ser bonito. =)
Um dos mais belos e delicados que já vi.
Este filme me pareceu bem interessante, fiquei curiosa para assistir. Talvez porque eu tenha um gosto por histórias de vida e morte, alegria e tristeza, reflexões que também não são nada lineares, assim como a vida. Depois quero ver ^.~