Arquivo para Maio, 2008

Cinema relembra Maio de 68 em SP

Que este ano comemoramos os 40 anos dos eventos de Maio de 68, isso todo mundo já sabe. Quem mora em SP ou quem está por aqui pode conferir uma agenda cultural extensa dedicada a data. Tem de tudo, literatura, artes plásticas, círculos de debates, mas NADA como o CINEMA para repensar a importância e os desdobramentos destas manifestações, que começaram na França e se estenderam pelo mundo afora, chegando até aqui.

Pensando nisso eu destaquei dois programas bacanas.

o Cine Olido (Av. São João, 473 – Centro) organizou a mostra Maio de 68, que começou no último dia 20 e vai até o próximo dia 8/6. Com exibições gratuitas (ingressos a serem retirados com uma hora de antecedência), é possível ver clássicos do cinema, como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha e uma das referências do Cinema Novo, “Amores Constantes”, de Phillipe Garrel, ou ainda comparar duas obras de Bernardo Bertolucci – “Partner”, filmado no auge do movimento estudantil e “Os Sonhadores”, sua visão dos fatos décadas mais tarde.

Já na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena), acontecerá o debate “Nouvelle Vague”, com presença da pesquisadora Mônica Brincalepe Campo e da escritora Mirian Paglia Costa. Na ocasião será exibido o filme “A Chinesa”, de Jean-Luc Godard. O evento é gratuito e acontece no dia 30/5, das 19h às 21hs (é necessário inscrever-se com antecedência, no site http://www.livrariadavila.com.br/site/eventos/eventos.php).

De cima pra baixo, cenas de “Os Sonhadores”, “Terra em Transe” e “A Chinesa”, na programação sobre Maio de 68

“Entre les Murs” leva a Palma de Ouro

O júri decidiu e “Entre les Murs” (Entre Paredes), do cineasta francês Laurent Cantet foi o grande vencedor da 61ª edição do Festival de Cannes. Vencedor da Palma de Ouro, o filme, baseado no romance de François Bégaudeau (que atua no longa), narra a história de um professor de literatura que dá aulas numa região marcada pela violência e pobreza.

O prêmio Grand Prix foi concedido ao comentadíssimo “Gomorra”, do italiano Matteo Garrone. O Prêmio do Júri foi dado a “Il Divo” (O Ilustre), de Paolo Sorrentino.

O Brasil,  apesar de não ter faturado a Palma, garantiu lugar de destaque pela atuação de Sandra Corveloni (Linha de Passe), que levou o prêmio de Melhor Atriz. O Melhor Ator foi o porto-riquenho Benicio del Toro (Che), o Melhor Diretor foi o turco Nuri Bilge Ceylan (Três Macacos) e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne foram os premiados pelo roteiro de “O Silêncio de Lorna”.

Na premiação de curtas, levou a Palma de Ouro a produção “Megatron”, do romeno Marian Crisan; a Câmera de Ouro, prêmio concedido ao cineasta estreante, foi  para o inglês Steve McQueen (Hunger).

Foram homenageados com Prêmio Especial a atriz francesa Catherine Deneuve (Un conte de Noël) e o ator e diretor americano Clint Eastwood (Changeling).

Confira o trailler do melhor filme de Cannes 2008, “Les entre Murs”:

Diretor e atores comemoram o prêmio após o anúncio de Robert de Niro

A vencedora do Prêmio de Melhor Atriz, a brasileira Sandra Corveloni, em “linha de Passe”

Festival de Cannes termina hoje!

Pois é, gente, o Festival de Cannes termina hoje. Mas rendeu todo tipo de assunto e, como ainda não terminou de fato, ainda renderá uns dias de notícia.

De Indiana Jones (que exibiu première em sessão de gala) a dobradinha de Rodrigo Santoro (em “Leonera” e em “Che”), dos looks das celebridades ao polêmico filme sobre Diego Maradona (“Maradona by Kusturica”, do bósnio Emir Kusturica), muita água rolou…

A expectativa agora é saber quem leva a melhor de tudo isso. Hoje, será divulgado o nome do merecedor da Palma de Ouro, segundo escolha do júri, presidido por Sean Penn. Há quem desconfie de Penn: o filme “Changeling”, de Clint Eastwood, embora bastante aplaudido, já foi citado como favorito em função da amizade de ambos. Será?

Clint Eastwood e Angelina Jolie, do pseudo-favorito ”Changeling”…

… e o júri do Festival: quem será que os agradou, hein?

“Linha de Passe” agrada tout le monde!

O longa “Linha de Passe” de Walter Salles e Daniela Thomas, exibido no último sábado no Festival de Cannes, foi sucesso de público e crítica.

Elogiado pelo seu realismo e pela atuação de seus atores, o filme (que foi rodado na Cidade Líder, em SP) recebeu elogios da crítica internacional. O que mais chamou a atenção no filme de Salles e Thomas foi a forma com que a pobreza e a população da periferia é retratada.

Segundo Salles, sua intenção não era opor-se à tendência, mas sim, falar de uma parte da juventude que não era retratada  – jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade.

Ainda no sábado foi exibido “Er Shi Cheng Ji” (24 Cidades), de Jia Zhang-ke. Ontem, foi a vez de “Gomorra” (Camorra), do cineasta italiano Matteo Garrone e de “Serbis”, do filipino Brillante Mandoza.

Cena de “Linha de Passe”

Tragédias na programação desta sexta, em Cannes

A sempre bela atriz francesa Catherine Deneuve participou hoje do Festival de Cannes, onde esteve com sua filha, Chiara Mastroianni na divulgação do mais recente filme de Arnaud Desplechin, “Un Conte de Noël” (Um Conto de Natal).

O longa narra a história de uma família que, durante as comemorações de natal, confrontam-se com as mágoas do passado, quando os pais tentaram salvar um dos filhos de uma doença degenerativa, tendo outro bebê, que mostrou-se um doador incompatível.

Outro longa divulgado hoje, “Üç Maymun” (Três Macacos), do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, contou com a presença de seu elenco. O drama fala dos segredos e mentiras fomentados pelos membros de uma família. Em meio à um trágico acontecimento toda a verdade ameaça vir à tona.

Ambos integram a seleção dos 22 filmes que concorrem à Palma de Ouro.

Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni no evento em Cannes

 O elenco do longa turco “Três Macacos” no evento de divulgação em Cannes

Confira o trailler de “Un Conte de Noël”:

Subversiva – toujours!

Quem viu e, mais ainda, quem leu a HQ “Persépolis” sabe da relação de sua autora, a franco-iraniana Marjane Satrapi, com o cigarro, vício esse que ela considera um de seus maiores prazeres.

Pois não é que em nome desse prazer ela quebrou o protocolo durante a coletiva de imprensa do júri no Festival de Cannes? Orientados a não fumar durante o evento, Marjane Satrapi disse que, mediante uma situação como aquela, os membros do júri precisariam fumar – “é uma necessidade física”!

E, subversiva como ela é (ou diz ser) acendeu seu cigarro, sendo seguida por Sean Penn e pela atriz francesa Jeanne Balibar.

(Folha S.Paulo)

Marjane e seu cigarrinho em cena do premiado “Persépolis”

Animadoc sobre LÍbano é destaque de hoje em Cannes

O longa “Waltz for Bashir” (Valsa com Bashir), de Ari Folman, foi um dos destaques de hoje do festival.

Único documentário e ao mesmo tempo única animação concorrendo à Palma de Ouro, o filme é baseado na experiência do próprio diretor, ex-combatente do Exército israelense que viu de muito perto o massacre de palestinos pelos libaneses sob o olhar passivo de Israel.

O momento é oportuno já que é comemorado os 60 anos do Estado de Israel.

Também na disputa pela Palma de Ouro, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, foi exibido hoje e teve boa receptividade da imprensa.

Não menos sombrio que o anterior, o filme é um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos. A surpresa fica pela pequena participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, responsável pela briga que culminou no assassinato presente na trama.

Ambos, apesar de densos e de levarem seus temas sombrios à tela, têm boas chances de convencer o presidente do júri, Sean Penn e levarem o prêmio máximo do evento.

Por curiosidade: também integram o júri a “realizadora” iraniana Marjane Satrapi, que no ano anterior concorreu com “Persépolis” (outra animação autobiográfica que fala de guerra) e a atriz Natalie Portman, que é israelense.

Cartaz do anima-documentário “Waltz fos Bashir”, de Ari Folman, presente em Cannes

“Crítica cega” ou “o público que enxerga demais”???

Claude Lelouch já disse, certa vez, que não existe qualquer outro crítico além do público.

Se tomarmos as palavras do cineasta francês como verdadeiras, “Ensaio sobre a cegueira” promete ser sucesso. Ontem, após a sua exibição, na abertura do Festival de Cannes, longa-metragem e equipe foram ovacionados por quase cinco minutos ininterruptos!

No entanto, se crítica e público forem coisas distintas, o futuro do filme é incerto. Antes da sessão oficial, “Ensaio” teve uma première exclusiva para a imprensa. E o resultado não foi animador.

Amir Labaki, articulista da Folha de S.Paulo, acusa o filme de ter “reverência demais” (Folha S.Paulo de hoje); James Christopher, crítico do britânico The Times foi mais longe ao considerar esta “a abertura mais deprimente para um festival internacional” e diz que “‘Ensaio’ não vai obter fãs. Mas muitos admiradores entricheirados” (do site BBC Brasil).

Para o jornal argentino La Nación, o filme foi recebido com “muita frieza”; Lembrando que a Argentina deve apresentar nove produções nesta edição do Festival.

A briga é boa! O jeito será esperar e conferir nós mesmos para saber se Lelouch está ou não com a razão…

O cineasta Fernando Meirelles entre os atores do seu polêmico longa

 

Três chances!

Então, eu comentei que o recente longa do cineasta Fernando Meirelles, “Ensaio sobre a cegueira” (Blindness), irá abrir o 61º Festival de Cannes.

E também comentei que o filme concorre à Palma de Ouro, certo?

O que eu não contei ainda é que além deste, outros 2 filmes brasileiros concorrem no festival.

O “rival” de Meirelles pela Palma de Ouro é “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas.

E o bom da história é que ambos encantaram Thierry Frémaux, diretor-artístico do festival e o responsável pela escolha dos competidores.

Enquanto “Ensaio sobre a cegueira” traz elenco estrelado (Julianne Moore e Mark Ruffalo nos papéis principais) e tem seu roteiro conhecido, já que foi baseado na obra homônima do autor português José Saramago, o longa de Walter Salles se destaca por oferecer um novo olhar sobre as diferenças sociais do Brasil, sem a violência típica dos filmes daqui.

Com exibição prevista para sábado, “Linha de Passe” conta a história de um jovem craque do futebol, morador da periferia paulistana e que vê no esporte meios de ajudar sua família, enquanto seus irmãos buscam seus próprios caminhos.

Na não menos importante mostra “Um certo Olhar”, quem concorre é “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, estreante na direção. A exibição do filme será na próxima quarta-feira.

Além de poder ganhar o prêmio de melhor filme da mostra, Nachtergaele concorre à Cámera D’Or, prêmio de melhor longa de estréia!

Os vencedores em cada competição serão divulgados no dia 25 de maio.

  

Acima, Julianne Moore e Mark Ruffalo no filme de Fernando Meirelles; em seguida, Daniel de Oliveira em “Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele

É Hoje!

Começa hoje o mais importante festival de cinema do mundo: o Festival de Cannes!

Até o dia 25, tudo o que foi ou será visto e tudo o que há de mais expressivo no cinema mundial será exibido dentro das várias categorias que divide o Festival.

Os números de Cannes são expressivos: são 57 longas-metragens representando 31 países; entre as obras selecionadas, 22 disputam a cobiçadíssima Palma de Ouro e outras 20 concorrem dentro da mostra paralela “Um certo olhar” (un certain regard).

Dentre os 26 curtas-metragens selecionados, 9 integram a competição principal e 17 a sessão Cinéfondation.

Há ainda 14 filmes escalados em mostras paralelas não-competitivas, além do tradicional Cannes Classics, Sessões da Meia-Noite, retrospectivas e homenagens.

Os temas vão de terrorismo às mudanças econômicas na China.

Ter um filme exibido em Cannes não é nada fácil. Neste ano, quase 2.000 longas se submeteram à seleção do festival.

Segundo relato de Thierry Frémaux, diretor-artístico do Festival de Cannes, à Folha de S.Paulo, “o festival leva em conta, muito mais do que os assuntos de que tratam os filmes”.

Ou seja, o “savoir-faire” que tanto se fala é fundamental para a sua escolha e é o que diferencia Cannes de outros festivais ou premiações.

A abertura do Festival está marcada para a noite de hoje, com a exibição de “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness) de Fernando Meirelles, em sessão de gala, filme este que integra a Competição pela Palma de Ouro.

O “onírico” cineasta David Lynch é o responsável pela bela imagem do cartaz do 61º Festival de Cannes

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