Neste sábado assisti ao filme “A Música de Meu Pai” (Nach der Musik, Alemanha, 2006), de Igor Heitzmann, dentro da mostra “O Estado das Coisas”, do 13º É Tudo Verdade.
O documentário conta a história do aclamado maestro Otmar Suitner, regente da Filarmônica de Berlim e suas peripécias em manter (secretamente) suas duas famílias – uma em cada lado do Muro de Berlim. Em plena Guerra Fria, Suitner atravessava a vigiadíssima fronteira para visitar a amante e o filho, o pequeno Igor, diretor do documentário em questão.
O filme é belíssimo, de um lirismo impressionante e, ao mesmo tempo, num ritmo tão moroso que faz cochilar os desavisados da platéia.
O que vemos na tela é um homem já velho, espirituoso, amante da música, profundo conhecedor de seu antigo ofício, apaixonado por suas duas mulheres e pai afetuoso, embora pouco presente na infância do filho.
Passado e presente mesclam-se através de cartas antigas, fotos de família, imagens dos momentos marcantes da carreira do maestro e depoimentos de suas duas mulheres.
Destaques para a cena em que Suitner almoça tranqüilamente ao lado da esposa e da amante, enquanto revira o passado e para a cena onde o pai-maestro ensina ao filho o bom uso da batuta.
São através de momentos singulares como estes que Heitzmann contempla o objetivo máximo de sua obra – reconhecer o pai através da música.
Toda a distância do passado e a ausência de um pai ovacionado por platéias do mundo inteiro parecem diminuir, a medida em que a idade avança para os dois.

O diretor Igor Heitzmann e seu pai, o maestro Otmar Suitner, em cena de A Música de Meu Pai
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