Uma Mostra de Encher os Olhos e Emocionar o Coração

Não, não estava nos planos, mas esta Mostra com certeza ficará na memória dos cinéfilos e frequentadores do evento que, neste ano, chega à sua 35a. edição.  Isso porque, no dia 14 último, faleceu em São Paulo, Leon Cakoff, fundador e frontman da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, vítima de câncer no cérebro. Em sua homenagem, foi espalhado o pôster com a imagem do “pai da mostra” pelos stands da Central da Mostra, localizada no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073).

Provavelmente haverá, juntamente à famosa vinhetinha animada que abre cada uma das sessões, uma vídeo-homenagem a Cakoff, ou algum outro tipo de homenagem. Razoável para alguém que dedicou mais da metade da vida à chamada Sétima Arte.

Leon Cakoff, o “pai da Mostra”

Falando em vinheta,  a deste ano, juntamente com o cartaz do evento, foi desenhada por ninguém menos que o mestre dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Souza, que cedeu sua personagem Piteco, o lendário homem-das-cavernas, como forma de ilustrar o poder do cinema em dar vida as imagens, arte essa contemplada desde o tempo em que a raça humana vivia em cavernas e brincava com as bruxuleantes sombras das fogueiras. Mais simbólico, impossível!

Piteco, desde os primórdios, fazendo arte!

A exemplo do que acontece todo ano, a Mostra Internacional de Cinema tem como principal objetivo servir de vitrine a respeito daquilo que foi produzido e/ou premiado mundo afora, além de ser uma excelente oportunidade para cineastas iniciantes. Filmes consagrados com a Palma de Ouro (Cannes), Leão de Ouro (Veneza), Urso de Ouro (Berlim) são exibidos lado-a-lado de filmes independentes, muitas vezes concluídos às vésperas do festival e de modo completamente amador.

Entre os mais de 250 filmes que serão exibidos este ano (uma seleção enxuta, é verdade, se compararmos aos mais de 400 dos anos anteriores), alguns soam como imperdíveis, seja pelo mérito da premiação ou pelo burburinho que a polêmica lhe concedeu. Independente do caso, este Le Champo jamais deixaria de destacar, neste curto espaço,  o novo filme de Aleksandr Sokurov, Fausto, premiado com o Leão de Ouro em Veneza e que nesta Mostra será exibido somente na REPESCAGEM (de 4 a 6 de novembro – já estão avisando!!!). Mas, quem é fã mesmo do cineasta, pode ir degustando antes o documentário de Anne Imbert, Aleksandr Sokurov, Questão de Cinema. Outro filme que promete não decepcionar os cinéfilos de carteirinha é O Garoto da Bicicleta, dos geniais irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Muito elogiado em todos os festivais por onde passou, os Dardenne parecem seguir a trilha de sucesso deixada pelas obras anteriores, como A Criança e O Silêncio de Lorna.

Os irmãos Dardenne (re)voltam sua objetiva para o universo criança x adulto

Mathieu Amalric, depois de causar furor com o fabuloso Tournée, traz para a Paris do presente o texto teatral de Pierre Corneille, A Ilusão Cômica, sobre a busca do pai pelo filho que não vê há dez anos e sua relação com um bruxo que possui a capacidade de lhe mostrar a vida do filho durante o tempo em que esteve ausente. Dois filmes andaram “causando”, no bom e no mau sentido, sempre. Um deles é o documentário Os Hipopótamos de Pablo Escobar, acerca do mitológico traficante e seu plano de formar um zoológico particular, ao levar para a Colômbia três hipopótamos e outros animais selvagens. As consequências de sua megalomania, principalmente após sua morte, foi o desequilíbrio ambiental da região e a matança indistinta de animais silvestres. O outro chama-se O Futuro, de Miranda July. Aclamada pelo público e odiada pela crítica, sobretudo a masculina, essa será a oportunidade de ver como o público paulistano reagirá diante da extravagante criatividade da moça.

O Futuro, de Miranda July, é contado sob a ótica de um gato manco e uma camiseta ambulante!

Outros destaques são Oslo, 31 de Agosto, de Joachim Trier, Os Animais me Distraem, de Isabella Rossellini (quem conhece a série Green Porno sabe que talvez seja divertido arriscar neste!), Pater, de Alain Cavalier, Viagem à Lua, Georges Mèliés – colorizado manualmente!!!,  Era Uma Vez Na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, etc..

A Escandinávia e sua tradição em contar histórias sobre recomeços!!!

Outro ponto emocional da Mostra ficará por conta da exibição de clássicos do cinema, como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, (1971),  A Doce Vida de Federico Fellini (1960), Taxi Driver, de Martin Scorcese (1976), além dos nacionais Matar ou Correr, de Carlos Manga (1954), produção da imperiosa Atlântida e da emblemática Xica da Silva, de Cacá Diegues (1976), para citar apenas algumas obras.

Zezé Motta, “de escrava a rainha”, em Xica da Silva.

Quem é habitué da Mostra, sabe que dentro do evento principal há uma série de mostras paralelas. Entre estas, destaque para a que homenageia o russo Sergei Paradjanov (Paradjanov, O Magnífico), sediada no MIS e composta por mais de 60 colagens e desenhos do cineasta. Além disso, serão exibidos 9 de seus filmes. Vale muito a pena ver  Sombras dos Ancestrais Esquecidos, A Cor da Romã e O Trovador de Kerib, uma homenagem ao amigo, Andrei Tarkovski. Cinema russo na veia.

Pôster de “O Trovador de Kerib”

Já o Cinema Nacional não deixa por menos e traz uma lista repleta de nomes valorosos e títulos interessantes. A começar pelo recente filme de Eduardo Coutinho, As Canções, que promete ser sucesso de public e crítica, assim como o aclamado Jogo de Cena. Malditos Cartunistas é um documentário que reune a nata do quadrinho de humor brasileiro, de Ziraldo, Laerte e Angeli até Adão e Fernando Gonsales. No mínimo, hilário! A faceta mais “política/politizada” do programa fica a cargo de Isa Grispum Ferraz, de Marighella, onde tenta reconstruir (ou desconstruir?) o mito em torno do líder comunista e um dos fundadores do PCB. Ana Rieper pega mais leve nas reconstruções de vida, vai atrás das histórias de gente mais simples, contos do cotidiano, tendo como pista o verdadeiro cancioneiro popular, a dita música brega, que domina as rádios do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, no elogiado Vou Rifar Meu Coração, exibido em festivais nacionais. Agora é a vez de São Paulo saber quem toca fundo o coração do povo do Norte do país!

Pra quem ainda não se preparou para a 35a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda há credenciais (passaportes) equivalentes a  40 ingressos, e também credenciais permanentes, que concede entrada a todas as sessões do evento, ao preço de R$ 390,00.  Assinantes da Folha de São Paulo tem 15% de desconto (veja mais em www.clubefolha.com.br)

Você pode ainda comprar ingressos avulsos, de um e até quatro dias de antecedência pelo site www.ingresso.com.br ou no dia da sessão, somente na bilheteria do cinema da sessão pretendida.

Agora é preparar o coração e sebo nas canelas, pois a maratona começa hoje e vai até dia 6 de novembro.

E quem é esperto e quer ficar ainda mais por dentro da Mostra Internacional de Cinema acompanha diariamente as resenhas dos filmes aqui, no Blog Le Champo, e em tempo real, as notícias, fofocas, mudanças de programação, entrevistas e qualquer auê pelo Twitter: @lechampo e também no Facebook/lechampo.

À Bientôt, tout le monde!!!

34ª Mostra Internacional de Cinema de SP!

Começa hoje a 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o mais tradicional evento de cinefilia do país. Até o dia 4 de novembro serão exibidos mais de 400 filmes entre nacionais e estrangeiros dos mais diferentes países.

 

É, para muitos, a oportunidade única para ver raros e bons filmes asiáticos, europeus, latinos, ou ainda rever obras de autores consagrados através das “retrospectivas”,  alem de claro, ver antes de todo mundo os filmes premiados nos grandes festivais de cinema como Cannes, Veneza, Berlim. Este ano teremos muita coisa interessante por aqui.

A abertura oficial do evento aconteceu na noite de ontem, dia 21, no Auditório Ibirapuera, em sessão especial para convidados do filme “O Estranho Caso de Angélica”, de Manoel de Oliveira. O cineasta português, 101, o mais velho em atividade, não pode comparecer à festa da Mostra, pois recupera-se de uma cirurgia feita para a troca do marca-passo, no entanto passa bem e prometeu vir ao Brasil assim que possível. Em seu lugar, compareceram os atores Ricardo Trêpa e Ana Maria Magalhães.

Quem também esteve presente na festa foi o cineasta Wim Wenders. É ele quem assina um dos cartazes desta edição da Mostra. Alem disso, os filmes de Wenders serão exibidos em uma das retrospectivas (com destaque para “Até o Fim do Mundo”, em nova versão, com 5 horas de duração, uma vez que continuou sendo editada pelo diretor mesmo após seu lançamento, em 1991).

Quem não estiver muito convencido com o cartaz do Wenders, algo meio “Paris, Texas”, pode optar por um segundo cartaz. Este outro traz uma ilustração do mestre do cinema japonês, Akira Kurosawa (1910-1998).

Um momento que promete ser histórico nesta Mostra será a sessão dedicada a versão restaurada do clássico “Metropolis”, de Fritz Lang, no dia 24/10, às 20hs. Exibido ao ar livre, na parte externa do Auditório Ibirapuera, o filme contará com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica, que executará a trilha original de Gottfried Huppertz.

Assim como no ano passado, este ano também será possível assistir on line a alguns filmes da mostra, gratuitamente. A seleção é composta por 68 títulos, no entanto, há um número restrito de acessos (não é necessário fazer downloads). No site da mostra há a lista dos filmes que serão exibidos e o limite de acessos.

A novidade dessa Mostra fica por conta dos bicicletários instalados em diversas salas de exibição. Para utilização de bicicletas é necessário fazer um cadastro, com apresentação de um documento com foto, comprovante de residência e/ou estadia (em caso de turista/estrangeiro), alem da apresentação de um cartão de crédito com saldo mínimo de R$ 350. Aos que possuem credencial da Mostra, basta apenas apresentar documento com foto.

A primeira hora de empréstimo é gratuita e as demais custam R$ 10/hora. A ideia é boa, vamos ver se pega!

O Le Champo estará na Mostra e compartilhará diariamente com o leitor parte da experiência de ver, sentir e pensar o cinema contemporâneo. Aqui no blog, resenhas, notícias, entrevistas. No twitter (@lechampo) notas, comentários, reclamações, novidades etc.

À bientôt!

Suecos Silenciosos na Cinemateca Brasileira

Já virou tradição: em agosto é exibida a Jornada Brasileira do Cinema Silencioso, este ano em sua 4ª edição. O evento, promovido pela Cinemateca Brasileira e já considerado um dos mais importantes da cinefilia nacional inicia-se hoje e vai até o dia 15, tendo como principal característica a exibição de filmes silenciosos (ou, como tornou-se popularmente conhecidos, “mudos”). São, de modo geral, as produções realizadas até o fim da década de 1920, ou ainda, antes da utilização do som sincronizado (por volta de 1927).

Este ano, o que a Cinemateca traz de mais especial é uma mostra dedicada ao Cinema Silencioso Sueco, em parceria com o Instituto Sueco de Cinema. Nesta, nomes consagrados do cinema escandinavo, como os de Victor Sjöström e Gustav Molander figuram ao lado de outros diretores importantes no contexto nórdico, mas ainda pouco conhecidos no Brasil, como são o caso de Ernest Florman, pioneiro do cinema sueco e Mauritz Stiller. Serão exibidos, entre outros filmes, “Terge Vigen, (1917), de Sjöström, “As Garotas de Norrtull” (Norrtullsligan, 1923), de Per Lindberg e “A Herança de Ingmar” (Ingmarsarvet, 1925), de Gustav Molander. Todos esses filmes, e outros, têm sessões com acompanhamento musical programadas.

“A Herança de Ingmar”, de Molander…

“As Garotas de Norttull”, de Lindberg

Além dos suecos, serão exibidas outras raridades que valem a visita à Cinemateca, como por exemplo “Wara Wara”, ficção boliviana de 1930 e produções brasileiras, como “Companhia Paulista de Estrada de Ferro” (1930), “Companhia Mogyana (1920)”, cujo tema central é o trem.

Confira um trecho de Terge Vigen, do mestre do mestre, Victor Sjöström:

Quer saber mais? Acesse o site da Cinemateca e divirta-se!

15 anos de Dogma!

O Dogma 95, cujo manifesto foi publicado há 15 anos pelos cineastas dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vintenberg, é tema da mostra Dogma 95 – 15 Anos Depois, exibida pela Cinemateca Brasileira, de 27 de julho a 3 de agosto.

Apesar de pequena, a seleção de filmes (quatro ao todo e exclusivamente escandinavos) permite ao público conhecer um pouco do contexto histórico e geográfico de onde surgiu o manifesto, além de traçar um panorama sobre o desenvolvimento e a evolução do estilo, que acabou por influenciar centenas de produções em diferentes lugares do mundo.

Integram a mostra os longas: Os Idiotas (Idioterne, 1998),  obra inaugural ou Dogma #2, de Lars von Trier; Mifune (Mifues sidste sang, 1999 – Dogma #3), de Søren Kragh-Jacobsen, Corações Livres (Elsker dig for evigt, 2001 – Dogma #28), de Susanne Bier e Nas Suas Mãos (Forbrydelser, 2004 – Dogma #34), da cineasta Annette K. Olesen.

Cena de Os Idiotas, de L.v.Trier

Além da exibição dos filmes, está programada para o dia 3 de agosto, às 21h00, palestra sobre o Dogma 95 com a Profª Bodil Marie Stavning Thomsen, da Universidade de Aarhus, Dinamarca, autora de centenas de publicações sobre arte e cultura, em diversos idiomas, inclusive português e também consultora do Festival de Cinema de Aarhus.

Quer saber quais são as 10 regras essenciais (ou “voto de castidade”) do Dogma e a programação da mostra? Está tudo no site da Cinemateca.

Ditadores na tela do Cinesesc

O Cinesesc (r.augusta, 2075) inaugura, a partir do próximo domingo, dia 23/05, a Sessão Conhecer, com o propósito de apresentar ao público geral, “não-cinéfilo”,  importantes obras e autores do cinema mundial contemporâneo. E para começar, nada melhor que o cineasta Aleksandr Sokurov, um dos principais nomes do cinema independente russo da atualidade. No programa, foram selecionados três longas que compõem a tetralogia sobre os ditadores do século XX.

Neste primeiro domingo, será exibido Moloch (idem, 1999), que retrata a relação entre Adolph Hitler e sua amante Eva Braun e o encontro de ambos nos Alpes da Baviera, durante a primavera de 1942. Apesar do título (Moloch representa, em várias culturas antigas, uma divindade malévola sempre associada a sacrifícios humanos) ser uma referência direta ao ditador, o foco do filme é, sem dúvida, Eva Braun e seu papel ao lado de Hitler, como única pessoa capaz de, ao mesmo tempo, compreender e desafiá-lo, numa clara demonstração de amor e devoção.

No dia 30/05, será exibido Taurus (Telets, 2001), um retrato delicado dos últimos meses de vida de Lênin. Sua fragilidade física, em decorrência da doença degenerativa, bem como a fragilidade emocional e política, em virtude de seu afastamento compulsório dos assuntos do Partido Comunista, são evidenciados. Bela é a cena onde Lenin (impecavelmente interpretado por Leonid Mozgovoy) relembra momentos de sua vida política ao lado de sua inseparável companheira, Krupskaia, durante um bucólico passeio de domingo. A lenta degradação de Lenin é acompanhada de perto pelo espectador, que pode provar um pouco da agonia e do abandono daquele que foi um dos mais importantes líderes políticos do século passado.

Dia 06/06, é a vez do imperador japonês Hirohito ser retratado em O Sol (Sointse, 2005). O filme mostra o momento em que os americanos desembarcam no Japão, após o imperador instruir o exército japonês a retirar-se do conflito. Apesar da ordem do imperador salvar muitas vidas, os americanos decidem levar Hirohito a um tribunal de guerra. É o encontro entre o general McArthur, comandante das tropas norte-americanas no Pacífico Sul e Hirohito, o ponto central do filme. Embora derrotado, Hirohito insiste em sustentar o teatro em torno da sua imagem, que o torna inatingível.

As sessões acontecem sempre aos domingos, 11hs e são gratuitas (ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência).

Voilà, c’est Cannes!

Começa hoje a 63ª edição do Festival de Cannes, um dos mais importantes eventos da cinefilia mundial. E o filme que abre oficialmente o evento, às 19h15 (na  França) é Robin Hood, de Ridley Scott. O longa (já comentamos sobre ele aqui nesse Le Champo, lembra?) não participa da Competição Oficial do Festival, que premiará o melhor filme na opinião do júri com a Palma de Ouro, e tem estreia mundial marcada para a próxima sexta-feira, 14.

Crowe, Blanchet e outros, na coletiva de imprensa de Hobin Hood – Cannes

O que mais chama a atenção para esta 63ª edição é a falta de grandes nomes concorrendo à Palma de Ouro, ainda mais se compararmos com a edição anterior, que contava com nomes como Tarantino, Resnais, Almodóvar, Lars von Trier, etc. No lugar, mais produções de origem asiática e da Europa Oriental. E isso é excelente, pois chama atenção para as produções de países menos tradicionais no cinema, como Ucrânia, Tailândia e Chade (alguém aí lembra de um bom filme do Chade??)!

Os nomes mais “conhecidos” estão na mostra paralela, Um Certo Olhar (Un Certain Regard), que traz diretores como Jia Zhang-ke (de “Em Busca da Vida”, “Dong” e “Inútil”), apresentando Hai Shang Chuan Qi (I Wish I Knew), Pablo Trapero, (de “Família Rodante” e “Leonera”), com Carancho, Cristi Puiu (realizador romeno em ascensão, que dirigiu “A Morte do Sr. Lazarescu”), com Aurora, além do mais célebre de todos (aliás, de todo o Festival!), Jean-Luc Godard, que exibe seu Filme Socialismo, no dia 17, paralelamente em Cannes e na internet. Quem quiser ver o filme pela internet terá 48 horas para isso: de 17 a 19 de maio (data em que estreia nos cinemas franceses), ao preço de 7 euros, no site www.filmotv.fr. Espia só um dos seis trailers:

Veja os longas integrantes da Seleção Oficial, que concorrem à Palma de Ouro, cujo júri será presidido nesta edição por Tim Burton:

Another Year” – Mike Leigh (Reino Unido)

Biutiful” – Alejandro Gonzaléz Iñárritu (México)

Copie Conforme” – Abbas Kiarostami (Irã)

Des Hommes et dês Dieux” – Xavier Beauvois (França)

Fair Game” – Doug Liman (EUA)

Hors La Loi” – Rachid Bouchareb (França/Algéria)

La Nostra Vita” – Daniele Luchetti (Itália)

La Princesse de Montpensier” – Bertrand Tavernier (França)

Lung Boonmee Raluek Chat” (Oncle Boonmee Celui Qui se Souvient de Ses Vies Antérieures) – Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)

Outrage” – Takeshi Kitano (Japão)

Poetry” – Lee Chang-dong (Coreia do Sul)

Rizhao Chongqing” – Wang Xiaoshuai (China)

Route Irish” – Ken Loach (Reino Unido) – selecionado de última hora!

Schastye Moe” (Mon Bonheur) – Sergei Loznitsa (Ucrânia)

Szelíd Teremtés – A Frankenstein Terv (Um Garçon Fragile – Le Projet Frankenstein) – Kornél Mundruczó (Hungria)

The Housemaid” – Im Sangsoo (Coreia do Sul)

Tournée” – Mathieu Amalric (França)

Un Homme que Crie” – Mahamat-Saleh Haroun (Chade)

Utomlyonnye Solntsem 2: Predstoyanie” (L’Exode – Soleil Trompreur 2) – Nikita Mikhalkov (Rússia)

Serão exibidos ainda no Festival de Cannes, em outros programas e mostras, os novos filmes de Olivier Assayas, Carlos, de Oliver Stone, Wall Street: Money Never Sleeps, de Woody Allen, You Will Meet a Tall Dark Stranger e o brasileiro 5 x Favela, Por Nos Mesmos, de vários autores.

O Le Champo acompanhará diariamente o Festival e comenta as novidades por aqui!

À bientôt!

Dupla Personalidade!

Começa hoje (05), na Cinemateca Brasileira, a mostra Eu Sou o Outro: a Duplicidade no Cinema. Até o dia 30 de maio, serão exibidas obras clássicas e recentes que têm como característica comum o fato de um personagem assumir, intencionalmente ou não, a personalidade de um outro.

Entre os clássicos, destaque máximo para Persona, de Ingmar Bergman (1966), com Liv Ullmann e Bibi Andersson. O filme trata da relação simbiótica entre duas mulheres, Elizabeth Vogler, atriz de sucesso, e sua enfermeira, Alma, que tenta compreender a razão do silêncio da atriz após uma forte crise emocional.

Serão exibidos também Um Corpo de Cai, de Alfred Hitchcock (1958), Passageiro: Profissão Repórter, de Michelângelo Antonioni (1975), As Duas Vidas de Mattia Pascal, de Mario Monicelli (1985), inspirado na obra de Luigi Pirandello, “O Falecido Mattia Pascal” e A Dupla Vida de Véronique, do polonês Krzysztof Kieslowski (1991).

Entre as produções mais recentes estão Os Infiltrados, de Martin Scorcese (2006), Eu Não estou Lá, de Todd Hayes (2007), que conta, fora de ordem cronológica, os episódios marcantes da vida e obra de Bob Dylan e A Troca, de Clint Eastwood (2008), com Angelina Jolie no papel principal.

Os filmes nacionais selecionados são: A Hora e Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (1965) e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (2007).

Gostou? Confira a programação completa no site da Cinemateca Brasileira

Serviço:

Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – prox. Metrô V.Mariana

Contato: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ingressos: R$ 8 / R$4 (meia-entrada)

Resenha: “Inimigos do Povo”

Inimigos do Povo, de Rob Lemkin e Thet Sambath é muito mais que um relato histórico sobre o Camboja –  é um acerto de contas com o passado. No caso, o acerto de contas de Sambath, jornalista cambojano, com o seu passado pessoal. Seus pais e irmão foram assassinados por agentes do Khmer Vermelho, regime comunista que governou o Camboja entre 1975 e 1979 e que vitimou cerca de 2000 pessoas nos chamados “campos da morte”.

O jornalista Thet Sambath conversa com ‘O Irmão Número Dois’, em cena do documentário

Para realizar seu projeto, que durou dez anos e demandou todo o já escasso dinheiro da família, Sambath percorreu o território do Camboja em busca de pessoas envolvidas com o genocídio. Seu objetivo não era encontrar os assassinos de seus pais – que ele sabia ser impossível – mas sim, explicações, justificativas para as atrocidades cometidas por um governo que se dizia originário do povo e que na prática, dizimava-o.

Foi nas suas andanças pelo país que o jornalista conheceu e se aproximou de ninguém menos que Nuon Chea, o “Irmão Número Dois” e braço direito do ditador Pol Pot. Por três anos frequentou sua casa e ouviu suas histórias, contadas sempre em doses homeopáticas e cobertas de desconfiança. Só no fim das filmagens, porém, e na iminência do julgamento dos membros do alto escalão do Khmer Vermelho pelo Tribunal da ONU é que Sambath revela sua história. A reação de Chea é representativa de seu passado como líder político e, mesmo não sendo uma novidade, não deixa de surpreender.

Sambath teve também a oportunidade de conhecer agentes do baixo escalão do regime, funcionários com autonomia policial e muitas mortes nas costas mas que, passadas algumas décadas, declaram-se esquecidas ou profundamente arrependidas dos seus atos. Um dos “assassinos”, no termo utilizado por Sambath, simula, à pedido do cineasta, a forma como matava à facadas suas vítimas – tal e qual matam-se hoje as galinhas. E depois, num mosteiro budista, reza e teme por suas futuras encarnações.

Em Inimigos do Povo, filme que recebeu este ano o Prêmio Especial do Júri para Documentário do Cinema Mundial, em Sundance, e que integra a Competição Internacional – Longas, do 15º É Tudo Verdade, Sambath e Lemkin contam, através de uma história particular, uma tragédia coletiva, mais um pequeno capítulo dos horrores do século XX. E cumprem seu objetivo maior, o de descobrir a humanidade na desumanidade.

Resenha: “Segredos da Tribo”

“Nós não queremos mais antropólogos aqui”.

A frase inicial do filme, dita por um índio ianomâmi, dá o tom do novo documentário de José Padilha, “Segredos da Tribo”, exibido no 15º É Tudo Verdade.

O filme retrata a atuação de antropólogos americanos e europeus junto aos índios ianomâmis estabelecidos na região da Amazônia venezuelana, entre as décadas de 1960 e 1970 e cujas pesquisas são sinônimo de pioneirismo e polêmica.

Entre os antropólogos destacados no longa estão o norte-americano Napoleon Chagnon, um dos pioneiros em realizar estudos de campo com os indígenas e autor da obra “Yanomamo – The Fierce People”, o francês Jacques Lizot, discípulo de Lévi-Strauss e um dos grandes nomes da antropologia na França, e Kenneth Good, que tornou-se célebre no mundo não–acadêmico pelo seu casamento com uma garota ianomâmi. Dos três citados, apenas Lizot se recusou a participar do filme.

O documentário foca menos nas contribuições científicas dos antropólogos e mais nas polêmicas de suas pesquisas. Chagnon, por exemplo, é acusado de genocídio, depois de inserir a vacina contra sarampo que dizimou mais de 200 indígenas. Já Lizot, segundo integrantes das tribos, teria praticado sexo com homens e crianças ianomâmis em troca de armas e outros “presentes”. Na análise dos acadêmicos, ele teria incentivado a prostituição em diversas tribos em troca de alimentos e outros gêneros.

A ruptura que as pesquisas de Chagnon, Lizot e cia., resultou no seio da comunidade acadêmica é explorada ao limite: imagens de acervo, muitas delas dos próprios cientistas em questão são contrapostas com depoimentos de seus desafetos, gerando uma acalorada discussão.

Para Padilha, Segredos da Tribo levanta questões relacionadas à filosofia da ciência: o papel do antropólogo e as metodologias aplicadas em suas pesquisas de campo (ou, no caso, a falta de metodologias claras) estão na base do debate e seriam algumas das  causas do descrédito acadêmico aos quais esses cientistas foram submetidos

Apesar do tom jornalístico adotado por Padilha, o documentário é denso e os debates acadêmicos podem cansar quem não está acostumado com temas científicos. Além disso, o velho jogo de poderes, tema recorrente na filmografia de Padilha (“Tropa de Elite” e “Garapa”, entre outros), está presente, só que desta vez num ambiente teoricamente “sério” e “respeitável” – a academia.

Resenha: “Uma Noite em 67”

Selecionado para abrir o 15º É Tudo Verdade, o documentário Uma Noite em 67, dos diretores iniciantes Renato Terra e Ricardo Calil, é uma divertida viagem à história da música e televisão brasileira. O filme retrata, através de imagens de arquivo, a final do 3º Festival da Música Popular Brasileira, em 1967, noite marcada pelo lançamento de algumas das mais importantes músicas e também por alguns micos televisivos.

Exibido pela TV Record, os Festivais eram responsáveis pelos maiores índices de audiência da época. Artistas consagrados como Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos e Edu Lobo eram habitués desse tipo de programa, onde apresentavam-se ao vivo para uma plateia eufórica e exigente.

Se a década de 1960 foi a era dos grandes festivais de música (numa proporção nunca mais alcançada, apesar das inúmeras tentativas em recuperar este formato de programa), o que fez de 1967 célebre? Canções como “Alegria, Alegria”, “Roda Viva”, “Domingo no Parque” e “Ponteio”, esta última interpretada por Edu Lobo e Marília Medalha – e música vencedora daquela edição – talvez possam responder essa pergunta. É pouco? Então, quem sabe dizer que em 1967 uma manifestação contra o uso da guitarra elétrica (demonizada como símbolo do imperialismo norte-americano), e que criou um racha na classe artística entre os favoráveis e os temerários ao instrumento, responda melhor? Ou seria ainda o momento ‘descontrol’  de Sérgio Ricardo, que, sob vaias e impedido de cantar “Beto Bom de Bola”, quebra seu violão e o atira contra a plateia? Independentemente da escolha, todas essas histórias estão lá, não apenas retratadas pelas imagens da época, mas também comentadas pelas pessoas que fizeram essa história acontecer.

O que mais chama a atenção em Uma Noite em 67 é o uso inteligente das imagens de arquivo – neste documentário elas não servem como meras ilustrações dos depoimentos, mas se prestam a dar o clima exato do que aquela noite representou para toda uma geração que, ao mesmo tempo em que vivenciava os anos de chumbo da ditadura militar, via surgir importantes manifestações culturais, a exemplo do Tropicalismo, ou ainda os primeiros passos do rock nacional, que deve muito de sua origem aos artistas “jovens e modernos” de 67.

Presentes na sessão de hoje (09/04), os diretores justificaram sua escolha por 67: “Aquela noite de 67 reuniu os artistas de que mais gostamos, de quem gostaríamos de desfrutar de alguma intimidade, fazer parte daquele universo de algum modo, enfim, eles são responsáveis pela trilha sonora de nossas vidas”,  resume Calil.

Ficou interessado em ver este documentário? A próxima sessão de Uma Noite em 67 em São Paulo está programada para dia 10/04, às 15hs, no Espaço Unibanco Augusta. A entrada é gratuita e recomendamos chegar ao cinema com mais de uma hora de antecedência (na sessão de hoje, dia 09, no mesmo Espaço Unibanco, a fila já dobrava a esquina por volta das 19h30).

Mais informações no site do É Tudo Verdade

Próxima Página »



Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.